segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

à todas as meninas =)

Mal nos conhecemos - Alexandre O'Neill

Mal nos conhecemos
Inauguramos a palavra amigo!
Amigo é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece.
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!
Amigo (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
Amigo é o contrário de inimigo!
Amigo é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado.
É a verdade partilhada, praticada.
Amigo é a solidão derrotada!
Amigo é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
Amigo vai ser, é já uma grande festa!


não vou comentar pra não correr o risco de ficar muuuuito tempo dizendo o quanto eu gosto de cada uma de vocês. ;)

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Diário de Bordo - Parte I

Caros leitores...


Inicia-se aqui o relato de uma viagem cômica e cheia de absurdos – e põe absurdos nisso. Ponto de partida: Londrina – 'nortão pé vermeio'. Destino: Barracão – fronteira com Argentina (com um nome desses, podia se esperar tudo de tal lugar). Duração do trajeto: cerca de 6 horas...se não estivesse chovendo. Mas dois terços do dilúvio de Noé caiam sobre a estrada. Por aí, via-se que a coisa não ia ser fácil.
Debaixo de tórrida chuva, partimos de Londrina às 5h30 da manhã, com frio e escuridão. Mas a promessa era de bons momentos. A bagagem dos quatro passageiros, entre malas, cobertores, casacos e o sobretudo da Dona Rose (ai de mim se eu não o levasse!), foi suficiente para entupir o porta-malas do pobre Uno, valente guerreiro e herói a nos transportar mais de 600km em tais condições.
Os primeiros cinco minutos foram de adaptação e acomodação. Vidros fechados, janelas embaçadas, calor humano e... odores bem desagradáveis. Antes que saíssemos da cidade, quase morremos asfixiados pelo mal cheiro de um pum criminoso e bastardo: nessas horas, ninguém sabe quem é o pai da criança. Mas isso não importava, a preocupação era uma só: seriam as próximas sete horas envoltas pela mesma atmosfera ácida e amarelada que nos envolvia naquele instante? Suei. Até cheguei a lembrar de um fato marcante numa certa noite chuvosa em Londrina, em que uma determinada amiga – por motivos éticos, melhor não citar nomes - quase nos assassinou dentro do carro da Maria. Nem a gola olímpica de lã que eu usava foi suficiente para segurar a onda quente que subiu. Enfim, deixemos isso de lado, foi demais pras nossas pobres narinas.
Felizmente, as janelas embaçaram e alguém precisou abrir os vidros para que se enxergasse a estrada. E assim fomos, cantando e contando causos, lembranças, histórias. Risadas das memórias de um tempo que deixou saudade e muita coisa boa. E vem o Rafa:
_Eu usava uma jaqueta velha de nylon horrorosa todos os dias!
_E eu encurvava as costas igual Tartaruga Ninjas! Fora o cabelo armação cogumelo. – contei, num acesso de sinceridade inconveniente. Pra não ficar por baixo, o Ed também fez sua confissão:
_Naquela época eu usava pantalona vermelha e um sapatinho Conga branco!
Estava difícil decidir quem era mais... hum, brega. Mas nossas histórias não chegavam aos pés dos causos contados pela mais ilustre – e passada – tripulante. Márcia é o nome da bendita. Não era a heroína do programa da Band e o lema do “mexeu com você, mexeu comigo” passava longe dela. Tia do motorista, 63 anos (“a idade da Wanderléia!”, como ela gostava de identificar, sabe-se lá por que), manca de uma perna, forte propensão ao alcoolismo (há quem acredite que exista algum tipo de parentesco com a Helen), leve incontinência urinária. Doida. Detectadas tais características, eu soube imediatamente que havia encontrado a companhia perfeita para os próximos dias.
Cerca de 11h da manhã, chegamos em Cascavel. Para economizar na Zona Verde (mais interessante do que a Zona Azul daqui), estacionamos dentro de um mercado para bater perna pelo centro da cidade. A pobreza começou a reinar cedo. Fotos em frente à vitrines de farmácias e ao lado de bonecos de posto não faltaram. O grande monumento de Cascavel é um polegar enorme no meio de uma praça, feito do desenho em pedra de milhares de polegarzinhos. E todo mundo tira foto ao lado do Grande Dedo acenando com os próprios dedos. Relato isso porque infelizmente não tivemos oportunidade de tirar fotos com o polegar famoso, mas ficou bem óbvio que dedos são muito significativos para algumas pessoas. Prosseguindo...
O passeio por Cascacity não demorou muito. Logo a chuva, que havia dado uma pequena trégua para permitir nosso reconhecimento do local, voltou a cair e nos obrigou a correr como trombadinhas pela cidade. Molhados e famintos, era hora de almoçar. Ou quase. No relógio do shopping, faltavam dez minutos para o parking free. Pagar 4 reais a hora por causa de míseros dez minutos?! Jamais! O negócio foi esperar do lado de fora aqueles poucos instantes pra depois encher a pança. Pra nós, comida boa, bebida boa. Pra Márcia, cerveja quente. Sim, gelada ela não bebe nem por decreto. É ruim. Bom mesmo é cevada com gosto de xixi.
Mais três horinhas e meia de carro, passando por muita lama e estrada esburacada, conseguimos chegar vivos à Barracão. Na verdade, a cidade era Dionísio Cerqueira, fronteira de Santa Catarina com o Paraná e a Argentina. E após quase 700km percorridos e um dia sacrificante de viagem, surgiu a dúvida da Márcia:
_Aqui ainda é Londrina?


