domingo, 10 de junho de 2007

a arte faz com que eu me sinta bem
as expressões
a magia, a surrealidade, o acolhimento
algo me faz viva, algo me faz atenta
e principalmente, me faz sentir um prazer permanente
tão confortável que seria impossível sequer imaginar já ter vivido algum momento sem aquele semblante, a sensação de um porquê maior, de não precisar de mais nada, de satisfação

eu penso, sempre penso, porque a tristeza não tem fim
e a felicidade também não,
quando alguma das duas, de sopetão, bate à minha porta
e com muita educação, sempre atendo, mesmo notando que na maioria das vezes não tenha feito nenhum convite formal, ou pedido de urgência nem um sinalzinho com a mão clamando, ou apenas avisando de que me lembrei delas
elas vêm, ouço os sapatos subindo as escadas
me torno impotente, descrente, sei lá, e convido pra entrar
e claro, pra ficar até quando quiserem
- sinto que não faz diferença, elas ficariam até a eternidade se essa fosse a decisão, a favor, ou contra minha vontade
e a graça está aí mesmo, no único fator surpresa: o quando.

não é nada sólido, às vezes as duas damas resolvem brincar
de montanha-russa, de gangorra, ou de balanço
o triste-tristíssimo é o quê-de onde?, o feliz-felicíssimo é o nada-não sei
e vice-versa (já era pra estar implícito o "elegante" traço temperamental, como de praxe, pertencente às nobres fêmeas, e mais do que nunca aplicável à duas maravilhosas zombeteiras de nós*)

pois aí, como que num jogo de luzes, num truque, num blefe, numa cena ensaiada mil e uma vezes
elas desaparecem
e em troca, nada
nada em troca
o vazio do palco, a luz branca, sem gelatina
nenhum cenário, nenhum ator, nenhuma trilha sonora
e você sabe o que isso implica...
nenhum sentimento!
que inexplicável é sentir nada
e não é por falta de vocábulos inventados
mas puramente pelo fato de nada ser nada
e só de isso ser dito, já se tem uma hipérbole

e agora vejo, não nitidamente
que o nada não é o oposto nem da felicidade nem da tristeza
é o oposto da satisfação que é estar em algum canto assistindo ao tresloucado espetáculo das damas mais misteriosas do universo



*nós porque ninguém escapa

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