sexta-feira, 29 de junho de 2007

olá!

É muita negligência ficar sem escrever nada por tanto tempo, minhas desculpas. (Também não irei prometer nada, pra mim, quando fizeram isso sempre me soou piegas.)
Dá preguiça começar, ideías vêm, idéias vão, idéias vãs, mas elas voltam.
Provavelmente vou escrever num futuro próximo uma homenagenzinha ao FILO, afinal minha cabeça teve com o que se ocupar e a cidade também. É que parece que o prazo de validade tá vencendo, é meio chato isso.
As novidades boas não resistiram tanto tempo, o tempo de duração de uma peça ou um show, pra isso que existe a memória.
[quando eu escrevo aqui eu não sei se alguém vai ler, é pretensioso e idiota pensar que se escreve sem saber pra quem... com as minhas experiências de voyeur, gosto muito, tendo a considerar que sempre alguém vai ler, sem comentar, sem gostar, sem nada, mas alguém vai ler. a esperança é a última que morre, em compensação ela tem me causado uma baita insônia.]
Só vim dar essa satisfação, mesmo sem saber a quem, mais por dor na consciência de "desperdiçar" tempo e este espaço grátis que consegui com grande felicidade.
Um beijo bem grande em lugar da minha ausência, pra quem vir ou não vir esta mensagem!

domingo, 17 de junho de 2007

220V

São exatamente 5h57min da manhã.
E eu estou aqui, acordada, desperta, ligada, online, seja a denominação que for.
Sabe quando a gente dá corda num desses carrinhos de flexão e ele sai correndo, a todo vapor? Ou quando se liga um aparelho numa tomada 220v? Então. Elétrica. Estou assim hoje, e não me pergunte por quê.
Não bebi, não bateu* e o corpo ainda não se abriu.
Mas algo corre em minhas veias, umas substância estranha que me perturba, me coça, me agita, me faz querer tudo e nada ao mesmo tempo.
A vontade é de sair correndo pelas ruas, gritando, sob um céu perfeito e com o ar frio cortando o nariz. Mas... a pele vai ressecar. Os vizinhos iriam acordar, temo que não iriam gostar. Infelizmente o sistema paraliza essa energia toda concentrada.
Extravasar, talvez seja isso que meu corpo busque nessa quase manhã. Já já o carrinho, então com tanta força e vitalidade, vai perder a velocidade e ir parando, parando...até alguém chegar pra dar corda de novo.
É isso, deram corda em mim. E eu sei bem quem foi, mas não vamos falar sobre isso. Eu quero correr, correr, correr!
Quero jogar, brincar, gargalhar! Quero conhecer, escrever, quero uma xícara daquele chá. Quero café! Mas não, eu não gosto de café... quero coca, quero beijo, quero música. Quero mar, quero luz, quero percussão. Quero as batidas de uma bateria, o toque de um violão. Quero comer. Agora não quero mais! Quero companhia, quero gelo, quero filme, quero frio! E com o frio, quero muito calor... e entenda-se bem que calor é esse.
Quando essa vitalidade toda acabar, eu vou querer escrever de novo. E darei uma nova expressão às palavras, dentro das poucas linhas deste blog.
Post pequeno, para quem quer ser breve. Rápida, ágil.
Eu ainda quero correr.
E são 6h16min da manhã.
Ainda dá tempo. Para algumas coisas, sempre há tempo.

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Dia 14 de junho

14 de Junho: Dia Mundial do Doador de Sangue.
->1907 - Na Noruega as mulheres obtem o direito ao voto.
->1966 - O Vaticano anuncia a abolição do Index Librorum Prohibitorum. (Índice de livros proibidos) qual foi originalmente instituído em 1557.
->1982 - Termina a Guerra das Malvinas: forças militares argentinas rendem-se incondicionalmente para as forças britânicas em Port Stanley.
Nasceram neste dia...

->1864 - Alois Alzheimer, médico alemão. (m. 1915)
->1928 - Ernesto Guevara de la Serna, revolucionário argentino. (m. 1967)
->1977 - Camila Pitanga, atriz brasileira.
Faleceram neste dia...