A continuar...

Roda Viva

Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu
--
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega o destino pra lá
--
Diacho de roda viva! Sinceramente, não sei definir se essa tal roda faz bem ou mal pra gente, que quer ter voz ativa. Também, que diferença vai fazer eu definir ou não? A roda gigante vai continuar a girar e o pião não vai parar de rodar porque eu quero. Mesmo que eu me sinta como quem partiu ou morreu.
E quando o corpo está ferido e outra pessoa vem estancar o sangue, eu disfarço e finjo que sarou, mas a realidade é que, quando tiro o curativo, volta a jorrar tudo de novo, mais e forte. Até quando?

Fico pensando no que causa esse inevitável efeito que coloca as pessoas pra baixo. É como se existisse uma ”força da gravidade“ emocional, que empurra a gente pra um lugar que ninguém gosta de ir. Triste, frio, cinza. Aí a gente tenta pintar as paredes, pôr brilho, se distrai, ri, sai da rotina, foge de si mesmo. Mas depois, descobre-se que tudo não passou de uma tentaviva frustrada de enganar o tempo. A gente gira o ponteiro do relógio, mas se esquece de que nosso inconsciente não se guia por tempo cronológico. Ele faz seu próprio tempo, e aí percebemos que somos incapazes de mexer no mecanismo desse reloginho chato e inconveniente.

E se a gente pudesse parar essa tal roda, mandar no tempo do nosso coração? Parece bom. Mas, a mim, soa como comer doce de leite, gostoso até certo ponto. Depois tranca a garganta, enjoa. O bom da vida é justamente o não-saber constante do que será, do que seremos.


A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a roseira pra lá

[...]
No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a saudade pra lá


E por causa da corrente da dúvida do que será, deixamos de arriscar, de pôr o barco em alto-mar. E depois a gente fica sem saber se a correnteza iria nos levar justamente pra terra firme. Quem é que sabe o que seria das coisas que não fizemos?
Fica-se então com a saudade do que já não volta, com o desejo de trazer o passado. E com a vontade de fazer diferente, esperança viva e latente de que essa correnteza arraste nosso barquinho para um novo cais. Tudo muda o tempo todo, e sempre vai existir alguém capaz de nos trazer de volta do nosso eu solitário e fugitivo, leve o tempo que for. E quando a gente desiste de encontrar, a roda viva traz, surpreendentemente, aquela luz dos olhos numa das voltas do nosso coração.

Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração

domingo, 28 de junho de 2009

divagações de uma madrugada pós-blue - mais uma

ai meu deus,
o que é que há? o que é que está se passando com esta cabeça?
(Fábio Jr., o cantor)

Advertência: Deve existir um Fábio Jr. que é jogador de futebol.. existe, não existe?... mesmo assim, eu vos peço, não confundam João Bosco com aquele que canta em uma dupla com o Vinicius, isso sim é imperdoável.
afinal, Vinicius morreu em 1980.

