quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Crise dos 21

Primeiramente, quero me desculpar. Por fazer muitas vezes desse blog um diário, um confessionário. Sei bem que já se foram os dias em que a criança boba relatava a vida em páginas de um livro que de tão detalhista, chegava a ser cômico. Mas talvez esse seja um dos únicos espaços em que me encorajo a falar sobre o que sinto, para os outros e para mim mesma. E a cada post, fica um trechozinho da minha pobre, ò pobre, vida. E viva a marmota dramática.
Eu quero escrever sobre alguma coisa, mas não sei exatamente o quê. Quero. Mas o quê?! Sabe quando algo fica te incomodando, aquela coisa chata, perturbante? Aquele sujeito inconveniente que fica cutucando o seu ombro inúmeras vezes até que você o atenda? Aquela criança birrenta que puxa a blusa da mãe aos berros, até que ela o pegue no colo? Então, é mais ou menos por aí.
Hoje sinto como se as palavras fossem como a criança chorona me perturbando para que lhe atenda.Talvez isso aconteça como uma necessidade do meu corpo, exigindo expressar-se de alguma maneira. E como eu muitas vezes não compreendo, ele mesmo me perturba, até que eu coloque para fora o que tenho sentido. Sou assim, tem gente que consegue fazer segredo das próprias emoções, eu não. Eu tento, finjo, forjo caras e bocas para demonstrar uma outra realidade, uma que talvez não me aborreça tanto.
Eu não sou hipócrita. Não se trata de falsidade. Esse "forjar" é um mero desejo de criar um mundo mais cheio de brilho, de luzes, de encanto. Ora, enfeitar a vida não é crime. Se na maioria das vezes sorrio é uma tentativa de fazer as coisas melhores, o pessimismo me soa muito entediante.
Claro, ninguém consegue ficar bem sempre. Hoje, por exemplo. Agora. Choro, mas nem sei por que. Meu dia não foi ruim, momentos agradáveis com amigos aconteceram também, risadas e mais risadas. Não tenho de quê reclamar. O que acontece então?
Apenas sinto que preciso deixar que essas lágrimas tão impertinentes escorram de uma vez. São lágrimas de alívio, lágrimas de saudade, lágrimas de cansaço, de carência, de coragem. Eu preciso ser corajosa o suficiente pra chorar e encarar que minha realidade mudou, a minha e a dos outros.
Não sei se é algo bom, ruim, não gosto de classificações, comparações. O antes, o agora, o que era, o que é. Apenas permito que aconteça minha epifania e ela me conduza a alguma conclusão, me livre de minhas confusões. Mas nem sempre isso acontece.
Talvez esse seja o meu maior medo, aquilo que me leva a chorar e revelar minha fragilidade hoje. Esse conflito, essa visão turva de um futuro incerto e que eu insisto em tentar me convencer de que não me preocupo com ele. Mentira, quem não pensa no amanhã em momento algum é porque não se projeta em nada, não aspira a nada, não tem ambições, planos. Eu tenho, e muitos! Mas tudo anda tão obscuro que não sei onde vai parar, onde vou parar.
Dia desses, uma amiga muito querida casou. Casou assim, de supetão. Não estava nos planos dela, tenho certeza. Menina nova ainda, cheia de sonhos. De repente, a vida mudou completamente. Não que o casamento seja algo mal, mas tenho certeza de que muitos projetos pararam na assinatura de matrimônio no civil. Sei lá o que se passa na cabeça de alguém nessas horas, não quero descobrir tão cedo também.
Agora, ouvindo música e escrevendo, descubro que choro por essa amiga. Por lembrar de tantos momentos que vivenciamos e que jamais voltarão, hoje ela tem uma outra vida. Saudade dói demais.
Mas é bom observar também o quanto eu mudei. Sinto muita falta do que se passou, da menina que cantava nas missas e pregava nos grupos de oração. Talvez hoje eu esteja triste por não me desapegar de uma experiência muito rica, gratificante, que me valeu 5 anos. Tempo de crescimento, de fé, de conhecer gente que vai ficar pra sempre marcada. Pensar que as lições ficaram mas a vivência passou, me abala! E pensar que esse novo caminho que venho trilhando é encantador, instigante e inconstante, me abala mais ainda! Crise dos 21, acho. Eu não acreditava nisso, achava besteira. É besteira, idiotice! Mas acontece, de fato. Por ora, não sei pra onde seguir, que rumo tomar. Estou inquieta, queria emudecer, desaparecer da vista de algumas pessoas, ficar no meu cantinho, eu e Deus, como sempre foi, e deixar o tempo passar. As simples palavras daquela pessoa hoje me bastariam, uma carta, um email, um bilhete. O abraço da minha mãe hoje me bastaria. O canto e a gargalhada dessa amiga casada me bastaria. Uma música apenas hoje me bastaria, mas teria que ser aquela, a única que me faria sentir melhor. Como nada disso se tem essa noite, algumas lágrimas e palavras me bastam. E amanhã tudo volta a ficar bem.

Um comentário:

Danilo disse...

Muito bacana seu texto, é como se estivesse vendo meu reflexo num espelho ou olhando um álbum com velhas fotografias.

daniloms86@terra.com.br