terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Barroco


O Barroco é um período literário que se caracteriza, principalmente, pelo dualismo. Contraste entre bem e mal, paz e conflito, claro e escuro, palavras e idéias, céu e terra, Deus e homem, enfim. No contexto histórico barroco, apresenta-se um homem dividido entre suas razões e emoções, duvidoso do que quer pra si mesmo e o que deve seguir. O Renascimento gerou um novo pensar, mais prático, racional. Não importava mais aquele apego à fé e às coisas de Deus, valia mesmo era o capital e o estímulo a uma racionalidade inquestionável. Mestres como Da Vinci, Rafael Sanzio e Michelangelo esclarecem de maneira clara isso com sua Arte, milimetricamente perfeita e valorizando o corpo e a mente.
Mas com o tempo, o homem foi ficando tão humano, tão humano, que sentiu a falta de Deus. Ou pelo menos a falta de sua crença, do acreditar em algo, da busca incessante por um objetivo maior, da fé. E foi exatamente essa "ausência divina" que o fez voltar novamente à sua postura de buscar Deus e se apegar à doutrina da Igreja. O homem barroco trazia em si o pensamento racionalista, herança do renascimento, e o coração barroco, mesclando fé e razão.
"Barroco" não é um nome criado simplesmente. O período sucessor ao Renascimento recebeu essa denominação devido a um conceito que representa bem as características deste estilo. Significa " pérola irregular" ou "pérola deformada" e representa de forma pejorativa a idéia de irregularidade, ondulações, detalhes. Riquezas e pormenores que revelam a beleza e a perfeição de algo naturalmente irregular. Encantador.
Entre idas e vindas, sigo eu no meu "barroquismo contemporâneo". Uma amiga muito querida voltou recentemente de Salvador dizendo que a cada igreja barroca que visitava, lembrava-se de mim. Eu sou uma mulher barroca. Sempre dividida entre meus pensamentos e atos, entre minha fé e convicções pessoais, entre meu racionalismo romântico e minha emoção fria e firme. Sei o que me faz bem, mas não sei se o que me faz bem é o que deveria de fato me fazer bem! Ás vezes penso que o que me faz bem é o que acaba por me fazer mal, na realidade. Mas o que me faz mal é um dos meus maiores bens...daqueles que não se abre mão tão facilmente.
Eu não sou cega, não sou tola. Eu tenho percepção das coisas, sei que nem tudo me convém, sei que algumas coisas não me são permitidas pelo meu bom senso. Talvez seja um mal senso, mas enfim. Há quem julgue essa conduta dualista como falta de personalidade, coisa de quem não sabe o quer. Inconstância. Fala que acredita numa coisa, mas faz outra. Diz-que-me-diz, faz-que-não-faz. Como se cada palavra pronunciada fosse um veredicto, um caminho sem volta. Não é assim, o jeito de pensar muda, a postura muda também, é consequência. Fé cada um tem a sua. Razão também! Ou por acaso existe uma crença mais certa do que a outra? Quem julga a maneira de pensar das pessoas são as próprias pessoas. Sendo assim, como afirmar que um está certo e o outro não? Com base na lei de quem se faz isso? A lei dos homens é falha; a Lei de Deus só Ele deve conhecer.
Só sei que no meu conflito de Fé e de Razão, as duas me deram uma bela rasteira e me derrubaram de surpresa. Se aliaram, só pra me sacanear. E só pra contrariar tudo e todos, é justamente a minha fé que vai ajudar a minha razão se manter firme no que ela acredita ser certo e valer a pena, independente de que querem as outras tantas razões e "fés" por aí.

E que assim seja, amém.

sábado, 1 de dezembro de 2007

Problema mundano, problema divino

Quanta coisa legal, que começa e termina e volta...


O interrogador
Julio Cortázar

Não pergunto pelas glórias nem pelas neves,
quero saber onde se vão juntando as andorinhas mortas,
para onde vão as caixas de fósforos usadas.
Por maior que seja o mundo
há os recortes de unhas, as bolas de pêlos,
os envelopes cansados,
os cílios que caem.
Para onde vai o nevoeiro, a borra do café,
os almanaques de outro tempo?

Pergunto pelo vazio que nos move;
nesses cemitérios, suponho
que cresce pouco a pouco o medo,
e que ali choca o Roca.¹

NOTA: 1- Pássaro mitológico, que aparece nos relatos de viagem de Marco Polo pelo oriente. Um pássaro muito forte, capaz de carregar um elefante com suas garras.

*Poema e nota retirados da Revista Coyote nº15, traduzido do espanhol por Cassiano Viana.


[...]Se para Kant a metafísica não é possível como ciência, ele não tem dúvida alguma de que os problemas que ela levanta são importantes e, inclusive, muito mais importantes que os da física. Se os corpos caem a 9,8 ou 9,9 metros por segundo nada muda, porém muda muito se existe ou não existe Deus, se existe ou não existe alma imaterial e imortal. Contudo, as questões colocadas pela metafísica não são para Kant unicamente relevantes, elas são necessárias; são questões a que a Razão não pode responder, e, no entanto, paradoxalmente, não pode deixar de se colocar. A Razão é basicamente a capacidade de procurar razões, ou seja, de buscar porquês. Nisto consiste sua tarefa própria e específica.[...]

Mário porta. A filosofia a partir de seus problemas. São Paulo: Edições Loyola, 2002. Página 117.




Cena de "Árido Movie", realmente instigante, sensível e pertubador. Com personagens, atores, e enredo, todos, por incrível que pareça, muito interessantes, todos um mundo à parte.


"Partindo do princípio de um bem - acessível, democrático, maior, comum - acho que devo publicar minhas idéias e teorias, mesmo as mais absurdas (de acordo com o que meu orgulho permitir), para que assim, mesmo que eu não evolua meus pensamentos, alguém possa evoluir os seus e compartilhá-los também. Até se, após algum tempo, eu sentir vergonha da minha ingenuidade e discordar das minhas idéias anteriores, afinal estamos aqui para buscar porquês e não para achar um e morrer."
Maria Clara A. M., 28/11/2007



quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Paulo Leminski


INVERNÁCULO

Esta língua não é minha,
qualquer um percebe.
Quem sabe maldigo mentiras,
vai ver que só minto verdades.
Assim me falo, eu, mínima,
quem sabe, eu sinto, mal sabe.
Esta não é minha língua.
A língua que eu falo trava
uma canção longínqua,
a voz, além, nem palavra.
O dialeto que se usa
à margem esquerda da frase,
eis a fala que me lusa,
eu, meio, eu dentro, eu, quase.

°

desastre de uma idéia
só o durante dura
aquilo que o dia adiante adia

estranhas formas assume a vida
quando eu como tudo que me convida
e coisa alguma me sacia

formas estranhas assume a fome
quando o dia é desordem
e meu sonho dorme

fome da china fome da índia
fome que ainda não tomou cor
essa fúria que quer
seja lá o que for

°

leite, leitura,
letras, literatura,
tudo o que passa,
tudo o que dura
tudo o que duramente passa
tudo o que passageiramente dura
tudo, tudo, tudo,
não passa de caricatura
de você, minha amargura
de ver que viver não tem cura

°

misto de tédio e mistério
meio dia / meio termo
incerto ver neste inverno
medo que a noite tem
que o dia acorde mais cedo
e seja eterno o amanhecer

°

nunca sei ao certo
se sou um menino de dúvidas
ou um homem de fé

certezas o vento leva
só dúvidas ficam de pé




Do livro O ex-estranho
Retirado do site Kamiquase


terça-feira, 20 de novembro de 2007

Scotland Yard

Caso 23 - O caso das tequilas envenenadas


Todos os anos acontece na cidade londrina um evento destinado ao público alternativo da região. A Cow´s Party é uma festa diferenciada por trazer sempre um tema específico, sugerindo uma vestimenta a caráter. O Halloween estava próximo e Karen Ió-ió, organizadora do evento, lançou o tema da Cow do ano: Elvira, queen of the Dark.

Chamilla Vioulet, Mary Huanna, Dialbert Camps e Galluci Albert eram presenças confirmadas na lista vip de Ió-ió, mas algo estava incomodando a organizadora. Dois dias antes ela soubera que Minxeh Liar, uma inimizade antiga, reconhecidamente caloteira e mal caráter, estava de volta à cidade, após uma temporada pela Europa, e provavelmente iria ao evento.

Chamilla não estava muito preocupada, apesar da má fama de Liar. Pensava mais em sua saúde, já que era diabética. Mary Huanna já pensava em fazer uma reportagem para a coluna social da cidade, mas pelas más condições de saúde, não estava muito animada para a festa. Dialbert e Galluci tiveram um desafeto com Minxeh Liar e queriam ignorá-la se encontrassem.

A Rainha das Trevas estava mesmo solta. Ao final da festa, Ió-Ió acionou imediatamente a Scotland Yard para averiguar os estranhos ocorridos na boate onde acontecera a festa. Fora encontrado um jovem em frente ao local do evento, desacordado. Relen Runt, estudante de pedagogia, encontrava-se dentro do banheiro da boate, trancada e com mal estar. Chamilla e Camps estavam em estranho estado de delírio nos sofás de entrada, sem forças e balbuciando dizeres indecifráveis. A diabética parecia ainda mais alucinada, com a sandália presa somente ao tornozelo e tendo crises de nervosismo, aos berros. O bar man fora questionado e recordara-se de ter vendido tequilas à noite toda para duas mulheres feias.

