sexta-feira, 27 de julho de 2007

O incerto dia do Rock


Vou colocar algo que havia postado no dia 14 de junho, confundindo o dia em que é comemorado o Rock'n'roll. Dia 13 de JULHO é considerado o dia do Rock, e por sinal tinha tudo pra neste ano causar muitas festas, porque caiu em uma sexta-feira. Imagine, esses fatos combinados (dia do rock-13-sexta) e não fiquei sabendo de NADA que pudesse homenagear, ou pegar essa idéia nascida sem dono e criativa por si só, e transformar em algo no mínimo interessante. Foi bastante frustrante aliás essa sexta-feira... Além disso era início do Pan, e mesmo estando bem longe do Rio, sei lá... pensei que pudessem aproveitar essa oportunidade rara, não sei fazendo o quê, mas o fato é que esperava muito, e por fim, levei os canos, nem pra ver o mesmo pessoal nos mesmos bares, nem isso. haha Um assunto bem passado do ponto, duas semanas de atraso exatamente, mas isso aqui não é um jornal! Ainda bem!
Se Maomé não vai a montanha, ela permanece lá e ele pensa que foi bom descansar as pernas.
Mas eu homenageio a Rita, afinal...
E os Beatles pra dar um upgrade digno a esta postagem! (A Rita iria gostar também!)

With a little help from my friends
Beatles
What would you do if I sang out of tune,
Would you stand up and walk out on me.
Lend me your ears and I'll sing you a song,
And I'll try not to sing out of key.

Oh I get by with a little help from my friends,
hm I get high with a little help from my friends,

hm Gonna try with a little help from my friends.


What do I do when my love is away.

(Does it worry you to be alone)

How do I feel by the end of the day
(Are you sad because you're on your own)


No I get by with a little help from my friends,

hm I get high with a little help from my friends,

hm Gonna try with a little help from my friends.
Do you need anybody,
I need somebody to love.
Could it be anybody
I want somebody to love.

Would you believe in a love at first sight,

Yes I'm certain that it happens all the time.

What do you see when you turn out the light,

I can't tell you, but I know it's mine.

Oh I get by with a little help from my friends,

hm I get high with a little help from my friends,
Oh Gonna try with a little help from my friends.

Do you need anybody,

I just need someone to love,
Could it be anybody,

I want somebody to love.
Oh I get by with a little help from my friends,

hm Gonna try with a little help from my friends,
hm I get high with a little help from my friends,
Yes I get by with a little help from my friends,

With a little help from my friends.



14 de junho, 2007
Acabei de baixar por encomenda o CD As Cilibrinas do Éden da Rita Lee com Lúcia Turnbull, e ouvi enquanto mexia por aqui. Como "ontem" foi dia do Rock, (na verdade não vi nada esse ano sobre) fui lembrada por um amigo ontem, eu pretendia adicionar uma letra do CD já citado, infelizmente nem no site da Rita constam as músicas deste CD, só Mamãe Natureza, então...


Esse tal de Roque Enrow

Rita Lee - Paulo Coelho

Ela nem vem mais pra casa, doutor

Ela odeia meus vestidos,
Minha filha é um caso sério, doutor
Ela agora está vivendo
Com esse tal de... Roque Enrow
Roque Enrow, Roque En...

Ela não fala comigo, doutor

Quando ele está por perto

É um menino tão sabido, doutor
Ele quer modificar o mundo Esse tal de Roque Enrow
Roque Enrow

Roquem é ele? Quem é ele?

Esse tal de Roque Enrow?

Uma mosca, um mistério,
Uma moda que passou
E ele, quem é ele? Isso ninguém nunca falou!

Ela não quer ser tratada, doutor

E não pensa no futuro
E minha filha está solteira, doutor
Ela agora está lá na sala
Com esse tal de Roque Enrow
Roque Enrow, Roque En...

Eu procuro estar por dentro, doutor

Dessa nova geração
Mas minha filha não me leva à sério, doutor

Ela fica cheia de mistério Com esse tal de Roque Enrow
Roque Enrow

Roquem é ele? Quem é ele?

Esse tal de Roque Enrow?
Um planeta, um deserto, Uma bomba que estourou
Ele, quem é ele?
Isso ninguém nunca falou!

Ela dança o dia inteiro, doutor

E só estuda pra passar

E já fuma com essa idade, doutor
Desconfio que não há mais cura

Pra esse tal de Roque Enrow
Roque Enrow,
Roque Enrow
Roque En...row


Viva a pira!


A pira está acesa, e à solta! E isso é uma ótima notícia!

Conhecida também como tocha, aqui mais adequadamente chamada de PIRA.

