sábado, 1 de dezembro de 2007

Problema mundano, problema divino

Quanta coisa legal, que começa e termina e volta...


O interrogador
Julio Cortázar

Não pergunto pelas glórias nem pelas neves,
quero saber onde se vão juntando as andorinhas mortas,
para onde vão as caixas de fósforos usadas.
Por maior que seja o mundo
há os recortes de unhas, as bolas de pêlos,
os envelopes cansados,
os cílios que caem.
Para onde vai o nevoeiro, a borra do café,
os almanaques de outro tempo?

Pergunto pelo vazio que nos move;
nesses cemitérios, suponho
que cresce pouco a pouco o medo,
e que ali choca o Roca.¹

NOTA: 1- Pássaro mitológico, que aparece nos relatos de viagem de Marco Polo pelo oriente. Um pássaro muito forte, capaz de carregar um elefante com suas garras.

*Poema e nota retirados da Revista Coyote nº15, traduzido do espanhol por Cassiano Viana.


[...]Se para Kant a metafísica não é possível como ciência, ele não tem dúvida alguma de que os problemas que ela levanta são importantes e, inclusive, muito mais importantes que os da física. Se os corpos caem a 9,8 ou 9,9 metros por segundo nada muda, porém muda muito se existe ou não existe Deus, se existe ou não existe alma imaterial e imortal. Contudo, as questões colocadas pela metafísica não são para Kant unicamente relevantes, elas são necessárias; são questões a que a Razão não pode responder, e, no entanto, paradoxalmente, não pode deixar de se colocar. A Razão é basicamente a capacidade de procurar razões, ou seja, de buscar porquês. Nisto consiste sua tarefa própria e específica.[...]

Mário porta. A filosofia a partir de seus problemas. São Paulo: Edições Loyola, 2002. Página 117.




Cena de "Árido Movie", realmente instigante, sensível e pertubador. Com personagens, atores, e enredo, todos, por incrível que pareça, muito interessantes, todos um mundo à parte.


"Partindo do princípio de um bem - acessível, democrático, maior, comum - acho que devo publicar minhas idéias e teorias, mesmo as mais absurdas (de acordo com o que meu orgulho permitir), para que assim, mesmo que eu não evolua meus pensamentos, alguém possa evoluir os seus e compartilhá-los também. Até se, após algum tempo, eu sentir vergonha da minha ingenuidade e discordar das minhas idéias anteriores, afinal estamos aqui para buscar porquês e não para achar um e morrer."
Maria Clara A. M., 28/11/2007



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