--> dúvida 1

Pra que etiqueta, ter boas maneiras
Se estamos do lado de cá da fronteira
Brilhante quintal, glamour nacional
a gente disfarça o motivo
Inventa a situação
Pra ter, pra ganhar, pra roubar, pra chamar a atenção
Eu faço caras e bocas
Com que roupa eu me dou bem
Eu sei que caras e bocas
Me levam para Roma também

bom...
começou com bom é porque boa coisa não é

essa é a música de abertura da novela das 7, "caras e bocas"
a música, de nome homólogo, desde que escutei pela primeira vez trouxe muitas dúvidas a minha mente
com a letra esclarecida, eu gostaria agora de esclarecer o que ela significa
por que? meu deus, por que isso?
por que, minha gente, esta imitação absurda das músicas das Frenéticas?
brilhante quintal, glamour naciona-a-a-aaal
eu sei que existem músicas muito mais ridículas que essa e que mereciam mais serem discutidas, mas..
sabe?

e tem gente que vai gostar da estrofe que não tá inclusa na abertura da maravilhosa novela

Pra que conteúdo, se a casca é bacana
A foto é perfeita e o risco é sacana

O mundo é blasé, pró seco rosé

E a novela possui um macaco super simpático, e olha que eu não simpatizo muito com os culega
putz, você prefere o macaco Xico ou o Malvino Salvador ex-pintor que proíbe a irmã cega de namorar?



essa música me indigna!


-->dúvida 2

Os bares londrinenses estão com frio na bacurinha.

Andei observando...
alguns bares estão fechando muros nestes últimos tempos
eu achei estranho
primeiro, os caras enrolam até esfriar, a geada passar, e o frio mediano se estabelecer para fecharem suas biroscas
então, eu presumo que eles não tenham feito isto antes porque não tinham dinheiro, mas qual a diferença entre semana passada e agora para um caixa em plena crise econômica*?
e outra, comöfas// quando fizer calor novamente e também com os fumantes a pleno vapor se constrangendo em esfumaçar a cara dos não-fumantes ou os não-fumantes se incomodando visivelmente?

a verdade é a seguinte, eu achei que o PUB ficou mais legal do que antes
já aquele Pinguim, em que nunca fui e odeio por tabela por achar que ele é da 'franquia' das cantinas que monopolizam a UEL, parecia estar uó
e dessa vez é uó como nasceu das bibas crews: péssimo, bee!


*todos estamos carecas de saber que não existe crise econômica, sendo a economia uma fábula com a lição de moral por fazer, ou uma parábola bíblica mal contada, ou uma história da carochinha - o que é carochinha?
mas crise só existe uma, a minha, é claro.


--> dúvida 3 - a inumerável


o michael jackson morreu mesmo??



eu estou chocadaaaaa, estou chocada!
a minha falta de dignidade, de humanidade, de respeito, de consideração, de noção faz com que eu, nascida em pleno aniversário michaeliano, um presente de suíngue, uma homenagem de nariz, uma afinidade de pele com o deus do pop, não dedique NOMÍNIMO um post inteiro a ele.
Nem começar o post com ele eu tive a capacidade de começar!
Me desculpem, me perdoem!
Pra mim, o final costuma ser a melhor parte.

Acho que tudo começou no Jornal Nacional, porque eu sou adepta do lema Karinerdiano que diz "A vida é uma ironia".
Um dos jornais mais inassistíveis, mais impalatáveis, e mais irritantes dos que estão em meu cotidiando paradisíaco.
Eu estava indo para o cinema quando...

'michael jackson está no hospital... michael jackson tá maus... parece que ele morreu'

na roda de bar, bem mais tarde, deram a notícia que não quer calar: Michael Jackson morreu!

Sim, ele havia visto o frango pelado, segundo o piadista senhor Henrique, pai de minha amiga-escritora Camila Viór.

No dia seguinte, tenho a assustadora surpresa de acordar, ligar a TV e dar de cara com a pobre coitada da Ana Maria Braga. Ai, meu deus, foi aí, minha gente, foi aí que o pesadelo começou de verdade. Para meu alívio, Loro José estava vestido de Michael. Felizmente, alguém sensato resolveu vestí-lo, ao invés de vestir a apresentadora que fez o suficiente montada como Madonna.
Então, ouvi o texto. Texto este que se repete incansavelmente, se não por algum 'comunicador' ou por algum (des)conhecido, por mim. Encontrei um hobby no ato de perguntar se as pessoas já estavam sabendo que o Michael tinha dado adeus e ido de vez para neverland.
O Jornal Hoje, não inesperadamente, fez um edição toda, toda Michael.
Mas gente, pra que desgraça muita? Foi o Evaristo que teve que se entregar demonstrando toda sua sensibilidade à morte do astro. Sandra Annerberg estava emocionada demais para dividir a bancada naquele dia. Um minuto para o agradecimento a deus, ou a entidade que você crê.

