quarta-feira, 12 de setembro de 2007

O dia da Independência

O 7 de setembro é comemorado nacionalmente por marcar uma importante data da história brasileira. A independência é comemorada entre desfiles, paradas e homenagens patrióticas por todo o país. Ainda que se trate somente de uma independência política e não econômica, é independência. Quem nunca quis ao menos uma vez na vida ser independente? Livre de qualquer coisa que cause o mínimo incômodo ou aprisionamento? Ser liberto das pressões do dia-a-dia, do desconforto econômico, do zelo excessivo familiar (eufemismo para pegação no pé), de um sentimento que nos faz mal, livre de tarefas chatas, livre de pessoas que de alguma forma exercem alguma liderança sobre nós e nos intimidam, livre de doenças (gases aprisionam, descobri isso com duas amigas que sofrem desse mal. Acho que ela querem ser independentes dos gases), enfim. Ser independente. Um sonho de muitos, concretização de poucos.
Eu mesma por muitas vezes quis ser independente. Ainda quero, uma boa briga em família sempre reaviva meu desejo. Cobranças de pai e mãe também são ótimos estimulantes. É só rolar um barraco que logo quero pegar minhas malinhas e ir embora para o primeiro hotel que encontrar. Claro, um que me abrigue bem, tenha televisão, cama confortável e um bom café da manhã. Regalias a que estou acostumada no meu lar doce lar. Mas quando me vem o desejo de independência e junto com ele todo esse pacote de mimos desnecessários, lembro que o sonho duraria apenas uma noite...duas, no máximo. Afinal, pra se ter essa independência social, necessita-se da financeira também. Mas este já é um outro fator que não vale a pena ser explorado agora, pois entraríamos em outros méritos, bem mais profundos, suponho. Sempre chego a conclusão de que só quero ser independente enquanto não o sou. Se o fosse, talvez não quisesse sair de casa e etc. Basta observar como fazem os amigos que optaram por isso. As dificuldades não se restringem ao aspecto financeiro, mas tangem principalmente ao lado afetivo-emocional. Ok, não desviemos o assunto.
Neste ano tive também meu dia da independência. O feriado se fez diferente pra mim uma ez que me as pessoas decidiram me fazer livre. Livre de hipocrisias, livre de mentiras, de histórias inventadas, aumentadas, de calúnias, de julgamentos, fofocas. Ser alvo de coisas desse tipo sempre ferem. Mas fizeram o favor de jogar-me na cara algumas coisas e ter de decidir, optar por um caminho. Não era o que eu queria, eu estava bem. Então, decidiram por mim. Não acredito que tenha sido a melhor escolha, os caminhos que eu trilho só Deus e eu posso julgar. E se Ele não me condena, que dirá um reles mortal e pecador assim como eu.
O fruto da escolha de uma outra pessoa refletiu na minha vida, e é difícil aceitar e conceber isso. Conformar-se. Tiraram de mim uma das coisas mais preciosas que tinha, que me trazia paz, que me trazia alívio, o que me era gratificante. Levaram de mim sonhos, amores. Não é maneira de falar, eu construí uma vida por mais de cinco anos e retiraram o valor que havia sido conferido a aquilo tudo. Mas tudo bem, acham que é certo, que é preferível me ver afastada do que fazendo algo bom para outras pessoas. Amém para eles. A vida vai seguir seu rumo e tudo tem o seu lugar. Perde-se algumas coisas para se encontrar outras. Faz parte do processo e ninguém dirá que eu não amei, que não fiz a minha parte, que eu abandonei aquilo a que sempre me dediquei. Eu vou seguir com meus conceitos, com meu brilho, com meus pensamentos, com minhas retas intenções. E com a minha independência agora, o que faz toda a diferença. E o feriado foi comemorado em grandicíssimo estilo, não se pode contestar. Maringá que o diga.

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