Muitas coisas podem acender a pira, no Pan foi o Lula, claro que ao lado de nossa ministra que tem altas piras, Marta Suplicy. OLha o Lula com medo da pira, essa era uma pira fortíssima!

Num é por nada não, mas o Xuxa é uma pira! (coincidência ou não, que é esse canhão a esta altura do corpo dele?!)
E pra fechar, o Caué. Deve ser uma pira que alguém teve personificada.





Essa esperança que desespera



Acabou a dúvida, sinto raiva.
É um alívio, e uma chance mal-sucedida.
Posso sentir raiva.


Esperando a resposta pra pergunta que criei, feliz e absurdamente ansiosa.
Isto torna possível que ainda exista a dúvida, que a sentença final não tenha sido dada, e que eu possa acreditar na possibilidade.
Possibilidade não, certeza. Acreditar na certeza, senão não haveria graça.
Pensar em uma negativa faz a certeza flutuar, só tira o fôlego por alguns segundos.
Ouço música, pelo ouvido ou dentro da cabeça... eu fico leve.
Até agora tudo foi irreal, imaginação sem gestos, um teatro que leva a ninguém.
Eu penso em frases, leio este texto e sou remetida à músicas do Kid Abelha
me faz sentir mais uma, e nesse caso, é agradável
ser mais um, querendo o que todos querem, odiar a propaganda do carro
"nada nele é óbvio"
me deixa feliz, ser mais um é ser humano
chegar mais perto da verdade e mais longe das leis


Lembro que decidi não pensar mais nisso.
Da última vez me senti ridícula de novo supondo o impossível.
Enxerguei demais naquilo, e de menos naquilo outro e me confundi.
Eu me sinto bem.
Vejo como todos são humanamente frágeis, me sinto confortável, menos inferior.
Me vem à cabeça algo que traz esperança.
Dúvida! Ó, dúvida cruel!
Se me faz longe da lei, permita a insanidade sanar essa maldita, expressando o que quero saber.
É quase um suplício, uma invocação. Um desespero esperançoso.
Essas convenções sociais, um pouco de razão que ainda tenho, o brio.
Nunca é fácil conviver com a hipocrisia, e sem ela é fatal.
Permaneço em confusão, e vou me acostumando a poder cair no abismo.



A Grande Justificativa, sem pedir perdão



tudo o que verbalizo parece clichê
porque de certa forma é
não acho que já tenha sido feito tudo de todas as formas, ou se sentido tudo, ou vivido
mas as expressões vão co-incidindo
ao dizer que tudo parece clichê apenas repito o que muitos já disseram, pensaram
não trago novidades
de onde eu venho, você também veio
as palavras que uso já usou um dia
o raciocínio que tive já foi de outro
inclusive este que à toa tento tirar de mim e passá-lo pra cá - e torna-se irritante e óbvio
e com esforço e incapacidade vejo se transformar no que eu não tenho a dizer

dolorosamente.. ou não, com um sentimento de fracasso
pior que fracasso, insistência no mal-feito
volto e não me satisfaço
não é apenas crítica, autocrítica, exigência elevada, essas coisas
que dizem por aí são inevitáveis nos virginianos, e ditas assim, ficam tão mais babacas
é uma inconformidade
aquelas que quando você vê algo que não concorda, se indigna?
não, é bem menor comparando, chega a ser ridícula
é aquela que quando há algo que você não concorda e quer logo gritar isso
não sabe o que gritar, que voz usar, pra quem, é uma falta de...
uma falta de...
disso!

não é que eu seja dura, absolutamente infeliz com minhas tentativas
eu sinto orgulho quando sai uma coisa legal, e tantas vezes
são coisas estranhas à mim, que não parecem ter vindo de mim...
novamente não sei explicar
até porque não sei se viajei nessa
vou fazer um trato:
eu tento, tento expressar o que for, de mim, ou do vácuo
vocês não cobrem que eu seja o que consegui nessa tentativa
e explicarei quando quiser o que sentir que não ficou sincero


não era bem isso que vim escrever hoje...