Holmes precisa descobrir: A) O causador dos atentados B) O motivo C) a substância contida nas tequilas



O jogo já começou!

Auxílio 0800

Pra ajudar não precisa de motivo
Ajuda-se, simplesmente.
E se cobrar o esforço depois, de nada valeu.

É, tem gente de todo o tipo.
Tem gente que faz por responsabilidade. Age porque a consciência exige;
Tem gente que faz por preocupação. Age porque tem sentimentos que insitam;
Tem gente que faz pra se aparecer. Age pra dar pinta de boa gente;
Tem gente que faz pra desaparecer. Age pra que ninguém perceba;
Tem gente que faz pra surpreender. Age por impulso;
Tem gente que faz, faz, faz e nada faz.
E tem gente que não faz.

Diga lá uma coisa: O cara vai e fala que te ama num dia. Três dias antes, deixou você passar mal num sofá de boate até que a sorte resolvesse que destino te daria.
Que tipo de "amor" é esse?
O duvidoso, talvez.

Diga-me lá outra coisa: A menina vai pra uma balada em outra cidade pra curtir a festa e um desconhecido passa mal. Ela não tem responsabilidade nenhuma para com ele, mas mesmo assim permanece ao seu lado até que a situação mude.
Por qual razão ela faz isso?
Não importa, deve-se apenas gratidão ao ato.

Diga-me lá mais uma coisa: A moça é sempre rodeada de muitas pessoas que se dizem amigos, mas na hora que mais precisa, eles se omitem. Resta-lhe uma pessoa, e algumas outras inesperadas aparecem.
Que lição se pode retirar?
Prova de amizade.

Se a moça e o rapaz foram envenenados, isso não se pode afirmar. Se foram sacaneados, isso sim.
Já não importa mais, é o de menos.
A Festa da "Elvira, rainha das Trevas" iluminou a visão que eu tinha de algumas coisas, pessoas. Alertou para outras.
Me fez perceber que falar, pouco significa. Mais vale mesmo é a atitude, demonstração de caráter, e isso varia de um para outro, surge em quem não se espera também.

Ela foi a melhor coisa da minha noite.
Eu fui a pior coisa da noite dela.
Desculpe.

Quero ser melhor da próxima vez, e não quero ninguém "under my umbrella".
Desde sempre, obrigada a você que, de tão Clara, me tirou daquele lugar escuro.

Alegres olhos tristes

Alegres olhos tristes
Alegres porque têm a simples capacidade de sonhar
Tristes porque não sabem que são fortes o suficiente para atingir o que querem

Os olhos tristes acham que significam pouco, quase nada
Acreditam que o gênio forte e decidido só serve para se desiludir e se frustrar com a vida
Mal sabem os lindos olhos tristes que é justamente essa personalidade firme que encanta os fracos que os conhecem

Os alegres olhos estão sempre a observar, alertas, atentos ao que precisar
Sabem que o simples ato de observação pode mudar uma situação, uma noite, uma vida
Os olhos alegres ficam de espreita, apenas aguardando uma deixa para participar do trocadilho e da piada
Mal sabem eles que de tão alegres, fazem os outros serem mais alegres ainda.

E quando os alegres olhos fogem e deixam os olhos tristes sozinhos
Alguma coisa acontece, se entristece
Vem o medo, a carência, a vontade de sumir
Vem a sensação de incapacidade, de desafeto, o desejo de desistir
Nada tem importância, Nada tem valor.

É bom que saiba

que quando os alegres olhos voltam
tudo parece ser mais interessante, mais inteligente, criativo.
E que se reconhece o quanto eles são queridos
Já provaram sua amizade, seu potencial de decisão e de cumplicidade
E isso jamais será esquecido e pra sempre retribuído

Só não chore por pensamentos vãos, alegres olhos
Deixe que os tristes partam de vez, sem volta
Mas se acaso não for possível e os olhos tristes voltarem
Que eles saibam que nunca estarão desamparados por esses tantos outros olhos que lhes gostam

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

ausente

quero dizer, não sei o que
quero lembrar, quero entender, quero sorrir
sorrir sem passar em branco
sorrir e subir até a vida

quero entrar
em mim
me prender à cada frase
à cada ato
me observar observando voar meus pensamentos
te observar se construindo

as palavras se cruzando, se olhando
flertando, fazendo amor e desencontro
me fazendo
descansando
sem motivo

quero me encher
só do que é bom
e que o que é bom tenha um pingo de mim

só queria estar menos vazia

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Crise dos 21

Primeiramente, quero me desculpar. Por fazer muitas vezes desse blog um diário, um confessionário. Sei bem que já se foram os dias em que a criança boba relatava a vida em páginas de um livro que de tão detalhista, chegava a ser cômico. Mas talvez esse seja um dos únicos espaços em que me encorajo a falar sobre o que sinto, para os outros e para mim mesma. E a cada post, fica um trechozinho da minha pobre, ò pobre, vida. E viva a marmota dramática.
Eu quero escrever sobre alguma coisa, mas não sei exatamente o quê. Quero. Mas o quê?! Sabe quando algo fica te incomodando, aquela coisa chata, perturbante? Aquele sujeito inconveniente que fica cutucando o seu ombro inúmeras vezes até que você o atenda? Aquela criança birrenta que puxa a blusa da mãe aos berros, até que ela o pegue no colo? Então, é mais ou menos por aí.
Hoje sinto como se as palavras fossem como a criança chorona me perturbando para que lhe atenda.Talvez isso aconteça como uma necessidade do meu corpo, exigindo expressar-se de alguma maneira. E como eu muitas vezes não compreendo, ele mesmo me perturba, até que eu coloque para fora o que tenho sentido. Sou assim, tem gente que consegue fazer segredo das próprias emoções, eu não. Eu tento, finjo, forjo caras e bocas para demonstrar uma outra realidade, uma que talvez não me aborreça tanto.
Eu não sou hipócrita. Não se trata de falsidade. Esse "forjar" é um mero desejo de criar um mundo mais cheio de brilho, de luzes, de encanto. Ora, enfeitar a vida não é crime. Se na maioria das vezes sorrio é uma tentativa de fazer as coisas melhores, o pessimismo me soa muito entediante.
Claro, ninguém consegue ficar bem sempre. Hoje, por exemplo. Agora. Choro, mas nem sei por que. Meu dia não foi ruim, momentos agradáveis com amigos aconteceram também, risadas e mais risadas. Não tenho de quê reclamar. O que acontece então?
Apenas sinto que preciso deixar que essas lágrimas tão impertinentes escorram de uma vez. São lágrimas de alívio, lágrimas de saudade, lágrimas de cansaço, de carência, de coragem. Eu preciso ser corajosa o suficiente pra chorar e encarar que minha realidade mudou, a minha e a dos outros.
Não sei se é algo bom, ruim, não gosto de classificações, comparações. O antes, o agora, o que era, o que é. Apenas permito que aconteça minha epifania e ela me conduza a alguma conclusão, me livre de minhas confusões. Mas nem sempre isso acontece.
Talvez esse seja o meu maior medo, aquilo que me leva a chorar e revelar minha fragilidade hoje. Esse conflito, essa visão turva de um futuro incerto e que eu insisto em tentar me convencer de que não me preocupo com ele. Mentira, quem não pensa no amanhã em momento algum é porque não se projeta em nada, não aspira a nada, não tem ambições, planos. Eu tenho, e muitos! Mas tudo anda tão obscuro que não sei onde vai parar, onde vou parar.
Dia desses, uma amiga muito querida casou. Casou assim, de supetão. Não estava nos planos dela, tenho certeza. Menina nova ainda, cheia de sonhos. De repente, a vida mudou completamente. Não que o casamento seja algo mal, mas tenho certeza de que muitos projetos pararam na assinatura de matrimônio no civil. Sei lá o que se passa na cabeça de alguém nessas horas, não quero descobrir tão cedo também.
Agora, ouvindo música e escrevendo, descubro que choro por essa amiga. Por lembrar de tantos momentos que vivenciamos e que jamais voltarão, hoje ela tem uma outra vida. Saudade dói demais.
Mas é bom observar também o quanto eu mudei. Sinto muita falta do que se passou, da menina que cantava nas missas e pregava nos grupos de oração. Talvez hoje eu esteja triste por não me desapegar de uma experiência muito rica, gratificante, que me valeu 5 anos. Tempo de crescimento, de fé, de conhecer gente que vai ficar pra sempre marcada. Pensar que as lições ficaram mas a vivência passou, me abala! E pensar que esse novo caminho que venho trilhando é encantador, instigante e inconstante, me abala mais ainda! Crise dos 21, acho. Eu não acreditava nisso, achava besteira. É besteira, idiotice! Mas acontece, de fato. Por ora, não sei pra onde seguir, que rumo tomar. Estou inquieta, queria emudecer, desaparecer da vista de algumas pessoas, ficar no meu cantinho, eu e Deus, como sempre foi, e deixar o tempo passar. As simples palavras daquela pessoa hoje me bastariam, uma carta, um email, um bilhete. O abraço da minha mãe hoje me bastaria. O canto e a gargalhada dessa amiga casada me bastaria. Uma música apenas hoje me bastaria, mas teria que ser aquela, a única que me faria sentir melhor. Como nada disso se tem essa noite, algumas lágrimas e palavras me bastam. E amanhã tudo volta a ficar bem.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