->1909 - Afonso Pena, presidente do Brasil. (n. 1847)
->1920 - Max Weber, sociólogo alemão. (n. 1864)
->1986 - Jorge Luis Borges, escritor argentino. (n. 1889)
(Fonte: Wikipedia)

Eu achei no mínimo curioso saber que Ernesto Guevara de la Serna nasceu no mesmo dia em que morreu Max Weber, mesmo sendo oito anos depois.
Útil ou não, não faz nenhum mal saber. E dá pra criar ligações místicas, lógicas ou birutas.
Somos tão recentes, ?
Direito ao voto feminino na Noruega em 1907, avançados eles; liberação pela igreja da leitura de qualquer livro em 1966, apenas quinhentos anos após a proibição... deve ser por isso que somos ainda tão recentes.

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Sono

Hoje estou com sono. Escrever, escrever e escrever pra ver se acordo, se desperto, se me mantenho sã. Escrever é minha melhor forma de expressão, através da qual eu sou capaz de detalhar um pouco mais de mim e do que sou, do que quero, do que busco. Aqui, entre palavras que interligam idéias, sou eu. Mais verdadeira, mais honesta, mais essência. As palavras são meu espelho mais real, minha fotografia. Preciso delas para ter a coragem de falar as coisas que não consigo dizer nem a mim mesma.
Levanto, caminho. Água gelada. Telefone. Palavras vagas pronunciadas numa incansável tentativa de me manter acordada, mas nada parece resolver. Trabalho, e o sono só aumenta. Lembranças. Sim, algo pode me ajudar a despertar e me levar para longe desse marasmo todo.
As memórias que me rodeiam e atraem meus pensamentos são poucas, até então. Algumas palavras ao final de uma missa, uma carona ou outra, conversas vagas e descontraídas, dessas agradáveis por internet, um dia de exposições, uma visita. Tudo muito simples, tudo muito além da minha rotina. Diria mais: além das minhas expectativas.
O barulho irritante que me incomodava e custava a zumbir o tempo todo dentro dos ouvidos parece ter sumido. Silêncio, finalmente. O momento é novo e eu bem sei que nem sempre se manterá assim. Mas quero preservá-lo até o último instante, polir várias vezes para que não perca o brilho com o desgaste do tempo. Quantos relacionamentos desgastados com a ação criminosa do tempo, amizades que passam, pessoas que ficam em algum lugar da nossa vida que jamais conseguimos resgatar, reencontrar, mesmo lutando arduamente por isso. Mas a vida sorrateiramente nos surpreende com outras facetas, desconhecidas e que muitas vezes no amedrontam. Talvez eu esteja com medo dessa nova cara que a vida me mostra. Talvez eu queira ter medo. Talvez eu não queira, mas posso senti-lo friamente. Ou enfrento ou paralizo. Sinceramente, ainda não sei o que é pior.
Pelo medo ou com o medo, sem saber discernir isso muito bem, tenho aprendido a conhecer meus limites. Sei que preciso respeitá-los, mas tanto racionalismo não me pertence. Não quero. Quero apenas poder sentir isso agora, essa leveza desconcertante, que me leva a sorrir quando vejo o cruzeiro do sul. Sem medo. Sem tristeza. Sem o barulho incômodo de antes.

O Tiozinho caricato


Há aproximadamente um ano, encontrei este ser. Poderia ter sido em qualquer lugar... uma pessoa comum, um filho de deus... mas me pareceu bem estranho chegar ao show do Nação Zumbi e vê-lo lá.
Não sei se você também acha, mas já era um tanto inesperado que naquela noite de junho fosse fazer tanto frio, e que eu conseguisse um convite de graça, ah, e a maior das surpresas, a Fran saiu comigo!.
Pois é, isso tudo aconteceu.
Dá pra imaginar que minha alegria não era pequena, não fosse o frio, poderia estar mais pirada ainda.
Entramos no salão do clube, eu e Fran, se não me engano, eu tentava encontrar o Minero. Ainda estava meio vazio... muitas pessoas de dread, alunos da UEL, aquela velha história, só que eu não estava achando isso um saco, como acontece muitas vezes.
Avisto um senhor, barrigudo, de boné, e um óculos bem horroroso. É de se convir que em meio à esse tipo de público, a um show que não fosse de uma banda tão popular assim, e fechado, com convite, é muito estranho de repente dar de cara com alguém como ele.
Pensei: deve estar ajudando na montagem de palco, de som, ou ser algum funcionário do clube. Eu e a Fran ficamos até receosas de ele ser mais um véio tarado, nos distanciamos e tentamos não manter "contato visual"*. Que nada! Ele passou o show inteiro firme e forte, observando com certa alegria o andamento do show.
Claro que não éramos só nós que estranhamos aquela presença, muitas vezes alguém daqui e de lá parava pra observar, e adivinhar do que se tratava.
O som maluco dos caras, luzes, tambores, e rostos brilhantes. E o "tio" ao lado.
Posso dizer que foi uma das coisas mais bizarras que eu já presenciei. Não digo isso ridicularizando ele, mas enfim... pura lisergia, sem nenhum tipo de alterador de comportamento no sangue.
Ao fim, tentei falar com ele, demorei demais para tomar coragem. Depois de uma dançadinha no meio do salão, após o fim do show, ele sumiu.
Até hoje guardo essa foto, e dúvidas sobre quem será ele. Já pensei em muitas possibilidades, sempre me vem à cabeça uma cena num estilo "Homens de Preto", ele tirando sua máscara, e mostrando sua identidade, alienígena, ou apenas secreta.
Tiozinho, você me fez rir por muitas vezes, foi adubo pra muitas caraminholas. Seja quem for, fez alguém feliz.