quinta-feira, 26 de julho de 2007

divinamentemundana

Qual é a importância deste blog? Qual é o objetivo, a finalidade? Escrever besteiras para os outros rirem? Expressar sentimentos pessoais, relatar acontecimentos? Aprimorar um possível dom para a escrita? Memorizar momentos que um dia deixarão saudades? Talvez seja um pouco disso tudo. Mas, observando-se com atenção, nós que aqui postamos, talvez não nos damos conta de tanto. Talvez para nós seja apenas um lazer, algo que nos apraz e que, de uma certa forma, até nos traz um tipo de orgulho, realização. Sensação boa.
Hoje percebi que um texto meu - uma frase, na realidade - podia fazer a diferença pra mim mesma. Algo que escrevi num momento qualquer, sem dar muita atenção ao conteúdo, mas mais ao que queria expressar naquele instante, hoje serviria de ponto de reflexão pra mim. Consciência crítica, impulso de uma nova postura, encorajamento para uma atitude retraída, medrosa. E aí começo a dar mais valor ao que eu mesma faço e a um espaço criado para se postar um pouco de tudo: de alegria, de questionamentos, de aborrecimentos, de novidades, de comicidades, de vontades (livres ou reprimidas), enfim. Espaço para se postar um pouco da vida.
Acessei meu orkut esta manhã (sim, vício banal), e apareceu na tela o depoimento de uma pessoa querida, escrito há quase dois meses. Eu já havia lido e apagado há muito tempo, mas estranhamente a rede de amigos decidiu trazê-lo de volta, sabe-se lá porquê. Problemas orkutianos. Mas o fato é que o depoimento trouxe algo que eu precisava reler. Dizia algo como:

"Mas a beleza e a riqueza de uma história se encontram numa razão sensível, que vez ou outra também se apaixona e se entrega a emoção. E decide viver. Intensamente."

Frase boba, à primeira vista. Escrevi para um post qualquer, um antigo aqui. Mas li e reli para chegar à conclusão de que não basta apenas eu escrever isso, é necessário ter coragem de viver isso. Senão não faz sentido eu publicar minhas idéias, torna-se uma realidade forjada. Hoje eu preciso ser mais intensa, preciso permitir que minha razão seja muito mais sensível à minha emoção do que à própria razão! É o meu desejo essa noite. Deixar que meus instintos e meus desejos falem mais alto do que minha cautela e meus receios. E, como conseqüência da minha postura, mostrar a certas pessoas que isso vale pena.
Todos os louros ao divinamentemundana. Suspeita para falar? Sou mesmo, e daí?

quarta-feira, 25 de julho de 2007

O Grinch



Dia desses, em conversa com uma amiga, me peguei fazendo uma análise psico-visual de um ser estranho, na tentativa compará-lo a outro ser estranho. Tanta profundidade para dizer que tentei fazer um paralelo entre o Grinch (aquele bicho verde feio e esquisito) e eu (esse bicho fe..ah, deixa quieto essa parte).
Na informalidade da conversa, a amiga perguntou-me porque a minha foto no msn era o Grinch, e eu comecei a discertar sobre o assunto. Na hora em que coloquei a imagem, era apenas para brincadeira, zoação. Mas a pergunta me fez encarar o personagem verde e feio de uma forma mais crítica.
Observei a expressão, as sobrancelhas, os olhinhos apertados. Atentei ao sorriso. Enigmático, curioso, expressivo. Não se sabe se ele sorri pra demonstar alegria ou ironia, raiva. Ao mesmo tempo que tenta ser gracioso, leve, revela uma subliminaridade cruel, uma má intenção velada, mas presente. E acabei me identificando. Não por eu ser uma pessoa maldosa, nem nada do tipo. De acordo com os padrões morais, talvez eu até seja uma uma boa menina. Mas o que me levou à comparação foi exatamente essa mescla de sensações, mistura de expressões e sentimentos que sempre me foi intrínsica.
Como é que se pode estar feliz e triste ao mesmo tempo? Feliz, triste... não, não falemos de sentimentos clichês como esses. Não que o sejam, mas se fala tanto neles que já me parecem um pouco desgastados para o texto. Okay. Como é que se pode sentir o ânimo, a empolgação de uma etapa nova, setindo o desencanto de uma fase antiga? Não que eu ainda esteja presa ao que ficou para trás, mas é como se sobrassem resquícios de um passado que custa em se fazer presente. Passado tem que entender que não é presente, oras bolas! Teimosia!Os tempos se misturam e eu fico perdida entre eles.
Preciso viajar, sumir por uns tempos, talvez ajude. Eu mudei os ares, não muito mas mudei. Viajei. Bem, não foi uma longa viagem, se é que se pode chamar viagem.