In certa /solução

Diremos todos que não. Se calhar, o certo mesmo não é de ninguém. E as palavras podem mudar seus significados, na dança da cadeira guiada pelo vento. Já são diferentes, podem ser irreconhecíveis.
Entendimento. Faça sua ponte. Pênsil e fixa.
Quer fixa, natural. O hábito naturaliza-se. A ponte se chama nexo. E as regras perigam te engolir.
Eu digo que não, e o resto
[importa, tu que é mais valente, importa]
crepitante se você disser também.
Comemos as regras com orégano e azeite. Um bom tempero vai fazer minha rejeição ao contrário.
Agora apodere-se. Se as coisas nascem e renascem elas são todas minhas e suas são todas do tempo.
Preocupe não, análise do discurso é, de fato, astrologia das palavras. Jujubas sortidas coloridas gelecas. Coma-as também.
Indigestão, ingira mais solução. Dilua. Com as árvores e o céu. As luas e as estrelas e o frescor da água e dos olhos.
Surpreendimento faltoso na despensa, é reversível doutor. A falta dos marcadores ortográficos é explosão (de fertilidade).
Arregale a boca, arreganhe os olhos, inspire a solução líquida que vem do alto.
Vai. Espalhando-se até
até esquecer o impossível.






quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Só pra atualizar

Só pra atualizar
eu quero postar
sobre uma coisa difícil de acreditar
diz-se espetacular
uma maneira de esbanjar
alegria e histórias para se gargalhar

Só para entreter
eu quero escrever
sobre um jovem que sonha em ser
um nobre jornalista e ter
a oportunidade rara de dizer
Eu sou Paulo Henrique Amorim e você está no Tudo a Ver

Só para rir
eu quero aqui exprimir
o real desejo de repartir
memórias de quem não quer se reprimir
E faz de tudo para conseguir
aquilo que faz a mente abrir e a imaginação fluir

Só para aqui expôr
eu quero agora propor
a idéia de uma música compor
contando todos os devaneios que sabemos de cor
O que talvez possa parecer um horror
mas não é nenhum Cross Keys pra nos causar pavor

Como não existe conjugação do ur
vamos logo fazer um happy "hur"
ou senão pode ser um tour
uma deliciosa maneira de com as palavras brincar
e assim eu quero postar
só pra atualizar

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Artigo indefinido, feminino, singular


Manual

Ela gosta daquele tipo de cara que anda meio torto sabe? Diferente de todo mundo, que anda meio imponente e ao mesmo tempo engraçado. Que tem características marcantes. Pode crer, escuta o que eu tô falando. Ela gosta do tipo de cara que ninguém gosta. Ou que inicialmente é o tipo de pessoa que chega e todo mundo nota. Mas nota negativamente. O cara que chama a atenção por ser estranho. É, com certeza. Gosta de caras com aparência de sujo. Com aparência de quem bate nela. E talvez atá bata. Casados? Só se largarem da mulher pra ficar com ela. Não, sexo quase nunca. Pois é. Enrustona. Mas é tática. Sei lá, eu nunca consegui. Mas deve ter alguma coisa, porque conheço uns 2 ou 3 que não esqueceram. Ela gosta de caras talentosos. É, tem que ter talento pra alguma coisa. Mas muito talento mesmo... pode ser pra qualquer coisa: sexo, música, letras, cantadas, esportes, dança, desenho, sinuca, artesanato, direção, fotografia, filosofia, geografia, até pra física, eu acho. E tem que ser feio. Mas aquele feio que todas as mulheres gostam. Não, pode ser bonito também. E tem que ser aquele bonito que todos os homens gostam. É, meio tiete né? Mas ela nem paparica não. Tiete que ninguém percebe.
Ah, o principal, tem que ser alguém que não goste dela. Ou que não aparente gostar. Só aparente de vez em quando. É, não pode dar bandeira. Pode sumir inicialmente. Mas nunca mais de 4 dias. Senão vai virar caso. E caso é foda, não pode ter ciúme e vai ter que dividir. Ah, nunca ligue todo dia. Se ligar sempre tem que brigar pelo menos alguns dias. É. Pra não enjoar. E tem que ter ciúme. Porque ela gosta de provocar ciúme. Mas não um ciúme doentio, porque aí ela te larga. Não, ela é simples. Quer dizer, ela diz que é simples. Eu acho ela complicada pra caralho. Mas não fala que eu falei não. Não, pode até falar. Ela vai fingir que não vai ficar bolada. Ah, isso é outra coisa importante. Ela finge que não fica bolada. Mas ela fica. Por qualquer coisa. Sei lá, ela lê uns livrinhos libertários e acha que tem que ser assim... um esqueminha " liberdade pra dentro da cabeça" ou " faça o que tu queres que há de ser tudo da lei ", "amor só dura em liberdade, o ciúme é só vaidade ", umas porras dessa. E é. Calma. Bom, aparentemente é, mas ela te joga na cara quando você estiver na merda que na verdade não é. Ela é ciumenta. Mas não aparenta. Ciumenta que ninguém nota. e se vinga. E você nota. Mas então, não fala que eu falei não, senão ela vai fazer discurso. É, ela discursa. Discursa bem. Dá vontade de interromper o discurso e comê-la. Pode até tentar. às vezes dá certo, mas tem que ser na hora certa. Você terá que perceber a importância que ela dá ao discurso. Não. Ela não é bonita. Quer dizer, é diferente, é meio charme. Ah, ela é bonita sim. Ela é linda. Mas se olhar muito ela fica feia. Não dá pra explicar. Ela gosta que falem que ela é bonita. Mas não muito senão ela não vai se interessar por você. Nunca fale de primeira. Ah, faça aquele esquema de fingir que não gosta e de vez em quando fale que ela é linda. É. Pra agradar, sabe? Ah, e cuidado com a cara de solidariedade dela. Se você elogiá-la e ela fizer cara de solidariedade, você se fudeu. É uma carinha assim com as sombrancelhas pra dentro e um sorrisinho de lábio. É sinal de que ela tem pena de você, e nem fudendo ela te dará um beijo. Não sei, quando ela tá gostando dá pra saber. Mas dá pra confundir também. É, linguagem corporal não funciona com ela. Já teve gente que se deu mal. E teve gente que deixou de se dar bem. Assim como? De malandro? É. Acho que sim. Mas depende. Tem vários tipos de malandro. Canalha bonzinho, sabe como é? É... acho que é esse o estilo. Ela? Sei lá... Uma porra louca dessas aí.
Pode deixar... qualquer dia eu te apresento.

Expectativas.

Eu não sou quem você quer. Embora eu saiba que quem você quer, é exatamente como sou.
E o que eu sou não passa de máscara,
de mágoa.


Ana Cecilia

mais textos da Ana:

indefinida.blogspot.com


quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Curtas

Todo mundo beleza

O Bar David Boa Club está mesmo uma beleza. Conta agora com atrações interessantíssimas de gogogay boys cheios de saúde e esbanjando muita fofura e sensualidade. Vestidos em sunguinhas vermelhas e com aquela barbinha malandra por fazer, eles são colocadíssimos! A diversão fica por conta do streap tease, que é repetido quantas vezes for necessário. Depende de quantas vodkas se bebe antes. Tem gente que não aguenta tanta emoção e dorme no canto do bar.
Quero um gogordinho boy ponto
E na palma da mão?!


Páginas da Vida

O diário de uma nerd tarada causa diversão e surpresa a quem precisar. A relíquia traz histórias de uma criança doente, insana e profundamente detalhista, que descrevia com minúcia aspectos sócio-esportivo-reigiosos da época. A garota narra histórias de sedução aos 11 anos de idade, além transcrever todos os resultados de todos os jogos de todos os campeonatos dos quais seu time do coração, Palmeiras, participava. Suspeita-se de que exista algum tipo de parentesco entre a estranha garota e Diogo Mainardi, já que ela, declara-se claramente defensora da Rede Globo, da Revista Veja e do Padre Marcelo Rossi.

"[...]ficamos papeando na frente do shopping. O mais legal é que eu e a Mê fomos super paqueradas! Teve até um cara de óculos escuro que estava me olhando e eu não percebi e cruzei as pernas e passei a mão sobre a coxa assim, num ato bem sexy, mas fiz isso tudo sem perceber que ele estava me olhando. Quando eu vi, o rapaz estava de boca aberta e levantando os óculos para me ver melhor!" *

*É de causar excitamento em qualquer um, não? A garota tinha 12 anos, pô!

"[...] assisti ao último capítulo de Hilda Furacão (não é a toa que a Rede Globo é a líder de audiência, todas as revistas que falavam sobre o final da série documentavam que o Malthus iria seguir a carreira religiosa e que Hilda iria viver numa fazendo, tudo porque iriam se desencontrar quando fossem fugir juntos, e eles não iriam ficar juntos. Eles se desencontraram mesmo, mas Malthus por um motivo foi preso e Hilda foi ao Rio. Depois que Malthus saiu da prisão ele foi ao Rio e os pombinhos se encontraram de novo e ficaram juntos, chorei de alegria!) Vou dormir hiperfeliz!" **

**Globo e você, tudo a ver.

"[...]comprei o CD do Padre Marcelo Rossi (nunca falei dele, mas ele é um padre que está revolucionando a Igreja Católica. Ele rezava a missa numa igreja normal e o nº de pessoas que assistiam à missa dele foi crescendo e a igreja ficou pequena, então mudou para um lugar maior, ficou pequeno, mudou-se novamente para outro lugar, desta vez um pavilhão com 25 mil m² e ele leva 70 mil pessoas para as suas missas! Até excursões argentinas já vão para o santuário. Imagine que o pavilhão lota e ainda ficam no mínimo 15 mil pessoas do lado de fora! Também, pudera, o padre, que é corinthiano, é uma pessoa ótima.)***

***Atente-se ao detalhe de que tudo isso era apenas um parênteses.
> Para quem esta pequena insana está contando essa história toda?
> Veja a riqueza de detalhes em números e estatísticas!
> Que vocabulário é esse, meu Deus? "Também, pudera"?! Que criança escreveria algo com esse linguajar... ô dó.
> Mas que que tem o padre ser corinthiano?


