segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
O Fantástico Mundo de Bobby
Me recordo que, quando criança, um dos meus desenhos preferidos chamava-se O fantástico mundo de Bobby. Talvez eu me identificasse com ele. Garoto esperto, ingenuamente interessante, um sonhador. Constatar que eu, às vésperas de completar 23 anos, seja semelhante, parece constrangedoramente desanimador.
Mas de que posso queixar-me? Sempre foi assim, sempre fui assim! Deitava na cama e antes de dormir passava horas imaginando histórias, situações, pessoas, idealizando um futuro que jamais chegaria. Mas era bom... alimentava o espírito criativo. Talvez isso tenha fomentado esse lado “escritor”, voraz por palavras, expressões, idéias. Há de se ressaltar o lado bom das coisas.
Contudo, quando se perde o sono pra imaginar o inimaginável, é preocupante. É claro que eu queria que aquela pessoa saísse do meu imaginário e estivesse realmente ao meu lado, tocando suavemente o meu cabelo. Claro que eu gostaria realmente de estar trabalhando numa cidade inglesa fria e encantadora. Claro que seria extremamente gratificante se eu estivesse cantando e pregando para um jovem e não apenas lembrando de um passado que consolidou minha espiritualidade. Claro, claro, claro! Mas há momentos em que se deve pensar na realidade fria e sensata da vida.
O ano está chegando ao fim e me faz pensar o que de produtivo aconteceu ao longo desses 12 meses. Teoricamente eu deveria ter me tornado uma pessoa melhor, mas não sei se na prática isso se concretizou. Trabalhei muito, me diverti muito, extravasei, me resguardei. Foram muitos altos e baixos, mas comigo sempre é. Meu emocional não se mantém numa conduta estável e duradoura, sólida. Ele custa em me cansar, sempre vacilando e querendo se meter no que não deve. Eu já pude concluir quão estúpido ele é. Erra, erra, erra e continua errando. Parece não aprender até onde é seguro andar, sem cair ou tropeçar. Mas hei de culpar um coração imaturo ainda, inseguro, aventureiro? Por mais desastroso que pareça, ele ainda tem muito a conhecer, conquistar. Não, não é hora de auto-flagelações.
Mais um ano virá, e com ele novas metas e promessas. De tudo, posso dizer que o ano que se vai deixa algumas lições que merecem ser valorizadas.
Falar nem sempre é melhor do que se calar.
Sentir é melhor do que imaginar.
Sonhar é menos arriscado do que viver.
Covardia pode ser um tipo de respeito excessivo.
Coragem pode ser um tipo de ousadia imprudente.
Tudo em excesso não faz tão bem, inclusive a prudência.
Pensar demais é equivalente a fazer de menos.
Lições de auto-ajuda, psicologia barata? Pode ser. Mas apenas acredito que minha trajetória este ano poderia ser outra. Se não tivesse afrontado meus pais para dar aquela carona, não teria aquele beijo pela última vez. Se tivesse bebido duas doses a menos, talvez não teria falado demais e quebrado o encanto que se construía com aquela pessoa. Se tivesse sido mais responsável, não teria parado no hospital mais uma vez. Se não estivesse olhando para o rádio, não teria batido o carro. Se tivesse desistido da faculdade por causa das inúmeras noites de cansaço, não teria orgulhado meus pais com a nota da banca. Se tivesse me deixado levar menos, não aceitaria passar aquela noite fora. Se fosse mais ousada, talvez aquela outra pessoa não teria roubado a cena, e também não seria tão feliz como é hoje. Se tivesse respeitado menos, não passaria horas imaginando como seria aquele um minuto – simplesmente um – com alguém que me extasia e fragiliza simultaneamente.
Não importa mais os outros, se uns são francos demais, uns mais volúveis, mais sensatos, mais irônicos, mais confusos, mais amáveis, mais instáveis, mais confusos, mais covardes ou corajosos. O problema está comigo. Ano de olhar para o próprio umbigo, assistir menos tv e deixar de lado, pelo menos um pouco, o Fantástico Mundo de Bobby.
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
som sal
Aumentar o volume do rádio do carro.
Um ponto a mais, um nível de prazer mais alto.
Colocar mais sal na comida.
Uma pitada a mais, um nível de prazer mais alto.
No auge, qualquer passo em falso pode fazer o gozo virar dor.