Vaca Trash Fashion

Maringá, cidade charmosa, pessoas bonitas, avenidas largas e arborizadas. Um encanto. Uma festa. Uma van.
Chamava-se Vaca Trash Fashion, mas para nós era "festa da Vaca", mesmo. Com um nome desses, não era de se esperar muita elegância e comportamento dos participantes, é claro. A expectativa maior era de diversão e a promessa era de muitas risadas.
Começou pela van. Os quinze passageiros eram dos mais variados tipos. Cabelos arrepiados e punks, shortinhos curtíssimos e meias de ginástica coloridas estilo anos 90, óculos de gatinha extravagante, jeitos e trejeitos estranhos, falas moles, gestos afeminados e comportamentos no mínimo curiosos. Assim, partíamos para Maringá, numa van guiada por um casal de velhos pombos, por assim dizer. Seu Francisco, homem de boa educação e senso de humor (e muito, mas muito paciente e pacifista, como veremos adiante) dirigia o veículo. Dirigia, não. Pilotava. Para Dona Maria, esposa do velho Chico, a van "levantava vôo" quando partia. Cizuda, marrenta. Crica. Ela era chata mesmo, uma ranzinza como há muito não encontrava. Daquelas que não aumentam um ponto no volume do rádio porque "o som já estava estourando os timpo".
Na metade do caminho, os malucos da van já haviam deixado de lado a pouca inibição que tinham no início da viagem. É claro que o suquinho com vodka e as diversas latinhas de cerveja contribuíram para tal comportamento. Uns poucos ouviam música, outro dormia e alguns observavam no que aquilo tudo resultaria. Não demorou muito. Como num piscar de olhos, todos começaram a se beijar, e agarra daqui, que agarra de lá e beija um, que beija a outra, que resolve beijar o terceiro, o quarto, a quinta...e virou um fervo. Eu, rezando para que a religiosa - e cricra - Dona Maria não virasse o pescocinho para trás e tivesse um infarto fulminante vendo aquela pouca vergonha. Onde já se viu? Nos tempos dela namorava-se em casa, com o pai mirando uma espingarda na cara do safado que ousasse pegar na mão. Seu Francisco com certeza era um vitorioso.
Para meu alívio e graças às minhas tantas orações, chegamos em Maringá sem que a velha percebesse o circo que tinha se formado na van. Descemos na porta do bar e foi estabelecido: às 6h, no mesmo local. Não, não. Dona Maria precisava levantar vôo cedo, então cinco e meia era um horário "bom".
Fomos para a festa e antes, parada para um crime às portas da catedral de Maringá. Deus nos perdoe. No bar, a vaca já rolava solta e tudo era muito agradável e divertido. Música boa, gente bonita. Nada do que se encontra por aqui, nesses bares pavorosos e medonhos da João Cândido. Pausa para um McDonalds no meio da madrugada e depois, risadas. Muitas risadas. Dona Maria nos veio com versinhos estranhos do tipo

Homi com homi, mulé com mulé
faca sem ponta, galinha sem pé


E logo os bêbados de plantão começaram a trocar as bolas, inventando galinhas sem ponta, facas sem pé e pontas sem pé, galinhas sem ponta, e assim por diante. Alguém vomitou dentro da van, e a velha crica achou desaforo. Me culpou, quis que eu limpasse! Olhava com ódio para mim, dizendo que daquele jeito não tinha condições! Doida. Para completar, o barraco só estava começando. Passava das 6h e as pessoas ainda não haviam retornado. O bate-boca começou na porta do bar. Dona Maria foi a primeira a resmungar:
_Cala a boca.
_Cala a boca?
_É, cala a boca.
_Cala a boca você!
_Cala a boca!
_Ninguém me manda calar a boca!
_Cala a boca!
A velha discutia com a jovem punk rock e a "responsável" pela van enfim apareceu, para botar ordem na casa... se também não estivesse alcoolizada. Descalça, com os pés imundos, os cabelos rebeldes se encaracolavam suados e desgrenhentos sobre a testa, a maquiagem já borrada. Bem final de festa, quase uma andarilha. Ela surgiu, berrando:
_Eu tô puta. Eu tô puuuuuta! E sabe por quê?! Porque eu perdi meu cigarro! Eu tô puta! Eu tô puuuuta!
Minha maior preocupação diante daquilo era de segurar a gargalhada para não piorar o caos do momento. A coitada estava num estado drástico. Há quem tenha lhe chamado de mulher da vida, daquelas de Copacabana. Achei naquele momento que ela havia sido feita na cozinha do Cross, de onde saem os monstros. Só podia. Dona Maria e a Criatura começaram a discutir, dando gás novo ao barraco.
_Porque se a gente quiser, a gente compra essa van! Porque a gente é rico, a gente tem muito dinheiro! Meu pai é o dono de Londrina! Ele processa isso aqui!
E completava: "Ai, falei. Ai, falei!"
Foi preciso que o calmo Seu Francisco - que a mim já parecia mais ser São Francisco - perdesse a paciência e enfim "levantamos vôo". Uma noite onde aconteceu de tudo, mas valeu a pena. Saí da rotina, era preciso apagar um pouco da memória aquilo que andava me rondando...e me incomodando, já. Teve gente que fez falta. Teve gente que não fez. E espero que não faça por muito tempo.

Ai, falei!