Nova novela

Manoel Carlos que se cuide. Vem aí, A decisão de Clarinha. Esperemos que ela não venha acompanhada do fantasma da Nanda e seja repleta de femilinidade.


Ética

É só nos bares de Londrina mesmo. O garçom serve a porção de batatas ao óleo e espera o cliente comer a primeira. Em seguida, serve-se também. Afinal, servir-se antes da clientela seria falta de ética, não é? E se você gosta de uvas passas, cuidado. Elas também podem desaparecer do seu prato quando o garçom vier atendê-lo.


Dicas

A Pousada Bichelenga oferece as melhores acomodações para você que busca ver o arco-íris de uma posição bem colocada. Se a sua opção é por uma vida mais alternativa e natural, fique esperto: o Hotel Asalém ou a Pousada Suarão não cheiram nada bem. Consulte o Guia 4 Rodas e boa diversão!

Acelerado

Ele acompanhou os outros dois camaradas, queria participar do crime. Não como parte atuante, mas ser cúmplice naquele momento lhe trazia uma sensação absolutamente tentadora. Era um misto de medo, um pânico estimulante, adrenalina e ousadia, um sabor amargo, entorpecente, que adormecia e acelerava.
Entraram na última e apertada divisória do banheiro. O suor corria pela testa e o calor parecia três vezes mais intenso do que de fato era. O coração disparado, as mãos trêmulas. Nunca havia feito nada parecido. Ao contrário, ele sempre condenara tais práticas. E de uma certa forma não tinha mudado a maneira de pensar, continuava acreditando que aquilo não parecia certo, que era agressivo, criminoso. Não se tratava somente de uma culpa cristã ou valores sociais impostos ao longo de sua vida toda, mas era uma questão de conceitos pessoais mesmo, de esclarecimento, conhecimento - ainda que somente teórico. Mas havia um problema: ele sempre fora empírico demais, e a experiência valia-lhe muito.
Ali, a oportunidade da vivência e do momento lhe sorriam e cobiçavam-no. Os dois amigos agacharam sobre a tampa do vaso e depositaram a areia fina e branca com cuidado. Como farinha, leve e suave, espalhava-se por sobre a superfície. Ele observava, segurando a porta. Os olhos brilhavam. Ouvia as batidas frenéticas que vinham das caixas de som da festa, onde as pessoas dançavam enlouquecidas e corriam de um lado para o outro. E bebiam, e cantavam, e beijavam, e fumavam, e dançavam mais. Tudo num ritmo alucinante embalado pelos djs e pelos espetáculos de luz e música que aconteciam numa noite em que as estrelas brilhavam mais forte do que em qualquer outra.
Lá dentro, tudo pronto, alinhado. Uma nota de dez reais foi o canal. Primeiro um camarada, depois o outro... e logo chegaria a sua vez. Sentia o corpo arrepiar de medo e vontade. Teria coragem? Como um espião, um intruso, refém da situação em que vivia, ele buscava um olhar criterioso, como de quem vê as coisas de fora. Mas não adiantava, ele já estava envolvido, não podia voltar atrás.
Precisavam ser breves. Ao redor, podia-se escutar as reclamações de quem precisava usar o banheiro, os comentários ríspidos e apurados, a conversa dos seguranças que a todo momento rondavam por ali. Apesar de tudo ter de ser muito rápido, os minutos lhe pareceram lentos e era como se o tempo quisesse parar por um instante. Como se estivesse assistindo a um filme, projetou o que via para um mundo imaginário, uma ficção como tantas outras que já vira. Lembrou-se dos longas que já tinha assistido a respeito, os documentários. Pensou nas conversas, palestras, aulas. Refletiu até mesmo sobre suas próprias condições, comportamentos, sobre filosofia e religião. O que estava fazendo ali? O que queria com aquilo? Seria bom? O que pensariam dele? E se fosse pego, descoberto? Questionamentos e mais questionamentos que de um certo modo o perturbavam. Um cotucão lhe voltou a atenção para a realidade, que de tão alucinada parecia ser fantasia:
_Vai aí?
A pergunta lhe incomodou, não sabia o que responder. O amigo estendia a nota de dez reais, como na expectativa. Frio na barriga. Sentiu o sangue ferver pelas veias, o rosto fumegando, corado, quente. Correu um sorriso tímido e nervoso no canto da boca:
_Estou de boa. Agora não.
Alguma coisa lhe paralizou. Não era medo, não se tratava desse tipo de covardia. Não era preconceito nem excesso de zelo. Não foi a reputação que lhe pesou nem falta de vontade ou curiosidade. Foi algo maior, uma sensação que não soube explicar. Era como se o olhar do amigo tivesse o inibido, sentiu algo estranho. Não, não era o momento. Talvez mais tarde, a festa estava só começando e com certeza a noite teria muito a revelar. E assim ele queria ficar por longas horas. Acelerado.

O dia da Independência

O 7 de setembro é comemorado nacionalmente por marcar uma importante data da história brasileira. A independência é comemorada entre desfiles, paradas e homenagens patrióticas por todo o país. Ainda que se trate somente de uma independência política e não econômica, é independência. Quem nunca quis ao menos uma vez na vida ser independente? Livre de qualquer coisa que cause o mínimo incômodo ou aprisionamento? Ser liberto das pressões do dia-a-dia, do desconforto econômico, do zelo excessivo familiar (eufemismo para pegação no pé), de um sentimento que nos faz mal, livre de tarefas chatas, livre de pessoas que de alguma forma exercem alguma liderança sobre nós e nos intimidam, livre de doenças (gases aprisionam, descobri isso com duas amigas que sofrem desse mal. Acho que ela querem ser independentes dos gases), enfim. Ser independente. Um sonho de muitos, concretização de poucos.
Eu mesma por muitas vezes quis ser independente. Ainda quero, uma boa briga em família sempre reaviva meu desejo. Cobranças de pai e mãe também são ótimos estimulantes. É só rolar um barraco que logo quero pegar minhas malinhas e ir embora para o primeiro hotel que encontrar. Claro, um que me abrigue bem, tenha televisão, cama confortável e um bom café da manhã. Regalias a que estou acostumada no meu lar doce lar. Mas quando me vem o desejo de independência e junto com ele todo esse pacote de mimos desnecessários, lembro que o sonho duraria apenas uma noite...duas, no máximo. Afinal, pra se ter essa independência social, necessita-se da financeira também. Mas este já é um outro fator que não vale a pena ser explorado agora, pois entraríamos em outros méritos, bem mais profundos, suponho. Sempre chego a conclusão de que só quero ser independente enquanto não o sou. Se o fosse, talvez não quisesse sair de casa e etc. Basta observar como fazem os amigos que optaram por isso. As dificuldades não se restringem ao aspecto financeiro, mas tangem principalmente ao lado afetivo-emocional. Ok, não desviemos o assunto.
Neste ano tive também meu dia da independência. O feriado se fez diferente pra mim uma ez que me as pessoas decidiram me fazer livre. Livre de hipocrisias, livre de mentiras, de histórias inventadas, aumentadas, de calúnias, de julgamentos, fofocas. Ser alvo de coisas desse tipo sempre ferem. Mas fizeram o favor de jogar-me na cara algumas coisas e ter de decidir, optar por um caminho. Não era o que eu queria, eu estava bem. Então, decidiram por mim. Não acredito que tenha sido a melhor escolha, os caminhos que eu trilho só Deus e eu posso julgar. E se Ele não me condena, que dirá um reles mortal e pecador assim como eu.
O fruto da escolha de uma outra pessoa refletiu na minha vida, e é difícil aceitar e conceber isso. Conformar-se. Tiraram de mim uma das coisas mais preciosas que tinha, que me trazia paz, que me trazia alívio, o que me era gratificante. Levaram de mim sonhos, amores. Não é maneira de falar, eu construí uma vida por mais de cinco anos e retiraram o valor que havia sido conferido a aquilo tudo. Mas tudo bem, acham que é certo, que é preferível me ver afastada do que fazendo algo bom para outras pessoas. Amém para eles. A vida vai seguir seu rumo e tudo tem o seu lugar. Perde-se algumas coisas para se encontrar outras. Faz parte do processo e ninguém dirá que eu não amei, que não fiz a minha parte, que eu abandonei aquilo a que sempre me dediquei. Eu vou seguir com meus conceitos, com meu brilho, com meus pensamentos, com minhas retas intenções. E com a minha independência agora, o que faz toda a diferença. E o feriado foi comemorado em grandicíssimo estilo, não se pode contestar. Maringá que o diga.

