O Barroco é um período literário que se caracteriza, principalmente, pelo dualismo. Contraste entre bem e mal, paz e conflito, claro e escuro, palavras e idéias, céu e terra, Deus e homem, enfim. No contexto histórico barroco, apresenta-se um homem dividido entre suas razões e emoções, duvidoso do que quer pra si mesmo e o que deve seguir. O Renascimento gerou um novo pensar, mais prático, racional. Não importava mais aquele apego à fé e às coisas de Deus, valia mesmo era o capital e o estímulo a uma racionalidade inquestionável. Mestres como Da Vinci, Rafael Sanzio e Michelangelo esclarecem de maneira clara isso com sua Arte, milimetricamente perfeita e valorizando o corpo e a mente.
Mas com o tempo, o homem foi ficando tão humano, tão humano, que sentiu a falta de Deus. Ou pelo menos a falta de sua crença, do acreditar em algo, da busca incessante por um objetivo maior, da fé. E foi exatamente essa "ausência divina" que o fez voltar novamente à sua postura de buscar Deus e se apegar à doutrina da Igreja. O homem barroco trazia em si o pensamento racionalista, herança do renascimento, e o coração barroco, mesclando fé e razão.
"Barroco" não é um nome criado simplesmente. O período sucessor ao Renascimento recebeu essa denominação devido a um conceito que representa bem as características deste estilo. Significa " pérola irregular" ou "pérola deformada" e representa de forma pejorativa a idéia de irregularidade, ondulações, detalhes. Riquezas e pormenores que revelam a beleza e a perfeição de algo naturalmente irregular. Encantador.
"Barroco" não é um nome criado simplesmente. O período sucessor ao Renascimento recebeu essa denominação devido a um conceito que representa bem as características deste estilo. Significa " pérola irregular" ou "pérola deformada" e representa de forma pejorativa a idéia de irregularidade, ondulações, detalhes. Riquezas e pormenores que revelam a beleza e a perfeição de algo naturalmente irregular. Encantador.
Entre idas e vindas, sigo eu no meu "barroquismo contemporâneo". Uma amiga muito querida voltou recentemente de Salvador dizendo que a cada igreja barroca que visitava, lembrava-se de mim. Eu sou uma mulher barroca. Sempre dividida entre meus pensamentos e atos, entre minha fé e convicções pessoais, entre meu racionalismo romântico e minha emoção fria e firme. Sei o que me faz bem, mas não sei se o que me faz bem é o que deveria de fato me fazer bem! Ás vezes penso que o que me faz bem é o que acaba por me fazer mal, na realidade. Mas o que me faz mal é um dos meus maiores bens...daqueles que não se abre mão tão facilmente.
Eu não sou cega, não sou tola. Eu tenho percepção das coisas, sei que nem tudo me convém, sei que algumas coisas não me são permitidas pelo meu bom senso. Talvez seja um mal senso, mas enfim. Há quem julgue essa conduta dualista como falta de personalidade, coisa de quem não sabe o quer. Inconstância. Fala que acredita numa coisa, mas faz outra. Diz-que-me-diz, faz-que-não-faz. Como se cada palavra pronunciada fosse um veredicto, um caminho sem volta. Não é assim, o jeito de pensar muda, a postura muda também, é consequência. Fé cada um tem a sua. Razão também! Ou por acaso existe uma crença mais certa do que a outra? Quem julga a maneira de pensar das pessoas são as próprias pessoas. Sendo assim, como afirmar que um está certo e o outro não? Com base na lei de quem se faz isso? A lei dos homens é falha; a Lei de Deus só Ele deve conhecer.
Só sei que no meu conflito de Fé e de Razão, as duas me deram uma bela rasteira e me derrubaram de surpresa. Se aliaram, só pra me sacanear. E só pra contrariar tudo e todos, é justamente a minha fé que vai ajudar a minha razão se manter firme no que ela acredita ser certo e valer a pena, independente de que querem as outras tantas razões e "fés" por aí.
E que assim seja, amém.