E quando você se acostumar com o nível extrapolado, é a loucura que virou sanidade?
O que que tem de tão agudo nesse instante-gozo que sempre parece que nunca irá se repetir? Como o seu instante seguinte pode se tornar tão desprezível?
Eu queria só mais um grãozinho de sal. Eu queria aumentar mais dois pontos do volume.
Mas eu nunca sei. Será que isso vai mesmo satisfazer a minha vontade?
Será que eu posso ficar mais satisfeita se sufocar essa vontade até o último suspiro?
Quando sim, quando não. Às vezes eu prefiro desligar o rádio, abdicar da minha parte na porção da batata, cortar o problema no cerne.
Eu sempre quero ir embora.
A roupa - que já não tem mais lugar
Eu pendurava a roupa limpa no varal, dessa vez com a sua ajuda.
Mas me parece que há um cesto cheio de roupas imundas e que elas estão em tempo de mofar. Elas vão se acumulando faz meses. Às vezes, eu tiro um par de meias e ponho de molho, e então você resolve esfregá-lo um pouco. Com um pouco de sorte a gente o enxagua e põe no varal. Mas assim como os ovos de tartaruga que vingam, as peças que têm a chance de chegar no varal são muito raras.
Você até aponta, por acaso, uma blusa que está abandonada em meio àquele bolo. Eu olho pra ela, puxo, vou tirando seus amassados e vendo ela se formar sozinha, agora como uma blusa, e não como um trapo indecifrável. Você me ajuda. Com ela na mão, faz sobressaírem seus detalhes. É quando geralmente nos distraímos com uma roupa nova, já passada, que se coloca em nossa frente.
Sem perceber a outra blusa cai no chão, e em algum tempo ela volta ao seu anonimato de antes.
As roupas recém-batidas na máquina de lavar esperam por mãos que as estendam.
Em silêncio, espero as suas.
Vou sozinha, a esperança está mais cansada do que eu.
Era um varal grande, meio caótico, como o próprio sonho. O que eu sei é que dessa vez, você estava lá. Bem do meu lado, pendurando também. Tinha até um lance com os prendedores que não consigo lembrar agora. Típico de sonhos.
domingo, 7 de dezembro de 2008
Não vá ainda - Zélia Duncan

segunda-feira, 27 de outubro de 2008
Samba Juliana, samba!
A partir disso, vários momentos interessantes. Uma quarta-feira de teatro, risadas e muitas pérolas - mas não iremos debochar do pobre ser, são apenas "infatalidades" que ocorrem. A quinta foi muito mais tosca do que a quarta, cheia de muamba e ritmos de manos, com direito à "maestra", revelações sobre a famosa "esquerdinha" e coros desafinadíssimos e engraçados de um trio que, berrando no carro de madrugada, acreditava ser cover dos Los Hermanos. A sexta-feira foi de aventura, com perseguições caninas e pneus furados. Pobres cães defensores da região nobre da cidade. O sábado ia bem, com programas normais e tranquilos, até o primeiros raios de sol aparecerem e o festival de surpresas começar. Uma chorando daqui, a outra rindo de lá. Desconfiômetro, nem sob beliscões e chutes. E pensar que este ainda era o apenas o sexto encontro.. a partir do décimo paramos de contar. O que não parou foi o besteirol. Não vai parar nunca! Nunca, nunca, nunca! Ainda bem.
Poucos dias foram suficientes para perceber que ela se contradiz a todo instante, tem isso por esporte. Provocação, insensibilidade, egoísmo. Imagine que sua sorte preferida do orkut é: "quem se apaixona por si mesmo não tem rivais.". Bem egocêntrica. Agressiva e inconveniente. Dois minutos ao lado de alguém e vem o primeiro bocejo. Mais dois, e o segundo. A partir disso, aumenta-se o número de bocejos na proporção de que diminui o tempo. "É porque você me dá sono, o que eu posso fazer?" Bem direta. Aliás, direta, sincera e irônica. Só não se sabe quando prevalece um dos lados.