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Pagar à vista

Na encolhida contra o frio dá pra ver sua pele feia. Uma musculatura mole, amorfa, opaca, irregular. Ela até agradece, essa vista é só dela.
Mantenha-me em minha redoma, amén!
Ela pede pra não se aproximarem. Mas dizem que ela é instruída, alguns dizem até que usufrui de privilegiada compreensão das coisas. As coisas. A sua sensatez é para ela algo digno de seu próprio orgulho. É uma sensatez ainda verde, passando pra amarela. Julga, erra, comete equívocos, vai fundo nas avaliações feitas sem fundamento, que se deixam levar por invejas e ódios, nos apontamentos desnecessários, no costume de se averbar sem se dar conta. No arrependimento ao passo que pronuncia seus infames vereditos. Um suspiro. Contento, percebeu a cagada repetida, discorda das palavras, das linhas de pensamento, e quer a borracha.
Não, não, por favor, eu não queria ser rude, a minha intenção não era essa, não sei me expressar, isso não sou eu, acredite. Talvez seja melhor eu não tentar novamente, não tenho nada a declarar sobre isso. Nego e não devo, estou pagando à vista - e como é agradável poder fazê-lo.
Se todas as vezes conseguisse executar o que a consciência grita, com certeza pesaria menos. Não é o caso. Ela se contenta com as barreiras vencidas em alguma porcentagem de tais atos frequentes. Por isso, também, engordou. E isto a preocupa, claro que muito mais quando fica algum período sem ler, e a gordura corpórea pode ter espaço em sua atenção. Lendo se encanta tanto, que nesse momento pretende comer livros, não pular um diazinho sem os saudar. Balela. Quase sempre cumpre suas promessas, a não ser que tenham sido feitas a alguém descrente, a ela mesma.
Ah, mas se souberam disso, cortaram matagal tão denso, chegam ao paraíso e querem o asfalto? Ai, a hipocrisia, saia daqui seu câncer! A minha bunda tem que ser dura e dourada, você sabe quanto tempo eu gastarei em ofício que só serve o fim? Muito tempo, com certeza. E mais, se eu me esforço pra ter a beleza perfeita, firo certos princípios. Não que eles sejam princípios desleixados, mas... eu não quis dizer princípios, são prioridades. Isso! A vida é curta rapaz. Também me satisfaço vendo belas bundas, só que tendo a noção de que minhas escolhas seguem outros rumos, me sinto pouco a vontade esculturando uma matéria bruta e detalhada. Aquela culpa cristã que, pra um não-cristão é bem forte, aterroriza por ser verdadeira também acaba comigo. Uma deprê fudida!
O fato é que olha a banha, e como qualquer humano contemporâneo, se desanima.
Ele a observa com olhos de gato carinhoso e acuado. A ausência dela traz uma boca torta, com um ar de desdém. É bonito para ela, processa essa visão e secretamente se alegra. Lembra de seu corpo ao espelho, parece aceitável. Ele anda à sua frente, sai sem dar tchau, não é caloroso. É amigável com todos. Seu corpo ao espelho, terror da pior espécie.
Desiste da perfeição, e do espelho por alguns instantes. A eternidade com frases sem-sentido-explicativas brotando de seus lábios parece tão mais legal.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

...

Era pra eu postar um texto, mas eu estou com muito sono e não aprovei o que eu escrevi.

Pros tolos, principalmente pra tolas:

A Dona da História - Cena do filme, aliás, cortada antes do que seria bom.

clique aqui

sábado, 25 de agosto de 2007

Eu sou uma belíssima merda seca e pisoteada

se um dia escreveres algo mais poético, me mato

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Uma coisa é certa

A escolha certa aqueles pés na bunda alheia
Ai, que descabelação! Ó que tortura ter que decidir!
Oh Johnny, oh Mary!
Você doeu, de tanta chatice!
Desciiiiiiiii, ... me afoguei na lama da incerteza, do medo, da pena (!) de você, claro
mas quem merecia pena era eu
ou um pouco de compreensão, ou um surto psicótico violento
hahahahaha
e tudo que é tão dramático dá vontade de rir
você me faz rir, quando não é de sua graça é de nervoso e de raiva
tudo que não muda me dá ódio
todos que não mudam, eu me mudo

insuportável acordar de manhã, entrar naquela sala, ouvir sobre a movimentação das massas de ar!?
você não sabe o quanto vale cinco minutos na vida!
pernas, pernas, sombras, árvores, coração na boca
eu vou!
está decidido, sem choro nem vela nem fita amarela gravada com o nome de ninguém
principalmente o meu haha
ou sim?
agora faz um tempo, e me sinto mais viva do que quando saí correndo daquela sala monótona
acho que não foi a minha sentença de morte

eu não pensava em nada, se quer saber
ser à toa é quase meu sobrenome
vou passar num cartório quando arranjar um mais
(elegante, útil, inteligente, bonito, amável, decente)
honesto!
um tempão sem destino e sem casa
até que a hostilidade me infernizou

a Feiurinha no meio da roda, enquanto as bruxas riem gostosa e maldosamente
A Feiurinha é tão ruim que não se impõe, a pobre não sabe atuar
eu estava num seriado imbecil americano sobre informações top secret
informações que justo eu sabia, mas nunca poderia revelar
eu fazia parte delas, eu não tinha medo delas
eu não perderia minha decência para me vingar de falidos
mais fortes que eu
me rindo por estar de mãos atadas, uma derrotada, um projeto de gente
mas
ó, eu ainda acho que deveriam ser mais caprichosos
e deixar o ensaio de lado, e entrar logo em cena, com segurança!
a frustração alheia despejada sobre mim é sempre agressiva

O meu maior medo
escolher
escolher deve ser definir, pelo menos teoricamente
e definir é incluir tudo o que é e jogar fora tudo o que não é
mas nada se perde, nada se cria
tudo se transforma

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Eu e ela, Encantadas!

A noite fez-se inigualavel, com coisas tão simples, tão comuns, mas estimulantes. É como um vício que consome e faz querer mais. Mais, mais, mais!

Agora escrevo e talvez eu nem saiba pra quê nem o quê, mas o importante é expressar, extrapolar! Dessa vez, danem-se os erros de português. Por uma noite, que seja esquecida a gramática, a cautela, o comportamento comportado, o juízo e o equilíbrio. Eu não os perdi, mas é como se por um momento eu tenha permitido que eles caissem no esquecimento e no mundo da minha mente insana e irreal.

Uma meia cheirando vinho! Que coisa mais idiota! Quero repetir o idiota muitas vezes. Não foi só o cheiro de vinho que me consumiu, mas os respingos, a deliciosa desorganização, a mistura de cheiros, comidas e bebidas. Foi a conversa, a companhia, o filme, a atração pelo inatingível, os planos, sonhos, projetos que precisam se realizar! Fui além, num mundo que queria que existisse, um lugar que de tão imaginário pareceu perfeitamente real pra mim. Só posso querer mais.

Madonna canta Erotic agora e é como se estivesse aqui, tamanha a minha sensibilidade. Me faz querer tantas coisas! Coisas que talvez esse não seja o espaço ideal para serem reveladas, mas que obviamente ficam subentendidas e margeiam os pensamentos de quem lê esses posts, lê e se deixa mergulhar num mar de ilusões, sonhos, fantasia que as palvras sempre nos remetem e nos permitem chegar. Por isso eu gosto tanto delas, tenho paixão, veneração! Escrever, escrever, postar, postar! Nem que seja somente para eu ler, para poder reviver tudo o que um dia eu tive a oportunidade de conhecer e sentir.

Momentos únicos, raros. Mas que poderiam ser mais frequentes. Será que tudo isso é bom? De acordo com a uma amiga muito companheira e filósofa, é bom aquilo que nos faz feliz. De acordo com uma outra velha e fiel, mas muito conservadora colega, nem tudo que nos deixa alegres representa uma felicidade verdadeira. É tudo muito confuso, mas a Madonna está gritando aqui em meus ouvidos: Time goes by so slowly!
Passa devagar sim... mas assim é que é bom. Aos poucos, e eu aproveitando cada momento da melhor maneira possivel.

Não importa hoje pra mim o que dizem, o que pensam, o que comentam. Acho que falam que eu tenho hábitos estranhos. Sinto isso. Mas, e daí?! Eu tenho minha consciencia limpa e livre. Deixa que falem, deixa que queiram que eu seja como eles querem!
Eu quero mais é viajar com quem me faz bem.
Encantadas. É assim que ficaremos.
Então enrolei mais dois. No meio do segundo, a coisa começou, uma impressão de flutuar, de ser arrancado da terra, a alegria e o triunfo de um homem sobre o espaço, a extraordinária sensação de poder. Ri e traguei de novo. Ela estava lá deitada, o langor frio da noite anterior em seu rosto, a paixão cínica. Mas eu estava além do quarto, além dos limites da minha carne, flutuando numa terra de luas brilhantes e estrelas cintilantes. Era invencível. Não era eu mesmo, nunca fora aquele sujeito com sua felicidade sinistra, sua estranha bravura. Uma lâmpada na mesa ao meu lado, apanhei-a, examinei-a e a deixei cair no chão. Quebrou-se em muitos pedaços. Eu ri. Ela ouviu o barulho, viu os cacos e riu também.
- Qual é a graça? - falei.
Ela riu de novo.

Pergunte ao pó - John Fante, pgs. 178, 179

Qual é a graça? - perguntei, esperando a resposta do mais corajoso e sincero.

alegria, alegria!