domingo, 10 de junho de 2007

Dois shows (ótimos) em dois dias


NOSSO AMOR
Dante Ozzetti/Luiz Tatit

se falei de você
só falei por falar
(não tinha mais de quem falar)
só sonhei com você
pois não pude evitar
(temos que sonhar)
se fiquei com você
só fiquei por ficar
(quem fica fica por ficar)
se aceitei seu amor
aceitei sem pensar
(não sei recusar)
se ainda estou com você
inda estou por estar
nosso amor afinal
não tem nada de especial
não é paixão não é fatal
não é assim essencial
nem é só sentimento
circunstancial
não é tanta coisa
mas é tão legal!
infeliz de quem vem
até aqui me buscar
(quem busca adora rebuscar)
e me vê com você
vendo o tempo passar
(é só o que verá)
sem saber se esse amor
inda vai decolar
(se cola pode decolar)
eu por mim tudo bem
deixo assim como está
nosso amor se tornou
uma história singular
é só calor e se calar
é só compor sem cantar
nosso amor se espreguiça
só quer vadiar
vai passando os dias
sem se entediar
uma das dúvidas típicas
que ficam no ar:
como que um amor
que não quer nada
pode continuar?
nosso amor
não cansa de durar
sempre foi assim
sempre será
não se pode esperar muito disso
mas também por que esperar?
se falei de você
só falei por falar
(não tinha mais de quem falar)
se fiquei com você
só fiquei por ficar
(quem fica fica por ficar)
infeliz de quem vem
até aqui me buscar
(quem busca adora rebuscar)
sem saber se esse amor
inda vai decolar
(se cola pode decolar)

uma amostra das músicas exuberantes que a Ná canta, e como canta!
o que ela canta é bem longe de ser considerado normal. Vi duas virtuoses ou melhor, três em dois dias, uma de brinde: Yamandu, Ná Ozetti, e Alessandro Kramer.
Eles brincam com a nossa inteligência, no ótimo sentido. A dupla de instrumentistas se entrosa tão bem que parece natural, uma sintonia perfeita. Yamandu, eu nunca tinha assistido a nenhum show dele, é algo impressionante, inacreditável, como diria alguém durante suas peripécias: "abusado". E é mesmo, o problema é que depois de vê-lo parece que nada mais apetece, que qualquer um toca nada. Tango, música gaúcha, popular brasileira, clássica, foi delirante. Particularmente, amei o tango, mas num há muito o que comparar. E no fim, cantamos Carinhoso, acompanhados, nada menos que por ele. Quanto ao Alessandro, no acordeon, foi uma surpresa graciosa, eu amo acordeon. E ele manda muito bem, juntos, uma intimidade maluca.
A Ná tive a impressão que durou pouco demais, o que é bom parece que sempre dura pouco, mas nesse caso foi bem nítido. Eu senti falta de algumas músicas que eu conhecia, com o meu modesto conhecimento da obra, apesar de achar o repertório lindo. Claro, seria lindo de que jeito fosse! Ah, e incomparável a voz dela ao vivo, uma afinação inquestionável... só suspiros. Dá vontade de chorar só de ouvir, mesmo que fosse pra cantar Parabéns pra você, não foi à toa que olhei pro lado, e vi minha mãe chorando. Mais que isso, só estando lá.

