"não tenho dinheiro pra pagar a minha yoga, não tenho dinheiro pra bancar a minha droga, eu não tenho renda pra descolar a merenda, cansei de ser duro vou botar minh'alma à venda, eu não tenho grana pra sair com o meu broto, eu não compro roupa, por isso que eu ando roto, nada vem de graça, nem o pão nem a cachaça, quero ser o caçador ando cansado de ser caça"¹
o dinheiro é um empecilho, particularmente pra mim, apenas mais um
não me lamento, vi poucos lograrem pra uma situação melhor reclamando
qual o sentido? o amor, muitos respondem
me responde por favor pra onde vai o meu amor, quando o amor acaba?²
e daí, o sentido é qualquer um que leve a lugar algum
antes de mais nada é bom não dramatizar, a questão-chave não precisa carregar o peso de se chamar dilema
o tédio, a solidão, os vazios, as dores
principalmente os vazios, que estes sim fazem qualquer um perder os sentidos, os três
repetições, eu as odeio nem sei porque, mas não consigo conviver com elas (e assim mesmo as cometo)
é fato que o novo muda - isso não é novidade
o novo para nós, não para mundo, que tudo vê
muda pro bem e pro mal, os conceitos que sofrem sérios problemas de identidade
são letras, sons, toques, gostos, sensações
vêm dos livros, dos poemas, dos contos, dos sites, dos folhetos
das festas, das rádios, dos fones, dos auto-falantes
das telas, das viagens, lugares, dos rostos, da sutilidade
a sutilidade é sutil até em seu significado
quando ela é percebida, se descobre um novo mundo
o novo mundo
e o dia, uma renovação contínua, pode ser uma renovação?
o que sei é que as promessas, as desesperanças, são todas apoiadas no dia que virá
pode ser que isso seja também mais um motivo do cansaço
mas às vezes o que já é sabido surpreende
"carpe diem", "faça valer a pena"
...
nada
momentos duram anos, segundos, vidas engarrafadas
aprender, apreender, como diria a Prof. de Português,
correlacionando os fatos... pra reaprender
influências e tatuagens não se desfazem, podem ser encobertas, singularizando ainda mais seus desenhos
é algo lisonjeador ser o espelho do mundo, traz feiúras, belezas, vergonhas e orgulhos
é instigante sim, e me lembrem sempre que eu esquecer!
é sempre bom lembrar que um copo vazio está cheio de ar
é sempre bom lembrar que o ar sombrio de um rosto está cheio de um ar vazio
vazio daquilo que no ar do copo ocupa um lugar
é sempre bom lembrar, guardar de cor
que o ar vazio de um rosto sombrio está cheio de dor
é sempre bom lembrar que um copo vazio está cheio de ar
que o ar no copo ocupa o lugar do vinho, que o vinho busca ocupar o lugar da dor
que a dor ocupa a metade da verdade, a verdadeira natureza interior
uma metade cheia, uma metade vazia, uma metade tristeza, uma metade alegria
a magia da verdade inteira Todo-poderoso amor³
¹Zeca Baleiro
²Chico Buarque
³Gilberto Gil, preferencialmente cantada por Chico
p.s.: cultura de fácil acesso está me deixando (mais) louca, livros de bolso, wikipedias, albergues...
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4 comentários:
nos beijaremos logo mais,
e mais não digo.
Não sei por que, mas me identifiquei tanto com o texto do Zeca... né? huahua!
Amei a forma como intercalou e corelacionou os textos.. tres temas distintos coesos entre si.
teremos que escrever um livro um dia para publicar essas obras de arte! hauhau!
:]
O que o Alcides quis dizer com "nos beijaremos logo mais"?!?
o.O
humpht.
não sei o que ele quis dizer, mas creio que, principalmente nesses últimos tempos, ele têm sido uma fonte-pira de inspiração para nós
se publicarmos um livro, vamos ter que agradecê-lo =]
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