E a vida é boa eu pergunto
ela é ela pode ser
ela sempre pode ser
o que me faz feliz nunca é errado, o que é errado não existe
eu não tenho culpa nisso
porque isso, meu caro amigo, isso você também pode ter
é só amar
amar a sua única e valiosa vida

e eu crio eu recrio invento formulo
formulo não
não há tempo para formulações
que gravata sensacional olha os detalhes da gravata, que combinações de coress
as margaridas de amores com jasmim, é um jardim suspenso dependurado no pescoço de um homem simpático e feliz
com aquela gravata qualquer homem feio vira príncipe
ele é o rei, ah é o rei
quero ver ficares triste com este suingue malandro e conquistador
pois eu vi um filme, um filme bom, com alguém apaixonante
diria mais, é difícil ser atrante como ele é para mim
tem uns dias que eu acordo pensando e querendo saber
de onde vem o nosso impulso de sondar o espaço
mas é algo mesmo impensável
e que se pode voar sozinho até as estrelas ou antes dos tempos conhecidos
vieram os deuses de outras galáxias ou de um planeta de possiblidades impossíveis e de pensar
que não somos os primeiros seres terretres
errare humanun est!!

você tem seus dedos anestesiados?
você pode ver que bela imagem?
nem deuses nem astronautas
puxa como é leve não dever explicações por pensamentos densos, e profundos
os pensamentos não me dominam
podes crer
tudo é meu e eu sou tudo, mas nada me possui

domingo, 12 de agosto de 2007

De um terno tango

Atravessando a Higienópolis. Um belo tango, tão triste e lindo, como o rosto esperando o amor que não existe.
Uma alegria profusa e calma, em uma noite agradável ao tato e à visão. Mas à liberdade, à independência, à plena noção do caminho e do destino. Plena que se desmancha, não há certezas. Bom! Isto não deve ser de todo mal... a não ser quando estou no meu fusca-marido-irmão-pai com filmes que queria ver, e uma rota elaborada e uma noite já certa. Pois o domingo vazio é pior do que qualquer outro vazio, ele é certeiro.
Vou à farmácia, compro meu remédio, ao posto, e ao supermercado - comprar sonhos. Parece bem mais que regular. Em casa, uma lasanha, um vinho, uma pipoca, não sei, que seja algo prazeroso ao paladar.
Para o lado direito, são carros, divertindo seus passageiros vazios no domingo cheio. Nem percebo, é assim todos os dias, mas eles continuam vazios.
O sinal se fecha, e olho para a direita, de costas uma sombra estranha. O carro ainda está em movimento, tenho que manter a atenção à minha frente. Observo melhor, antes parecia um anão. Eram calças largas e caídas, uma blusa velha e arregaçada como um pano torcido e esticado. O sinal abre, tenho que andar, tentando olhar para trás e adivinhar seu rosto, sua figura. A tristeza do tango torna-se mais. Fica uma cena de doçura doída, com o fundo de uma culpa da minha idade. Cambaleando entre parar onde estou e seguir adiante a mesma mediocridade dos pobres carros, donos de babacas. Ou dos pobres donos de carros babacas, pobres babacas que seus carros são seus donos.
Meu coração não é tão sujo, não devo fazer comparações.
Sigo, tendo esquecido de parar na farmácia, e o supermercado, subversor filho da puta, está fechado. Ainda há esperança de que seu vinho me embebede e faça esquecer da triste figura, nobre pois, acompanhada por meu tango. Surpresa e decepcionada, pensando em outra solução pra se livrar do semblante que a tristeza agridoce do tango e sua figura deixaram. Na garagem, o carro tosse. Tosse, tosse, já te conheço muito bem senhor. É a gasolina. Agora fique mal estacionado, fico eu à espera de que o filme me alente, e me alerte. Que alguém me alegre.

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Anúncio

PROCURO NAMORADA
Meu nome é Ronaldo R. Godoi, sou solteiro, tenho 34 anos, meço 1,70 metros de altura, peso 80kg, não fumo, sou formado em licenciatura em Física e no meu trabalho opero computadores e presto assistencia em sistemas. Quero namorar e casar. Eu não conheço você, não sei seu nome, nem sequer como você é, mas eu sinto que falta uma parte de mim e você tem que completá-la. Como não sou alto, embora minha altura seja normal, eu quero conhecer alguém que tenha altura de aproximados 1,50 metros ou seja menor que 1.65 metros. Escreva para mim: caixa postal 00307, Londrina-PR, CEP 86001-970. Na carta você pode mandar foto ou dizer o nome, a altura, idade, peso, escolariedade. Vamos nos encontrar no dia 12/08/07, às 16h30min, para conversar e ouvir música na Av. Higienópolis, 437, no Pastel Mel - Londrina. Estarei te esperando de terno preto e com duas alianças de prata na mão direita, quando nós concordarmos em namorar, eu lhe entrego a sua. Gostaria de dizer que só eu posso falar em meu nome, até logo!!!


Este foi um anúncio publicado na Folha de Londrina do último domingo, 05/08, para convocar as interessadas de plantão num homem que solteiro procura. Como se pode ver, trata-se de um sujeito distinto, ainda jovem (no auge de sua disposição sexual), altura mediana - e, como ele mesmo se refere depois, "normal" (talvez existam muitas alturas anormais, excepecionais, de fato), físico (observa-se então de que se trata mesmo da pessoa exata, mas cuidado: ele pode ser calculista) e um rapaz de nobres valores: pra casar. As alianças ele já tem. Pressa e desespero também, ao que me parece.
A data referida é ótima, bem romântica. Dia 12/08, um domingo no meio da tarde. Para você que estará num churrascão em família, assistindo futebol com os amigos ou indo para o shopping encarar Londrina e a região inteira perambulando pelo Catuaí e tentando estacionar no Carrefour, será incrível interromper a programação para comer um pastelzinho com o homem de seus sonhos - com música ao fundo, atente-se ao detalhe. Quem sabe seja Tim Maia e Gal cantando "Como um dia de Domingo". Apropriado, eu diria.

Você tem problemas afetivos? Carências sexuais? Vontades reprimidas? Você está cansado de beijar o primeiro tribufu que aparece porque ninguém te quiere? Morre de medo de ficar para a titia? Anda tão desesperada que já começou a se interessar por habitantes crosísticos, jotísticos e friendísticos?! Pois seus problemas acabaram! O nobre colega acima relacionado está disposto a resolver esse tipo de problema. Não tem erro, é grátis e necessita de apenas uma consulta. Para os que já juntaram suas escovas de dente, uma boa pedida é assistir ao Domingão, com atrações divertidíssimas como "Sirislene" Stefanelli (sex symbol da festa do Milho) e o Circo do Faustão.

Hai Kai

Um gosto de amora
Comida com sol. A vida
chamava-se Agora


(Infância - Guilherme de Almeida)


É de impressionar tamanho brilhantismo do Hai Kai. Este é um estilo japonês de escrita que se utiliza de certas características bastante peculiares. Constitui o Hai Kai os poemas cujos versos tenham no máximo sete sílabas poéticas e as rimas sejam dispostas horizontal e verticalmente. Além de curtos, devem obrigatoriamente remeter a uma estação do ano e trabalhar não apenas significados mas também significantes. É de um requinte extremo.
Mas maior ainda é a minha admiração pelo aspecto interpretativo dos Hai Kai. Mais do que a técnica minuciosa com que são escritos, chama-me a atenção o sentido que trazem, a idéia, o pensamento tão amplo dentro de poucos e curtos versos.
Este acima, Infância. Três versos, onze palavras. Um significado rico e tão abrangente que nos remete a inúmeras respostas. Falar de infância sempre nos suscita imagens, resgata memórias, relembra histórias, confere valores. Eu mesma me sinto saudosa desta época, e nem faz tanto tempo! Saudosa de quando descrevia meu dia nas páginas de diários que julgava secretíssimos. Coisas de criança, mas que pra mim eram sigilosas como as coisas de adultos. Tempo em que subia na pitangueira do colégio, em que criava brincadeiras, quando comia trevos. Sim, eu comia. Fazia sopa deles, e ainda gostava. Tempo em que queria ser "grande" e me realizava passeando só com as amigas no shopping aos sábados à noite. Tempo em que brincava de verdade ou consequência sem malícia alguma, achando que era malandra. Você acha que eu tenho cara de malandra?! Bobagem, deixemos de lado isso. Tanta coisa que deixa saudade. O bolo de cenoura com cobertura de chocolate, o joelho ralado, o beijo carinhoso da mãe antes de dormir.
_A bênção, mãe.
_Deus te abençõe, filha.
Parece uma realidade distante das pessoas hoje, mas trazia algo especial, uma relação de intimidade, cara de família mesmo. Com o tempo meus pais deixaram de ir ao meu quarto dar especial beijo de "boa noite", mas eu passei a ir até eles. Hoje poucas vezes isso acontece e eu sinto falta, sem receios de admitir. Os compromissos do dia-a-dia vão tomando o espaço daquilo que realmente importa. Ontem voltei do trabalho tarde, cansada, era noite já. Minha mãe veio me receber calorosa, me abraçou feliz.
_Quase te liguei hoje, filha, só pra dizer que te amo, de tanta saudade! Mas não quis incomodar seu trabalho.
Adoraria o incômodo.
As paqueras, os bilhetinhos em sala de aula, as cabaninhas feitas com lençol no meio da sala, os kinder ovo de 1 real, o chocolate Surpresa com desenhos de bichinhos, a tigela de sucrilhos com leite, as roupas e cabelos ridículos que as mães insistiam em nos fazer usar, os gibis da turma da mônica, es episódios de Jaspion e Power Rangers, Ursinhos Carinhosos e o Xou da Xuxa com o Praga e o Dengue.
Doce inocência. Doce como o gosto de amora madura, bem roxa, depois de ter passado por outras tantas cores. O sol faz com que uma infrutecência tão pequena transforme-se gradativamente, passando do branco ao verde, do verde ao rosa, do rosa ao vermelho, do vermelho ao roxo e do roxo ao preto. Comida com sol. Bom é saber que existem estímulos que também nos transformam e nos amadurecem com o tempo. Ser criança sempre não deve ser tão bom assim. Levar puxão de orelha, ficar de castigo, usar gel no cabelo, ter tarefa de escola todos os dias e comer salada sempre que mandam... Para cada tempo, sua conveniência.
Hoje convém escrever, aprender, experimentar, sentir, conhecer, renovar, esquecer. Convém decidir. Não, talvez isso ainda não convenha.
Hoje, convém ser eu, simplesmente eu. Com meus medos e erros, limites e desejos. E isso eu não posso deixar para viver depois.
A vida chama-se Agora.