Depois de muito ouvir sobre o assunto, muito perguntar se já sabiam do acontecido, muito assitir à Billy Jean, Thriller, Beat it e Golimar, eu agradeço ao Michael.
O cara é foda.
Eu devo parabenizar alguém que tem tanto poder assim sobre a mídia.
E também devo invejar alguém que tem 50% dos direitos autorais sobre as músicas do Beatles.

Pobre menino, um PeterPan não pode morrer depois dos 30.






ah, e pra constar, em um post em que a Globo predomina, o meu sonho não é ser a garota do fantástico
o meu sonho é fazer o moonwalk!
;)

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Em que lugar eu me esqueci?



Fazer "loucuras" é só um modo de dizer que não quero seguir certos padrões. E aí, quem vai julgar, dizer se é certo ou errado? Ser louco nada mais é do que extravasar vontades que, na maioria das vezes, não temos coragem de expressar.

Fico me condenando por estar recém-formada, aos 23 anos, desempregada e lutando por um espaço, por menor que seja, num mercado que não dá muita abertura aos "inexperientes". Preciso ter um bom emprego, para conseguir minha independencia financeira, comprar uma casa, namorar, casar, ter filhos, comprar um cachorro, gato, periquito e assim ser realizada. E se não for isso o que eu quero da vida? E se eu não quiser passar horas trancafiada num escritório, para depois chegar em casa e lavar a cueca do meu marido e dar banho nas crianças? E se eu não quiser morar numa casa com piscina e ter uma tevê 42 polegadas pra ver o Fantástico aos domingos? E se eu não quiser casar antes dos 35? E se a minha vida não for o que projetaram pra mim?!

Tenho pensado muito sobre o que espero de mim mesma. Eu esqueci do que quero, do que sou. E eu sou a atriz principal da minha vida, mas esqueci de me convencer disso. Tenho deixado que os outros escrevam o roteiro, produzam a peça e encenem por mim. Roubaram meu papel, fiquei de coadjuvante da minha própria história. Analogias que soam como devaneios a quem lê, mas é isso que eu desejo que pareça: insensatez.

Hoje eu vou pintar a cara, colocar um chapéu, fazer a maquiagem do triste palhaço e seguir com o circo. Ir de cidade em cidade, conhecer um mundo que eu nem imagino. Sem nada que me prenda, sem raízes. Os artistas são felizes assim. Hoje eu quero fazer minha mochila e sair por aí, sem eira nem beira, até chegar ao desconhecido que, ao se tornar conhecido, me encante. Hoje eu quero beber vinho sem ter a preocupação da ressaca do dia seguinte, eu quero passar horas escrevendo de madrugada sem medo de ficar com rugas, quero morar num chalé pequeno e distante. Ou não, talvez eu queira um flat no centro de São Paulo, sozinha. Mas quero ter a quem recorrer, quero o carinho daquele homem atencioso ou daquela mulher misteriosa que vem e que vai. Quero poder retribuir esse mesmo carinho. Quero me apaixonar por ele, por ela. Quero passar dos 30 anos sem a preocupação do que vão pensar se eu estiver solteira, casada, desquitada ou seja lá o que for. Eu preciso ficar só, comigo mesma, ouvindo apenas o ronco do meu cachorro fiel e esquisito. Retomar as rédeas de mim mesma, me recuperar.

Onde foi que eu fiquei mesmo? Em que lugar eu me esqueci? Quando olho pra dentro de mim e sinto aquele familiar "vazio", percebo que tudo que sou está projetado em outra pessoa. E quando olho pra ela, sinto saudade de mim. Eu me quero de volta, deixei tudo o que sou lá. E como foi difícil constatar isso, absorver e admitir que no fundo a responsabilidade é minha, inteiramente minha. Eu e aquela estranha necessidade de me ver refletida nos outros. Egoísmo? Perfeccionismo? Não sei que nome se dá, mas acredito que seja mais comum do que se pode parecer.