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Pipocas e nuvens


Eu ontem descobri com muita alegria (muita, muita alegria mesmo) que as pipocas possuem uma característica lúdica em comum com as nuvens.
Todo mundo que já olhou pro céu um dia, e espero que realmente tenha sido o mundo todo, viu uma nuvem se mexendo, solta, se desfacelando, leve como um algodão doce, lindo e límpido.
E, se teve a oportunidade, deitou no chão pra observar o movimento celeste, cores e formas. De repente, olhando pra nuvem avistou um dragão, nítido como um desenho, mas tridimensional. Os dentes, a cauda, e tudo mais, detalhados muito bem naquela brancura toda, pedindo apenas pra ser colorido.
Um instante de distração, e ao olhar novamente para o céu o dragão se perdeu.
Buscando sutilmente mais algum companheiro, logo se vê um bolo de aniversário, as velinhas... Olha! Olha lá, um bolo, as velinhas, ali no canto direito!
Não vejo, nem velinha nem bolo... Nossa, um carrossel! Um carrossel! Olha rápido nessa direção, vê? ali começa um cavalhinho...
Tá difícil! Mas logo do lado do bolo tem um anjo, um anjinho daqueles da Fiorucci, sabe? Tenho certeza que esse tá mais fácil de enxergar!

Eu sempre gostei de conhecer lugares, ou de mudar um pouco de terra. Mas nunca fui fã da viagem, do durante, "até chegar lá". Esperar não é bom, ou se aproveita o momento, ao invés de esperar pelo próximo, ou vai ter que sentir a chatice infindável de esperar. Até hoje não gosto muito de sentar em um ônibus pra ser levada até um lugar - mesmo sabendo que o ponto-final dessa espera vai me deixar feliz - com a idade talvez eu tenha aprendido um pouco a não ser tão ansiosa, e a não desperdiçar vida esperando.

Mas voltando às nuvens, sempre que viajava, principalmente de carro, sem querer me pegava olhando pro céu, acho que é meio inevitável, além de fazer muito bem. Quando me deitava no banco de trás - ser filho único traz algumas vantagens - observava pra fora da janela aquele céu azulzinho dividindo espaço (literalmente) com rastros brancos, conglomerados brancos, dependendo do tipo de nuvem. Daí fazia a brincadeira, me parece apropriado chamar assim, de caçar e enxergar coisas nos formatos das nuvens. É engraçado, agora que comecei a pensar nisso, as nuvens são tão branquinhas, dá até pra ter um sombreado aqui e ali por causa das outras nuvens, e mesmo sem grandes contrastes de cores é possível achar desenhos, com detalhes, que parecem perfeitamente verossímeis.

Ontem não tive que esperar em um ônibus nem em um carro, nem avião. Não fui a lugar nenhum. Lugar nenhum físico, porque posso afirmar que viajei. Pra lugares desconhecidos, ou até inexistentes, pois eles passam a existir assim que meu pensamento chega à eles.
Essas são viagens sem precedentes, sem guias, e sem procedentes também. Desafiam as leis da física, as leis morais, aquilo que é registrável e o impossível.
Eu comia pipoca. Após já ter abocanhado vários gramas das, leves como as nuvens, pipocas, olhei para os meus dedos, que seguravam três ou quatro delas e vi um cachorro. À primeira vista me pareceu um poodle, uma pipoca formando seu corpo e a outra, sua cabeça. Não pude me conter, afinal quantas mil vezes já comi pipoca na vida e em nenhuma delas tinha atentado que seu formato irregular podia dar pano pra manga, a manga da imaginação. Corri pra mostrar pra uma amiga, que não me dava muito crédito, meu humor me deixa mesmo em descrédito. Ela disse que não viu nada. O amigo veio correndo pra olhar também, e logo disse: é um poodle!.
Nesse momento fiquei extremamente satisfeita, assim como nas nuvens, alguns enxergam morcego, enquanto outros um palhaço. Mas ter alguém que enxergue o mesmo poodle é sempre muito confortável, um conforto materno, eu diria.
Enquanto mostrava pra primeira amiga, cheguei a enxergar um galo de bico aberto, e quase deu pra formar outras possibilidades. A outra amiga veio ver também, não conseguia direito. O último pediu pra ver o cachorro, e quando mostrei, lá se foi o sonho garganta abaixo: ele comeu o poodle.
Não fiquei triste nem saudosa de nosso efêmero, porém querido cão. Pipocas ainda há muitas. E espigas de milho.

Momento 2 - rir sozinho também pode ser satisfatório

a: - Vai ter essa festa... - mostrando o folheto - essa Dj que fez a trilha do "o diabo veste prada"
b: - Nossa, que massa!
"Dj Collete"
c: - Dj "colete", hahahahaha... use você também!
Entreolhares que dizem "ai meu deus..."