sexta-feira, 27 de julho de 2007

O incerto dia do Rock


Vou colocar algo que havia postado no dia 14 de junho, confundindo o dia em que é comemorado o Rock'n'roll. Dia 13 de JULHO é considerado o dia do Rock, e por sinal tinha tudo pra neste ano causar muitas festas, porque caiu em uma sexta-feira. Imagine, esses fatos combinados (dia do rock-13-sexta) e não fiquei sabendo de NADA que pudesse homenagear, ou pegar essa idéia nascida sem dono e criativa por si só, e transformar em algo no mínimo interessante. Foi bastante frustrante aliás essa sexta-feira... Além disso era início do Pan, e mesmo estando bem longe do Rio, sei lá... pensei que pudessem aproveitar essa oportunidade rara, não sei fazendo o quê, mas o fato é que esperava muito, e por fim, levei os canos, nem pra ver o mesmo pessoal nos mesmos bares, nem isso. haha Um assunto bem passado do ponto, duas semanas de atraso exatamente, mas isso aqui não é um jornal! Ainda bem!
Se Maomé não vai a montanha, ela permanece lá e ele pensa que foi bom descansar as pernas.
Mas eu homenageio a Rita, afinal...
E os Beatles pra dar um upgrade digno a esta postagem! (A Rita iria gostar também!)

With a little help from my friends
Beatles
What would you do if I sang out of tune,
Would you stand up and walk out on me.
Lend me your ears and I'll sing you a song,
And I'll try not to sing out of key.

Oh I get by with a little help from my friends,
hm I get high with a little help from my friends,

hm Gonna try with a little help from my friends.


What do I do when my love is away.

(Does it worry you to be alone)

How do I feel by the end of the day
(Are you sad because you're on your own)


No I get by with a little help from my friends,

hm I get high with a little help from my friends,

hm Gonna try with a little help from my friends.
Do you need anybody,
I need somebody to love.
Could it be anybody
I want somebody to love.

Would you believe in a love at first sight,

Yes I'm certain that it happens all the time.

What do you see when you turn out the light,

I can't tell you, but I know it's mine.

Oh I get by with a little help from my friends,

hm I get high with a little help from my friends,
Oh Gonna try with a little help from my friends.

Do you need anybody,

I just need someone to love,
Could it be anybody,

I want somebody to love.
Oh I get by with a little help from my friends,

hm Gonna try with a little help from my friends,
hm I get high with a little help from my friends,
Yes I get by with a little help from my friends,

With a little help from my friends.



14 de junho, 2007
Acabei de baixar por encomenda o CD As Cilibrinas do Éden da Rita Lee com Lúcia Turnbull, e ouvi enquanto mexia por aqui. Como "ontem" foi dia do Rock, (na verdade não vi nada esse ano sobre) fui lembrada por um amigo ontem, eu pretendia adicionar uma letra do CD já citado, infelizmente nem no site da Rita constam as músicas deste CD, só Mamãe Natureza, então...


Esse tal de Roque Enrow

Rita Lee - Paulo Coelho

Ela nem vem mais pra casa, doutor

Ela odeia meus vestidos,
Minha filha é um caso sério, doutor
Ela agora está vivendo
Com esse tal de... Roque Enrow
Roque Enrow, Roque En...

Ela não fala comigo, doutor

Quando ele está por perto

É um menino tão sabido, doutor
Ele quer modificar o mundo Esse tal de Roque Enrow
Roque Enrow

Roquem é ele? Quem é ele?

Esse tal de Roque Enrow?

Uma mosca, um mistério,
Uma moda que passou
E ele, quem é ele? Isso ninguém nunca falou!

Ela não quer ser tratada, doutor

E não pensa no futuro
E minha filha está solteira, doutor
Ela agora está lá na sala
Com esse tal de Roque Enrow
Roque Enrow, Roque En...

Eu procuro estar por dentro, doutor

Dessa nova geração
Mas minha filha não me leva à sério, doutor

Ela fica cheia de mistério Com esse tal de Roque Enrow
Roque Enrow

Roquem é ele? Quem é ele?

Esse tal de Roque Enrow?
Um planeta, um deserto, Uma bomba que estourou
Ele, quem é ele?
Isso ninguém nunca falou!

Ela dança o dia inteiro, doutor

E só estuda pra passar

E já fuma com essa idade, doutor
Desconfio que não há mais cura

Pra esse tal de Roque Enrow
Roque Enrow,
Roque Enrow
Roque En...row


Viva a pira!


A pira está acesa, e à solta! E isso é uma ótima notícia!

Conhecida também como tocha, aqui mais adequadamente chamada de PIRA.

Muitas coisas podem acender a pira, no Pan foi o Lula, claro que ao lado de nossa ministra que tem altas piras, Marta Suplicy. OLha o Lula com medo da pira, essa era uma pira fortíssima!

Num é por nada não, mas o Xuxa é uma pira! (coincidência ou não, que é esse canhão a esta altura do corpo dele?!)
E pra fechar, o Caué. Deve ser uma pira que alguém teve personificada.





Essa esperança que desespera



Acabou a dúvida, sinto raiva.
É um alívio, e uma chance mal-sucedida.
Posso sentir raiva.


Esperando a resposta pra pergunta que criei, feliz e absurdamente ansiosa.
Isto torna possível que ainda exista a dúvida, que a sentença final não tenha sido dada, e que eu possa acreditar na possibilidade.
Possibilidade não, certeza. Acreditar na certeza, senão não haveria graça.
Pensar em uma negativa faz a certeza flutuar, só tira o fôlego por alguns segundos.
Ouço música, pelo ouvido ou dentro da cabeça... eu fico leve.
Até agora tudo foi irreal, imaginação sem gestos, um teatro que leva a ninguém.
Eu penso em frases, leio este texto e sou remetida à músicas do Kid Abelha
me faz sentir mais uma, e nesse caso, é agradável
ser mais um, querendo o que todos querem, odiar a propaganda do carro
"nada nele é óbvio"
me deixa feliz, ser mais um é ser humano
chegar mais perto da verdade e mais longe das leis


Lembro que decidi não pensar mais nisso.
Da última vez me senti ridícula de novo supondo o impossível.
Enxerguei demais naquilo, e de menos naquilo outro e me confundi.
Eu me sinto bem.
Vejo como todos são humanamente frágeis, me sinto confortável, menos inferior.
Me vem à cabeça algo que traz esperança.
Dúvida! Ó, dúvida cruel!
Se me faz longe da lei, permita a insanidade sanar essa maldita, expressando o que quero saber.
É quase um suplício, uma invocação. Um desespero esperançoso.
Essas convenções sociais, um pouco de razão que ainda tenho, o brio.
Nunca é fácil conviver com a hipocrisia, e sem ela é fatal.
Permaneço em confusão, e vou me acostumando a poder cair no abismo.



A Grande Justificativa, sem pedir perdão



tudo o que verbalizo parece clichê
porque de certa forma é
não acho que já tenha sido feito tudo de todas as formas, ou se sentido tudo, ou vivido
mas as expressões vão co-incidindo
ao dizer que tudo parece clichê apenas repito o que muitos já disseram, pensaram
não trago novidades
de onde eu venho, você também veio
as palavras que uso já usou um dia
o raciocínio que tive já foi de outro
inclusive este que à toa tento tirar de mim e passá-lo pra cá - e torna-se irritante e óbvio
e com esforço e incapacidade vejo se transformar no que eu não tenho a dizer

dolorosamente.. ou não, com um sentimento de fracasso
pior que fracasso, insistência no mal-feito
volto e não me satisfaço
não é apenas crítica, autocrítica, exigência elevada, essas coisas
que dizem por aí são inevitáveis nos virginianos, e ditas assim, ficam tão mais babacas
é uma inconformidade
aquelas que quando você vê algo que não concorda, se indigna?
não, é bem menor comparando, chega a ser ridícula
é aquela que quando há algo que você não concorda e quer logo gritar isso
não sabe o que gritar, que voz usar, pra quem, é uma falta de...
uma falta de...
disso!

não é que eu seja dura, absolutamente infeliz com minhas tentativas
eu sinto orgulho quando sai uma coisa legal, e tantas vezes
são coisas estranhas à mim, que não parecem ter vindo de mim...
novamente não sei explicar
até porque não sei se viajei nessa
vou fazer um trato:
eu tento, tento expressar o que for, de mim, ou do vácuo
vocês não cobrem que eu seja o que consegui nessa tentativa
e explicarei quando quiser o que sentir que não ficou sincero


não era bem isso que vim escrever hoje...