Resumo da "ópera": muito obrigada por permitir as sensações mais agradáveis que se pode sentir, antes de morrer.
Beijos e beijas

http://naozzetti.uol.com.br/
Yamandu http://www.yamandu.com.br/

De repente...

Estou começando aqui e não sei em que vai terminar.
Se é que vai terminar.
Eu nunca sei, mas sei que começo. Preciso, faz bem.
Alguém me perguntou hoje sobre o que eu iria escrever e eu lhe disse que não sabia. Tornaram a questionar se seria algum tipo de poema.
Não. Definitivamente, não.
Deixo isso aos que sabem jogar com as palavras, que sabiamente criam uma dinâmica dança entre verbos e locuções, figuras e funções da linguagem, que conseguem casar perfeitamente sintaxe, semântica e a estilística da gramática para transcrever suas idéias e pensamentos. Deixo para quem sabe, deixo para os luscos.
Eu não. Eu reúno os sentimentos, emrolo num papel e deixo que as palavras se organizem por si próprias, que elas se responsabilizem.
Hoje a mensagem é pequena, mas é uma brisa boa que a traz. Uma mensagem de paz. [Não, não é um mantra nem uma corrente de internet. E ao final dessa mensagem você não precisará enviá-la a dez pessoas para ser feliz. Seu espelho não vai quebrar, seu cachorro não vai morrer e sua afetividade não será afetada.]
Alívio. Palavrinha pequena, mas de significado extremamente abrangente (permitamos o pleonasmo, por ora).
Boca ressecada, saliva seca, muito calor - um copo com bastante água gelada
Pedrinha dentro do tênis, em plena caminhada - retirar o calçado e se livrar da maldita.
Gases. Barriga inchada. Local silencioso. - chegar no banheiro de casa.
Madrinha de casamento, em pé por horas a fio, sapato alto, bico fino. - sentar e retirar o calçado.
Horas com a bexiga cheia - urinar.
Encontrar aquela pessoa de quem a gente tanto gosta e passou por maus bocados por causa dela - não sentir nada ao reencontrá-la.
Alívio. Sim, alívio total.
Permito-me sondar meus próprios sentimentos e descobrir que sou mais forte do que parecia, ou menos fraca do que aparentava. O que passou enfim parou de me assombrar, e restou apenas um ar puro daquilo tudo que eu respirava. Um ar cheio de memórias, sensações, lembranças de uma realidade tão ilusória, que chego a contestar o quão verídica é. Mas já não importa também. Não faço mais questão, deixemos os mortos descansarem como devem.
Apesar do tempo continuar parado no tempo, aquela atmosfera ruim parece dar os primeiros sinais de fraqueza. Ou seriam apenas minhas expectativas com novas perspectivas? Seja o que for, está me trazendo algo de bom.
Esses dias têm me trazido surpresas. Pedi algo especial e alguém tem me presenteado com isso. De repente, descobri que aquele programa tão esperado não é melhor do que uma boa conversa com quem se tem afinidade. De repente, descobri que uma pessoa que não declara seu amor por mim a todo instante se faz muito mais presente do que aquela que o faz. De repente, descobri que é justamente ela que me faz mais falta. De repente, descobri que aquela amizade não é mais a mesma. De repente, descobri que aquela outra amizade continua a mesma. De repente, descobri que um beijo não substitui outro. De repente, descobri que as virtudes que encantam em uma pessoa é tudo o que ela mais prefere esconder e guardar pra si mesma (e isso eu ainda não descobri por que). De repente, descobri que existem pessoas que nos fazem sentir especiais somente por suas palavras. De repente, descobri que existem pessoas que nos fazem querer mudar. De repente, descobri que a minha essência está voltando ao seu lugar de origem, mas continua dando suas escapadas secretas, provando ser, justamente por isso, essência. Verdadeira, sincera, franca, honesta. Esperta.
De repente, descobri que o meu carrossel de emoções, ora atirando meu cavalinho de alegria para o alto, ora para baixo, deu uma freiada no motor. Não parou, mas dimininui a velocidade. Andava violento demais...
Agora aliviou, sabe-se lá até quando.
Eu nunca sei.
Estou começando aqui e não sei em que vai terminar.
Se é que vai terminar.
a arte faz com que eu me sinta bem
as expressões
a magia, a surrealidade, o acolhimento
algo me faz viva, algo me faz atenta
e principalmente, me faz sentir um prazer permanente
tão confortável que seria impossível sequer imaginar já ter vivido algum momento sem aquele semblante, a sensação de um porquê maior, de não precisar de mais nada, de satisfação