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- Este livro é muito legal, a personagem me lembra muito você
- Ah é?! Porquê??
- Não sei, me lembrou você...
- "Uma jovem que vivia matando aulas."*... puxa vida, lembrou de mim?
- hahahahahahaha
- E é legal o livro? Me empresta?
- Não sei, eu ainda não li...

Lendo a sinopse

- "... levam as-tolas e maravilhosas..."* ... "...levam as-tolas e maravilhosas..." [astolas, astolas, claro, sei o que é astolas] "...levam as-tolas e maravilhosas.." [putz, astolas] "...levam às tolas e maravilhosas..."
Ah, "ÀS tolas", tolas, sim claro.
Achei que estivesse ficando (mais) burra...
desisto!

* com o perdão da modificação do texto original devido à memória

Momento 1 - as confusões estão "pegando"

Ao fundo, a TV, ligada no noticiário

...
- Então, agora eu peguei 50 mil reais emprestado...
- 50 MIL reais??
- ... 50 mil reais?... Eu disse isso? Não, não... 50 reais... quem dera, 50 mil reais...
- Ah tá!...
- Mas então, eu peguei 50 mil reais emprestado...
- hahahahahahaha
- Que foi?

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O noticiário falando do Pan.

- Ai... eu queria muito pegar um nadador de natação...
- Nadador de natação!...

segunda-feira, 16 de julho de 2007

Eva, a Green

Eu estava tonta.
Depois do sonho e do pesadelo, tudo girava.
Ou estaria eu dentro do sonho e do pesadelo? Sonho, pesadelo, realidade...
Sabe-sa lá o que era, só sei que era. E era bom!
E então todas aqueles risinhos à toa, as coreografias com perucas, as danças e cantorias, o humor no filme de terror... tudo fez sentido, por mais insano que parecesse. Inclusive, só assim para a insanidade soar tão lúcida e a luicez parecer tão confusa. Um conflito de incoerências no mínimo interessante.
Comida boa. Bebida boa. Conversa boa. Companhia boa. Até o Circo do Faustão seria um bom programa! E viva a sonhadora Eva Green!
Os próximos posts prometem relatos diferentes e curiosos. E o domingo... o domingo foi uma pira, um bafo**!

**Post dedicado ao meu nobre colega Alcides Constantino.

A noite de Washington

Ele aproximou-se carismático e tentando esbanjar uma certa simpatia que não lhe cabia muito bem. Apresentou-se:
_Meu nome não é muito comum.. Washington. - estendeu a mão.
_Ah, eu conheço vários "Washingtons" - menti, procurando também uma simpatia que não me cabia.
Na verdade, de imediato lembrei-me de meu pai, que em sua "elegância" não admite pronúncias abrasileiradas: é "Washingtân". "Bill Clintân". "Beicân." Bem, não se pode lhe retirar a razão. Nome americano se fala assim, oras!
Mas enfim, voltando ao nosso Washington simpático, tive piedade do coitadinho. Não era um chato de tudo, nem um príncipe encantado. Estava ali apenas para um momento de discontração com os amigos no boteco. Queria interagir... mas o pobre não entendia nada de "interação", suponho. Tentou impressionar pelo humor que, segundo ele mesmo, era uma de suas virtudes.
_Eu estou solteiro, mas não perdi a esperança de encontrar a tampa da minha panela. Mesmo que tenha o cabo meio derretido. - e ria.
Sim, sim, uma de suas virtudes. Imagino se não o fosse.
Conversa besta vai, conversa besta vem. Contou de seus trabalhos como eletricista nas cidades vizinhas, perguntou sobre minha aliança no dedão (o que ele quis dizer com isso hein? hein?! Só faltou questionar meu corte de cabelo!) e etc. O desespero começou a bater. O copo de conhaque suava por fora e eu começava a achar que ele entendia nossa angústia, mas era apenas o gelo que derretia e o resfriava.
"Vire esse negócio de uma vez" - sinalizei, entre gestos aflitos e mudos à colega Sertaneja, para que acabasse com o conhaque...e com aquele momento também.
O pior ainda estava por vir. O simpático - e nada conveniente - Washington não se conteve e chamou os amigos para sentar-se conosco. Tantos humores de cabos derretidos nós não iríamos suportar. Foi nossa chance de escapar. Levantamos de imediato e, aos trancos e barrancos, conseguimos ir embora. Vitória! Não, ainda não.
Saimos na esperança de encontrar um lugar livre de tais situações. Quem sabe gente bonita ou que no mínimo tivesse um senso de humor inteligente... mas tocaram as sirenes de Sillent Hill e libertaram as feras. O segundo bar da noite era um verdadeiro filme de horror, e a melhor saída foi a própria saída.
Uma noite catastrófica, mas que tinha tudo pra dar certo. Um "venho" foi a nossa solução. Risadas, besteiras, calor, sinuca e mcdonalds. Adoro Mc*. E que venha o venho outras vezes.