quinta-feira, 26 de julho de 2007

divinamentemundana

Qual é a importância deste blog? Qual é o objetivo, a finalidade? Escrever besteiras para os outros rirem? Expressar sentimentos pessoais, relatar acontecimentos? Aprimorar um possível dom para a escrita? Memorizar momentos que um dia deixarão saudades? Talvez seja um pouco disso tudo. Mas, observando-se com atenção, nós que aqui postamos, talvez não nos damos conta de tanto. Talvez para nós seja apenas um lazer, algo que nos apraz e que, de uma certa forma, até nos traz um tipo de orgulho, realização. Sensação boa.
Hoje percebi que um texto meu - uma frase, na realidade - podia fazer a diferença pra mim mesma. Algo que escrevi num momento qualquer, sem dar muita atenção ao conteúdo, mas mais ao que queria expressar naquele instante, hoje serviria de ponto de reflexão pra mim. Consciência crítica, impulso de uma nova postura, encorajamento para uma atitude retraída, medrosa. E aí começo a dar mais valor ao que eu mesma faço e a um espaço criado para se postar um pouco de tudo: de alegria, de questionamentos, de aborrecimentos, de novidades, de comicidades, de vontades (livres ou reprimidas), enfim. Espaço para se postar um pouco da vida.
Acessei meu orkut esta manhã (sim, vício banal), e apareceu na tela o depoimento de uma pessoa querida, escrito há quase dois meses. Eu já havia lido e apagado há muito tempo, mas estranhamente a rede de amigos decidiu trazê-lo de volta, sabe-se lá porquê. Problemas orkutianos. Mas o fato é que o depoimento trouxe algo que eu precisava reler. Dizia algo como:

"Mas a beleza e a riqueza de uma história se encontram numa razão sensível, que vez ou outra também se apaixona e se entrega a emoção. E decide viver. Intensamente."

Frase boba, à primeira vista. Escrevi para um post qualquer, um antigo aqui. Mas li e reli para chegar à conclusão de que não basta apenas eu escrever isso, é necessário ter coragem de viver isso. Senão não faz sentido eu publicar minhas idéias, torna-se uma realidade forjada. Hoje eu preciso ser mais intensa, preciso permitir que minha razão seja muito mais sensível à minha emoção do que à própria razão! É o meu desejo essa noite. Deixar que meus instintos e meus desejos falem mais alto do que minha cautela e meus receios. E, como conseqüência da minha postura, mostrar a certas pessoas que isso vale pena.
Todos os louros ao divinamentemundana. Suspeita para falar? Sou mesmo, e daí?

quarta-feira, 25 de julho de 2007

O Grinch



Dia desses, em conversa com uma amiga, me peguei fazendo uma análise psico-visual de um ser estranho, na tentativa compará-lo a outro ser estranho. Tanta profundidade para dizer que tentei fazer um paralelo entre o Grinch (aquele bicho verde feio e esquisito) e eu (esse bicho fe..ah, deixa quieto essa parte).
Na informalidade da conversa, a amiga perguntou-me porque a minha foto no msn era o Grinch, e eu comecei a discertar sobre o assunto. Na hora em que coloquei a imagem, era apenas para brincadeira, zoação. Mas a pergunta me fez encarar o personagem verde e feio de uma forma mais crítica.
Observei a expressão, as sobrancelhas, os olhinhos apertados. Atentei ao sorriso. Enigmático, curioso, expressivo. Não se sabe se ele sorri pra demonstar alegria ou ironia, raiva. Ao mesmo tempo que tenta ser gracioso, leve, revela uma subliminaridade cruel, uma má intenção velada, mas presente. E acabei me identificando. Não por eu ser uma pessoa maldosa, nem nada do tipo. De acordo com os padrões morais, talvez eu até seja uma uma boa menina. Mas o que me levou à comparação foi exatamente essa mescla de sensações, mistura de expressões e sentimentos que sempre me foi intrínsica.
Como é que se pode estar feliz e triste ao mesmo tempo? Feliz, triste... não, não falemos de sentimentos clichês como esses. Não que o sejam, mas se fala tanto neles que já me parecem um pouco desgastados para o texto. Okay. Como é que se pode sentir o ânimo, a empolgação de uma etapa nova, setindo o desencanto de uma fase antiga? Não que eu ainda esteja presa ao que ficou para trás, mas é como se sobrassem resquícios de um passado que custa em se fazer presente. Passado tem que entender que não é presente, oras bolas! Teimosia!Os tempos se misturam e eu fico perdida entre eles.
Preciso viajar, sumir por uns tempos, talvez ajude. Eu mudei os ares, não muito mas mudei. Viajei. Bem, não foi uma longa viagem, se é que se pode chamar viagem.

Vaca Trash Fashion

Maringá, cidade charmosa, pessoas bonitas, avenidas largas e arborizadas. Um encanto. Uma festa. Uma van.
Chamava-se Vaca Trash Fashion, mas para nós era "festa da Vaca", mesmo. Com um nome desses, não era de se esperar muita elegância e comportamento dos participantes, é claro. A expectativa maior era de diversão e a promessa era de muitas risadas.
Começou pela van. Os quinze passageiros eram dos mais variados tipos. Cabelos arrepiados e punks, shortinhos curtíssimos e meias de ginástica coloridas estilo anos 90, óculos de gatinha extravagante, jeitos e trejeitos estranhos, falas moles, gestos afeminados e comportamentos no mínimo curiosos. Assim, partíamos para Maringá, numa van guiada por um casal de velhos pombos, por assim dizer. Seu Francisco, homem de boa educação e senso de humor (e muito, mas muito paciente e pacifista, como veremos adiante) dirigia o veículo. Dirigia, não. Pilotava. Para Dona Maria, esposa do velho Chico, a van "levantava vôo" quando partia. Cizuda, marrenta. Crica. Ela era chata mesmo, uma ranzinza como há muito não encontrava. Daquelas que não aumentam um ponto no volume do rádio porque "o som já estava estourando os timpo".
Na metade do caminho, os malucos da van já haviam deixado de lado a pouca inibição que tinham no início da viagem. É claro que o suquinho com vodka e as diversas latinhas de cerveja contribuíram para tal comportamento. Uns poucos ouviam música, outro dormia e alguns observavam no que aquilo tudo resultaria. Não demorou muito. Como num piscar de olhos, todos começaram a se beijar, e agarra daqui, que agarra de lá e beija um, que beija a outra, que resolve beijar o terceiro, o quarto, a quinta...e virou um fervo. Eu, rezando para que a religiosa - e cricra - Dona Maria não virasse o pescocinho para trás e tivesse um infarto fulminante vendo aquela pouca vergonha. Onde já se viu? Nos tempos dela namorava-se em casa, com o pai mirando uma espingarda na cara do safado que ousasse pegar na mão. Seu Francisco com certeza era um vitorioso.
Para meu alívio e graças às minhas tantas orações, chegamos em Maringá sem que a velha percebesse o circo que tinha se formado na van. Descemos na porta do bar e foi estabelecido: às 6h, no mesmo local. Não, não. Dona Maria precisava levantar vôo cedo, então cinco e meia era um horário "bom".
Fomos para a festa e antes, parada para um crime às portas da catedral de Maringá. Deus nos perdoe. No bar, a vaca já rolava solta e tudo era muito agradável e divertido. Música boa, gente bonita. Nada do que se encontra por aqui, nesses bares pavorosos e medonhos da João Cândido. Pausa para um McDonalds no meio da madrugada e depois, risadas. Muitas risadas. Dona Maria nos veio com versinhos estranhos do tipo

Homi com homi, mulé com mulé
faca sem ponta, galinha sem pé


E logo os bêbados de plantão começaram a trocar as bolas, inventando galinhas sem ponta, facas sem pé e pontas sem pé, galinhas sem ponta, e assim por diante. Alguém vomitou dentro da van, e a velha crica achou desaforo. Me culpou, quis que eu limpasse! Olhava com ódio para mim, dizendo que daquele jeito não tinha condições! Doida. Para completar, o barraco só estava começando. Passava das 6h e as pessoas ainda não haviam retornado. O bate-boca começou na porta do bar. Dona Maria foi a primeira a resmungar:
_Cala a boca.
_Cala a boca?
_É, cala a boca.
_Cala a boca você!
_Cala a boca!
_Ninguém me manda calar a boca!
_Cala a boca!
A velha discutia com a jovem punk rock e a "responsável" pela van enfim apareceu, para botar ordem na casa... se também não estivesse alcoolizada. Descalça, com os pés imundos, os cabelos rebeldes se encaracolavam suados e desgrenhentos sobre a testa, a maquiagem já borrada. Bem final de festa, quase uma andarilha. Ela surgiu, berrando:
_Eu tô puta. Eu tô puuuuuta! E sabe por quê?! Porque eu perdi meu cigarro! Eu tô puta! Eu tô puuuuta!
Minha maior preocupação diante daquilo era de segurar a gargalhada para não piorar o caos do momento. A coitada estava num estado drástico. Há quem tenha lhe chamado de mulher da vida, daquelas de Copacabana. Achei naquele momento que ela havia sido feita na cozinha do Cross, de onde saem os monstros. Só podia. Dona Maria e a Criatura começaram a discutir, dando gás novo ao barraco.
_Porque se a gente quiser, a gente compra essa van! Porque a gente é rico, a gente tem muito dinheiro! Meu pai é o dono de Londrina! Ele processa isso aqui!
E completava: "Ai, falei. Ai, falei!"
Foi preciso que o calmo Seu Francisco - que a mim já parecia mais ser São Francisco - perdesse a paciência e enfim "levantamos vôo". Uma noite onde aconteceu de tudo, mas valeu a pena. Saí da rotina, era preciso apagar um pouco da memória aquilo que andava me rondando...e me incomodando, já. Teve gente que fez falta. Teve gente que não fez. E espero que não faça por muito tempo.

Ai, falei!