"Deve haver algum sentido..."
Sim, há. Naquela manhã de domingo, acordei assustada com um sonho perturbador, que me trouxe um sutil e incômodo questionamento: O que é pior, enganar o medo ou desenganar a vida? Quase 3 meses depois, reassumindo minha condição de atriz principal da minha própria história, tenho a segurança de dizer que mais vale uma verdade amarga do que uma mentira adocicada que me mantenha presa às raízes da ignorância. Acordei pra mim mesma, e não quero mais as regras dos outros, as leis que ditam e julgam ser certas. A minha verdade amarga é mais doce que a "saborosa" mentira que querem que eu viva pra ser feliz.


*Agradecimento especial à você, Helen, que com sua sinceridade e coragem, desperta o senso crítico-reflexivo tão necessário aos sonhadores...

sexta-feira, 22 de maio de 2009

medo de adultecer, adultecendo: "that's not my name!"


Adultecer é tercer-se, "resolver traumas e resentimentos da infância e da adolescência para poder iniciar de maneira saudável e segura uma nova fase da vida. Transformar-se de pessoa dependente à pessoa idependente, estabelecer uma indentidade para sí sem criar personagens, conscientizar-se de seu potencial e capacidade para sua própria satisfação pessoal, ser capaz de responder às demandas e suportar as pressões."*

não dá medo???

Venho pensando sobre isso desde que a Ju (Gimenez) me disse que eu precisava deixar de ser menina para ser moça e que de moça eu passaria a ser mulher. Não que fosse novidade, mas já tava na hora??? Na verdade já tinha passado da hora! Não por coincidência, outro dia a Vivian (de Cambé), numa conversa, me disse: Helen eu quero ver você com as rédeas da sua vida nas mãos! - Levei um susto, fiquei pasma, senti medo, mas logo o desespero foi diminuindo, assim acalmando, e eu enxerguei que é realmente inevitável, que é impossível realizar muitos dos meus sonhos e metas sem passar por esse tremendo frio na barriga e crescer mais um pouquinho. É tipo assim, prova e pré-requisito. Pra alguns é mais fácil, pra outros não, o negócio é que pra mim soa como estar completamente sozinha no mundo. Como vou cuidar de mim? O que priorizo e o que preciso priorizar na minha vida? Quais são os limites, as regras para que eu consiga viver bem e alcance meus objetivos? Eu consigo me segurar? Ai esse meu instinto boêmio! O que eu quero? Que escolha eu faço todos os dias, talvez sem perceber, que mantém minha vida, que me mantém como estou? O que eu quero mudar e o que posso fazer pra que isso aconteça? Porque algumas coisas são tão difíceis pra mim?
Pensei na minha vida sexual, pensei nas minhas relações sociais e também pensei sobre o que quero no futuro, que tipo de vida tem mais a ver comigo, que passo eu dou agora. Pensei em como eu gostaria de orgulhar os meus pais, de ter meus parentes e amigos sempre por perto como numa grande festa, pensei em como eu gostaria que as pessoas me aceitassem e me respeitassem como sou e percebi como tenho me sentido errada e como tenho me reprimido numa situação ou outra, fingindo que esse é meu nome sim e tentando me convencer de que talvez eu possa ser o que querem que eu seja e, ao mesmo tempo, ser eu mesma. Mas isso dá em vida dupla, pode até dar em personalidade dupla (exageraaada) e isso eu não quero. Me peguei tentando atender por um nome que definitivamente nunca me atraiu da mesma forma que outro e decidi que serei eu mesma independentemente da aprovação alheia porque eu preciso e mereço ser feliz e cansei de me confundir por querer a aprovação de todos, mas que não vou impor o que sou e o que penso, quero amor, se não der pra amar que me respeitem, se isso ainda for muito, que distanciem-se. Simples assim.
Pensei na ida e na vinda para Londrina e no tempo em que morei aí, pensei nas escolhas erradas que fiz, nos meus medos, no que eu me envergonho de muitas vezes pensar, dizer ou fazer (ou de deixar de) e me senti a pessoa mais horrível do mundo. Mais difícil que me dispor a sofrer as conseqüências de abrir mão da aprovação de parentes, amigos e colegas para viver a minha vida do meu jeito é vencer a mim mesma, meus medos, meus preconceitos, ultrapassar meus próprios limites, me avaliar, me reavaliar, me reconstruir... Sempre! E essas coisas estão tão ligadas que eu não sei o que vem primeiro. Sei que vou tentar não me envergonhar dos meus erros, não quero mais a angustia de tentar agradar a todos porque isso é impossível e assim eu errei muito e muitas vezes. Sei que sou humana, que erro, que cresço porque é assim que as coisas funcionam, a gente precisa crescer e agora eu entendo melhor isso (na verdade eu tenho uma vaga idéia, o que já ajuda, eu não tinha nenhuma!), aceito tentar, aceito me dedicar e errar porque hoje o meu tentar, o meu dedicar e o meu fazer mudam e aos poucos tomam forma. Uma forma coerente com o que eu sou e com o que eu quero, uma forma que vai mudar por várias vezes ao longo da minha vida e que eu quero digna mesmo diante da necessidade de reparo.
Foi algo assim, também, o que a Vivian me disse naquele dia, que eu fizesse as minhas escolhas de acordo com o que sou e quero, que eu não me prendesse, não deixasse de fazer alguma coisa por causa dos meus pais, por exemplo, pra depois não ser uma pessoa infeliz e amarga por não ter “podido” ser e fazer o que realmente queria. E eu fiquei imaginando se isso não seria egoísmo ou falta de consideração. Não é. O que pode fazer pelo outro alguém apagado, confuso, reprimido e deprimido como eu estava e às vezes fico? Quero estar com as pessoas que eu amo e admiro e pra isso eu preciso, primeiramente, ser alguém pra mim. Agora estou planejando e me organizando para ter as rédeas da minha vida nas mãos, ser independente financeiramente, voltar a morar sozinha, fazer as coisas que eu gosto. Coisas que eu sempre quis fazer e ainda não fiz. Sentir-me diferente ao crescer e ampliar o olhar sobre o mundo, analisar meus pensamento, refletir... tudo isso é muito bom. Agora, além disso, o que eu preciso é de paciência para o fazer vagaroso que é estudar para o vestibular. Haja determinação!