*Dedicado a você*.

quinta-feira, 12 de julho de 2007

é sempre bom lembrar, ou minha religião é o prazer - uma questão filosófica (e boêmia)

"não tenho dinheiro pra pagar a minha yoga, não tenho dinheiro pra bancar a minha droga, eu não tenho renda pra descolar a merenda, cansei de ser duro vou botar minh'alma à venda, eu não tenho grana pra sair com o meu broto, eu não compro roupa, por isso que eu ando roto, nada vem de graça, nem o pão nem a cachaça, quero ser o caçador ando cansado de ser caça"¹

o dinheiro é um empecilho, particularmente pra mim, apenas mais um
não me lamento, vi poucos lograrem pra uma situação melhor reclamando

qual o sentido? o amor, muitos respondem
me responde por favor pra onde vai o meu amor, quando o amor acaba?²
e daí, o sentido é qualquer um que leve a lugar algum

antes de mais nada é bom não dramatizar, a questão-chave não precisa carregar o peso de se chamar dilema
o tédio, a solidão, os vazios, as dores
principalmente os vazios, que estes sim fazem qualquer um perder os sentidos, os três

repetições, eu as odeio nem sei porque, mas não consigo conviver com elas (e assim mesmo as cometo)
é fato que o novo muda - isso não é novidade
o novo para nós, não para mundo, que tudo vê
muda pro bem e pro mal, os conceitos que sofrem sérios problemas de identidade
são letras, sons, toques, gostos, sensações
vêm dos livros, dos poemas, dos contos, dos sites, dos folhetos
das festas, das rádios, dos fones, dos auto-falantes
das telas, das viagens, lugares, dos rostos, da sutilidade
a sutilidade é sutil até em seu significado
quando ela é percebida, se descobre um novo mundo
o novo mundo

e o dia, uma renovação contínua, pode ser uma renovação?
o que sei é que as promessas, as desesperanças, são todas apoiadas no dia que virá
pode ser que isso seja também mais um motivo do cansaço
mas às vezes o que já é sabido surpreende

"carpe diem", "faça valer a pena"
...
nada
momentos duram anos, segundos, vidas engarrafadas
aprender, apreender, como diria a Prof. de Português,
correlacionando os fatos... pra reaprender
influências e tatuagens não se desfazem, podem ser encobertas, singularizando ainda mais seus desenhos
é algo lisonjeador ser o espelho do mundo, traz feiúras, belezas, vergonhas e orgulhos
é instigante sim, e me lembrem sempre que eu esquecer!

é sempre bom lembrar que um copo vazio está cheio de ar
é sempre bom lembrar que o ar sombrio de um rosto está cheio de um ar vazio
vazio daquilo que no ar do copo ocupa um lugar
é sempre bom lembrar, guardar de cor
que o ar vazio de um rosto sombrio está cheio de dor
é sempre bom lembrar que um copo vazio está cheio de ar
que o ar no copo ocupa o lugar do vinho, que o vinho busca ocupar o lugar da dor
que a dor ocupa a metade da verdade, a verdadeira natureza interior
uma metade cheia, uma metade vazia, uma metade tristeza, uma metade alegria
a magia da verdade inteira Todo-poderoso amor³


¹Zeca Baleiro
²Chico Buarque
³Gilberto Gil, preferencialmente cantada por Chico

p.s.: cultura de fácil acesso está me deixando (mais) louca, livros de bolso, wikipedias, albergues...

terça-feira, 3 de julho de 2007

Ácido

Agora só falta você
Agora só falta você iê-iê




É. Bateu. Bateu...bateu! Bateu, bateu, bateu!
Todo mundo rindo a toa.
Dançando, cantando.
Achando graça de filme de terror
Fazendo coreografias com perucas!
Felizes, risonhos.

...

Alegria para poucos.
Quem tem sangue ácido fica assim, no veneno.

Eu tive um sonho...

A lei é uma só: mudar ou mudar.
Quem não muda, sofre as conseqüências. E elas vêm...silenciosas, traiçoeiras, sorrateiras...mas vêm.