eu penso, sempre penso, porque a tristeza não tem fim
e a felicidade também não,
quando alguma das duas, de sopetão, bate à minha porta
e com muita educação, sempre atendo, mesmo notando que na maioria das vezes não tenha feito nenhum convite formal, ou pedido de urgência nem um sinalzinho com a mão clamando, ou apenas avisando de que me lembrei delas
elas vêm, ouço os sapatos subindo as escadas
me torno impotente, descrente, sei lá, e convido pra entrar
e claro, pra ficar até quando quiserem
- sinto que não faz diferença, elas ficariam até a eternidade se essa fosse a decisão, a favor, ou contra minha vontade
e a graça está aí mesmo, no único fator surpresa: o quando.

não é nada sólido, às vezes as duas damas resolvem brincar
de montanha-russa, de gangorra, ou de balanço
o triste-tristíssimo é o quê-de onde?, o feliz-felicíssimo é o nada-não sei
e vice-versa (já era pra estar implícito o "elegante" traço temperamental, como de praxe, pertencente às nobres fêmeas, e mais do que nunca aplicável à duas maravilhosas zombeteiras de nós*)

pois aí, como que num jogo de luzes, num truque, num blefe, numa cena ensaiada mil e uma vezes
elas desaparecem
e em troca, nada
nada em troca
o vazio do palco, a luz branca, sem gelatina
nenhum cenário, nenhum ator, nenhuma trilha sonora
e você sabe o que isso implica...
nenhum sentimento!
que inexplicável é sentir nada
e não é por falta de vocábulos inventados
mas puramente pelo fato de nada ser nada
e só de isso ser dito, já se tem uma hipérbole

e agora vejo, não nitidamente
que o nada não é o oposto nem da felicidade nem da tristeza
é o oposto da satisfação que é estar em algum canto assistindo ao tresloucado espetáculo das damas mais misteriosas do universo



*nós porque ninguém escapa

segunda-feira, 4 de junho de 2007

Prévia para futuros posts

A pedido, fica aqui um post apenas de observação...uma prévia.

A situação é crítica, caros amigos. Desilusões, frustrações.

Este corpinho que vos fala (e não só ele) está fechado. Só pode!
Mas pegar gripe o desgramento pega...Se abre, se entrega à doença!

Fica a expectativa de uma esperança cega em reverter esse quadro terrível.
E como diria Elza Correa, entre sorrisos de simpatia e expressões carismáticas, em suas campanhas eleitorais: "é possível, e nós vamos fazer!"

...

Episódio para próximos posts. E espero que de fato eles cheguem a existir.

Seja intenso

Seja intenso.
Acima de tudo, seja intenso.
Tenha algo para relembrar, queira, entregue-se, descubra.
Chore, ria, sofra, envergonhe-se, orgulhe-se.
Arrependa-se. Isso mostra que você teve coragem de fazer.
Aprenda. Isso mostra que você é inteligente o suficiente para discernir o bom do mal.
Emagreça. Engorde. Caia. Levante-se.
Pague pra ver. Nem sempre seus instintos te colocarão em problemas.
Creia. Apegue-se em algo. Tenha fé em si próprio e não desperdice seu potencial. Utilize bem seu intelecto, ele não está aí para o ócio.
Arrisque. O limiar entre a vitória e o fracasso é simplesmente uma escolha.
Lições que a vida deixa... triste do homem que se descobre sem lembranças. Tempo passado não se recupera jamais.
Eu quero ter uma história, quero ter algum conteúdo como legado. Estou lutando por isso, aos trancos e barrancos, admito. Uma canção composta ao som de notas agudas e graves, tocadas ora com sensibilidade, ora com tremenda agressividade. Mas a melodia está sendo feita, e o resultado não se pode saber. Mas é certo que, ao fim, haverá o que se ouvir.
Para alguns, intensidade é sinônimo de inconsequência. Para outros, chama-se burrice mesmo. De fato, a intensidade e o juízo não são lá os melhores amigos, mas não quer dizer que necessariamente devam andar separados.
Eu prefiro apostar. Prefiro acreditar, prefiro arriscar.
Prefiro ter algo para lembrar.
Nenhuma amizade é verdadeira se não for intensa, nenhuma paixão sobrevive ser ardor. E por mais efêmera que seja no plano temporal, se for intensa, perdurará no plano emocional. Só quem já se deixou guiar por seus próprios instintos e vontades entende a verdade que há nisso tudo.
Não nos desviemos de nossos conceitos, de nossos valores, de nossas perspectivas. Mas a beleza e a riqueza de uma história se encontram numa razão sensível, que vez ou outra também se apaixona e se entrega a emoção.
E decide viver. Intensamente.