liberdade (poder) escolher conforme o ser:
mãe, "that's not my name!"
maturidade (saber) fazer o que se deve fazer:
e recomeçar quando preciso!



*resumo de um texto de psicologia


Bom, é isso meninas! Espero que não tenha ficado muito confuso!
Beijos à todas! Muitas saudades!

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Trechos

“Alguém me levou de mim
Alguém que eu não sei dizer
Alguém me levou daqui.
Alguém, esse nome estranho.
Alguém que eu não vi chegar
Alguém que eu não vi partir
Alguém, que se alguém encontrar,
Recomende que me devolva a mim.”


“O outro é mistério que merece ser preservado. [...] Preservar o mistério é continuar conquistando...”

“O grande equívoco dos nossos dias é estabelecer as relações humanas a partir das substituições. Queremos que o outro seja a concretização humana de nossas idealizações. Hoje nos satisfaz e amanhã não mais. Trocamos. Tentamos de novo. Voltamos a trocar. As paixões são avassaladoras, mas os desencantos também. E assim vamos colecionando relações e os seus conseqüentes estragos.”

“A paixão é diferente do amor justamente por isso. A paixão sobrevive de idealizações e o amor sobrevive de realidade. A paixão desinstala de uma forma infantil, tornando a pessoa vítima de suas fragilidades. O amor, ao contrário, amadurece e favorece a superação daquilo que a fragiliza. [...] O amor só pode acontecer nas pessoas que atravessam a ante-sala da paixão. Somente depois de conhecidos limites e virtudes é que o amor é real.”

“Sinto falta de você.
Mas o que sinto falta é de tudo o que é seu e que me falta.
Sinto falta de minhas faltas que em você não faltam.
Sinto falta do que eu gostaria de ser e que você já é.
Estranho jeito de carecer, de parecer amor.

[...]Mas o tempo de saber já chegou
Não quero mais conviver com meu lado obscuro,
E, por isso, ouso direcionar meus braços
Na direção da dose de honestidade que hoje me cabe
Hoje quero lhe confessar meu egoísmo.

[...]Perdoe-me se meu amor chegou tarde demais,
Se meu querer bem é inoportuno e em hora errada.
É que hoje eu quero lhe confessar meu desatino,
Meu segredo tão desconcertante:
Ao dizer que sinto falta de você
Eu sinto falta é de mim mesmo.”
Trechos retirados do livro "Quem me roubou de mim?", Pe. Fábio de Melo.
Trechos que são como uma sala de espelhos, refletindo um pouco de pensamento, de alma.
Trechos de vida.