Eu tive um sonho ruim. Tudo era muito frio, sem cor, sem vida. Paredes geladas, janelas parcialmente fechadas, frestas de luz que, com muito custo, conseguiam trazer um pouco de claridade a tanta sombra. Nos longos corredores, barulhos perturbadores, passos apressados, as rodinhas estridentes de uma maca, o eco de uma tosse forte, que revela a fraqueza de um corpo cansado.E em meio a isso tudo estava eu, mas não parecia que era eu! Sonhos são sonhos... Alguém frágil, entregue, rendida ao desânimo, olhos opacos. Nem de longe havia aquele brilho que tanto falavam, que um dia chamou a atenção em alguém. Apagados olhos brilhantes. No sonho, passaram-se dias daquela forma. Pessoas preocupadas, visitas constantes, cuidados médicos, uma internação necessária. A comida completamente insossa, sem gosto, sem nada. Tudo parecia tão real que as dores das várias agulhadas que recebia para coletas de sangue, exames, soro e afins eram agudas e deixavam marcas. Sentia rasgar a pele. Sentia ferir o corpo, machucar. Sentia as conseqüências do meu próprio desleixo por deixar chegar àquele quadro.
Da doença, falavam se tratar de uma tal de acetocidose. Mas isso era o de menos. Maior que a acidez presente no sangue era o medo. Sim, medo de tudo. Medo de dormir, de comer, de deitar, de não levantar, de não ouvir, não falar, não saber, não sorrir. Medo de perder quem se tem. Medo de perder quem ainda não se tem. Medo de um futuro inexistente, de sonhos que podem não se cumprir. Medo de expectativas vãs.
Eu sempre achei esse negócio de dar valor quando se perde algo um tanto clichê, ainda que fosse verdadeiro. Mas me enganei. A perspectiva da perda, do fracasso, é mais intensa do que aparenta e nos leva a um estado de reflexão profunda. Percebe-se a importância de uma vida inteira num breve limiar de tempo. Então eu preferi dormir...dormir...dormir. Dormir para não pensar. Dormir para viver sem receios. Mas uma hora eu teria de acordar.
Despertar de consciência! Epifania! É sempre bom reviver Clarice.
Coisas pequenas, detalhes despercebidos. Uma carreira de formigas que se alinham sobre um tronco, um dia ensolarado, as cores de um painel, a música suave tocando ao fundo, o tempero do feijão de casa, o vento batendo no rosto, mostrando que tudo se move e o tempo não para. Presentes que a vida nos dá.
No final, descobri que não havia sonho algum e tive de encarar que aquela nada mais era do que a minha realidade. Nem cruel, nem árdua. Nem dura, nem severina. Nem alegre, nem tranqüila. Mas minha. E a minha realidade não é nada doce, com o perdão da ironia. Mas também não é amarga.
Só quem perde sabe também ganhar e eu, ganho tempo. Ganho chances. Ganho novas oportunidades. Ganho luz, ganho fé, ganho vida. E isso eu não posso perder.

segunda-feira, 2 de julho de 2007

não sou a mesma, quem é ela?


me perdi

passam passadas passageiras
Pessoas
trejeitos, risinhos contidos, risinhos roncados, risadas escandalosas
vozes fanhas, afeminadas, suaves, irritantes, moles

entonações expositivas do pretendido e do nem sonhado desconhecido

falta de vírgulas falta de exclamações, excesso de exclamações
!dúvidas, muitas!
vocabulários efusivos,

exageradamente vazios,

desnaturais

a mão na boca, o andar com pulinhos, o cabelo na boca, a boca
a r r e g a n h a d a
entortando pro lado

com a testa franzindo

o olhar desolado

o tom na voz indócil subserviente calmo

o livro, a corrente ideológica, a corrente ideológica?
liberdade, autorias e citações só em seminário da faculdade

a rima insossa, sem querer

com muita graça agora, com silêncio constrangedor agora


a música que demora anos pra ser digerida,



a que não traz interesse, mas às vezes diversão

um corpo, muitos órgãos, células, cabelos
mistérios da meia-noite
meia-noite e um, meia-noite e vinte e sete, quatro e cinquenta
o troco se exige, nem se confere
o arco-íris não tem sete cores

os números são complexos pessoais, sabia?

eu me perdi
você passou, você está, você ainda está, você nem lembro, você
vo-cê v-o-c-e-^
estranho e amigo
me perdi em vocês

excesso de vírgulas

in off, tudo que odeio em mim

engolir tudo
conhecimento
vontade latente
curiosidade aflorada
novidades antigas tão legais
pessoas diferentes
saber, saber, ver, viver

sono
morte
vazio
noite
pra quê? porque?
sentido

sentindo muito
sentindo muito mal
sentindo bem
sentindo muito!
só pena

lamentação...!
beleza ali
levanta
procura
complexidade nenhuma
a centelha humana?

e o amor?
dói mais?
gangorra da desilusão?

retiro tudo

/infantilidade
mediocridade
consciência
é só um vômito
púrpura/