segunda-feira, 16 de julho de 2007

A noite de Washington

Ele aproximou-se carismático e tentando esbanjar uma certa simpatia que não lhe cabia muito bem. Apresentou-se:
_Meu nome não é muito comum.. Washington. - estendeu a mão.
_Ah, eu conheço vários "Washingtons" - menti, procurando também uma simpatia que não me cabia.
Na verdade, de imediato lembrei-me de meu pai, que em sua "elegância" não admite pronúncias abrasileiradas: é "Washingtân". "Bill Clintân". "Beicân." Bem, não se pode lhe retirar a razão. Nome americano se fala assim, oras!
Mas enfim, voltando ao nosso Washington simpático, tive piedade do coitadinho. Não era um chato de tudo, nem um príncipe encantado. Estava ali apenas para um momento de discontração com os amigos no boteco. Queria interagir... mas o pobre não entendia nada de "interação", suponho. Tentou impressionar pelo humor que, segundo ele mesmo, era uma de suas virtudes.
_Eu estou solteiro, mas não perdi a esperança de encontrar a tampa da minha panela. Mesmo que tenha o cabo meio derretido. - e ria.
Sim, sim, uma de suas virtudes. Imagino se não o fosse.
Conversa besta vai, conversa besta vem. Contou de seus trabalhos como eletricista nas cidades vizinhas, perguntou sobre minha aliança no dedão (o que ele quis dizer com isso hein? hein?! Só faltou questionar meu corte de cabelo!) e etc. O desespero começou a bater. O copo de conhaque suava por fora e eu começava a achar que ele entendia nossa angústia, mas era apenas o gelo que derretia e o resfriava.
"Vire esse negócio de uma vez" - sinalizei, entre gestos aflitos e mudos à colega Sertaneja, para que acabasse com o conhaque...e com aquele momento também.
O pior ainda estava por vir. O simpático - e nada conveniente - Washington não se conteve e chamou os amigos para sentar-se conosco. Tantos humores de cabos derretidos nós não iríamos suportar. Foi nossa chance de escapar. Levantamos de imediato e, aos trancos e barrancos, conseguimos ir embora. Vitória! Não, ainda não.
Saimos na esperança de encontrar um lugar livre de tais situações. Quem sabe gente bonita ou que no mínimo tivesse um senso de humor inteligente... mas tocaram as sirenes de Sillent Hill e libertaram as feras. O segundo bar da noite era um verdadeiro filme de horror, e a melhor saída foi a própria saída.
Uma noite catastrófica, mas que tinha tudo pra dar certo. Um "venho" foi a nossa solução. Risadas, besteiras, calor, sinuca e mcdonalds. Adoro Mc*. E que venha o venho outras vezes.

*Dedicado a você*.

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