sexta-feira, 1 de junho de 2007

p.s. do texto abaixo: não é pra ser associado à porralouquice, à utopia, à ingenuidade............
um dia tive que digitar, agora foi só copiar e colar
esta é a representação de muito de mim, descoberta há não muito tempo, mas bastante reconfortante e ao mesmo tempo uma renovação de vontade

"...Para evitar a possibilidade que sentem tão próxima - porque na verdade, está "dentro" delas - de atravessarem qualquer mudança libertadora (interna e/ou externa: é tudo uma coisa só) e radical, essas pessoas investem exatamente contra o que as atrai.
Para sustentar a luta, sua consciência se altera, então, como se estivesse sob o efeito de alguma droga poderosa e malígna: apegam-se respeitosamente a prevenções, convenções, tradições, preconceitos, ideologias, códigos estabelecidos, etc. (como a um terreno seguro), embora possam reconhecê-los como irracionais e desumanos e, muitas vezes, os detestem sinceramente do fundo do coração. As racionalizações, evidentemente, não tardam. As pessoas passam a chamar de "bom senso", "ficar na realidade", "com os pés na terra", etc. o que é apenas a sua tentativa medrosa de preservar uma segurança ilusória, continuamente desafiada pela transformação natural e incessante de todas as coisas."

Luiz Carlos Maciel em Fundamentos do Kaos, Jorge Mautner

divagação do desconforto chateado

o sono e o cansaço tiram o discernimento e o poder de reflexão de qualquer um
é por isso, utilizado até em torturas das mais desvairadas, delirantes, alucinadas, alienantes
em estado normal venho me encontrando em um desesperador e, aparentemente incurável, caos interno
agora, algumas horas adentro da madrugada, depois de situações inesperadamente hostis
me tornei cinza, cinza e embaçada, como o carro em dia de frio e chuva
a visibilidade inteiramente comprometida
e como consequência, a sanidade bem aquém da desejada
os óculos não resolvem
a luz é nada
e o cheiro impregnado de gasolina contribui pra somente uma coisa: o embrulho no estômago

me chateei
está óbvio que me chateei
que toda essa porcaria, esse zumbido que na maioria do tempo é o viver humano
me deixou extremamente, inevitavelmente, puta
irritada, pra dizer mais uma vez

mas aqui do alto de meus delírios quero dizer que eu amo,
ou que pelo menos tenho apreço por algumas coisas
que nunca serão poucas, nem pra mim nem pra você
apesar de isso não ficar claro nenhuma vez quando, em meio a uma crise, tentamos lembrar o que ainda nos agrada
a essas coisas, mesmo de imagem agora disforme, me apego sim
pois é o que tenho no momento
e arrisco dizer, o que posso ter nos momentos que viverei
procuro me focar nessas coisas, sem imagem, sem nome
mas que a minha consciência de que elas existem, faz com que eu aja assim
e deixar que elas, somente elas, que são o bombril dos mil e um problemas
me acolham e me façam voltar a lucidez, ao bom humor, à minha linda condição de humana

que as "posi vibes", as quais sinto que realmente existem, por mais riponga que isso seja
insistam em mim, persistam em mim, e devolvam tudo de bom que tenho quando estou feliz
pois estar feliz nem sempre se mostra claro pra nós (a felicidade acontece muito pra a notarmos)
é certo que só não damos por conta disso quando somos muito imbecis
venha Jah, venha Jesus, venha Alá, venha Buda, venha quem quiser
só não venha quem faz mal

[desculpa pelos possíveis erros de português e subjetividade ruim]