Apesar de toda a chatice, ciúmes (ai de quem falar da Srta. Lhamas perto dela!) , irritações provocadas, estamos fazendo o possível para confiar. Disseram para ela que dava pra ver "sinceridade" nos olhinhos dela. Desde então, só fala nisso a pobre Juliana. Coitada, ela também não é ruim de tudo. Há um ponto positivo que a salve: o pé é bonito. Há alguns dias fora, purificando-se no Pará, é necessário admitir que está fazendo muita falta. De verdade. As piadas, a presença agradável, a malícia (bem pior do que a nossa, diga-se de passagem), as loucuras, o comportamento imprevisível e instável, o carinho despretencioso, a mão pequena, a franja ridiculamente curta, as reclamações de gente idosa, os dizeres particulares, os ares de "personal" geração saúde.. Tudo faz falta. Eu não me enganei nas primeiras conversas via orkut. Ela é de fato simpaticamente amável. Minha mãe que o diga, é Deus no céu e Juliana na terra. "Madura ela né? Responsável.. e é beeem bonitinha, viu Thiago?" (observe-se de que foi dada uma entonação bem peculiar a este 'beeem bonitinha' de Dona Rose). Quem sabe ela ainda não se torne minha cunhada. Ou tia, né? Vai saber.. interesse parece não faltar. Pretendentes também, não é meu anjo? Linda! Ela fica maravilhosa nas fotos, gente! Em todas!
O importante é que o círculo de amizades está aumentando, amigos. Ganhando ares mais bem humorados e irônicos, também. Fica a ansiedade para que esta temporada em Santarém termine logo e os bons ventos tapajós nos traga de volta a nossa tão estimada Jurupinga, Jujuzinha, Jurubeba, a bella betsa que nos deixa com tanta saudade.
Para fechar o post-homenagem de hoje, fica a previsão antiga de um horóscopo que a gente não tem o hábito de ler, mas que é válido dizer que coube muito bem ao contexto da nossa recente amizade...
"Procure conhecer melhor as pessoas e situações com quem inicia novas interações. A chance é mesmo de relações muito boas acontecerem, mas precisam de uma boa base."
Post pra você, Juju. Pra acabar logo com a curiosidade que você quase não sente e cumprir a promessa que fiz de postar quando você viajasse.
Com todo nosso carinho. Volte logo à nossa roda da malemolência, por favor.
Bacio, bella.
domingo, 26 de outubro de 2008
Pra falar mais dos outros do que de mim
Finalmente momentos de paz após dias e dias tumultuados. Correria, noites mal dormidas - ou quase não dormidas, por assim dizer - cansaço, olheiras, energéticos, coca-cola e café. Tudo para concluir a primeira etapa de um tcc que eu esperava nem conseguir escrever. Com muito esforço e ajuda divina, está saindo aos poucos. Já é alguma coisa.
De repente, surge uma menininha comportada. Estudando, pesquisando.. até caminhando! Quem diria... Dona Rose fica pomposa, cheia de orgulho da filhona! Mais ainda quando vê que invés de sair para botecos, decido chamar as amiguinhas para jogar cancan em casa com a família.Claro, não é sempre. Mas programas mais tranquilos têm acontecido frequentemente. Menos baladas, menos bares, mais reuniõezinhas nas casas dos amigos para jogar jogos e conversa fora. Gostoso assim.
Conversando com uma amiga estes dias, estava constatando essa mudança recente. Talvez ela tenha me aberto os olhos porque "tem a cabeça boa, parece madura né?", como diria dona Rose. Dona, não, só Rose. Continuando, estava a contar sobre minha fase sossegada para ela.. já se foram os tempos de apagões na Joy e de revelar informações após vários sucos de macaco no Jota. Tudo bem que as tais revelações daquela noite fatídica não eram novidade pra qualquer um que lá estivesse, mas eu ultrapassei os limites, admito. Pelo menos foi engraçado...é o que dizem, eu não lembro, pra variar. Além disso, foi-se o tempo também das "acesuras", dores peculiares na mão e papéis que escorregam. Enfim, calmaria. Isso talvez explique o jeito "amarelão" de ser nos ultimos tempos... Há quem diga que é bom, há quem não goste muito da ideia..ou acha que a "ideia" é melhor, sei lá. Eu não descobri isso ainda e acho que nem vou. Apesar de que me disseram que não seria nada mal.. Mas enfim, só sei que é assim. Ou tem sido.
Até quando irá durar essa calmaria toda? Foi justamente por causa do meu "desassosego" que me encantei por aquela pessoa blasé, chatíssima mas charmosa, que conseguiu me fazer esquecer aquela outra pessoa que ficou no meu pensamento por tanto tempo... E mais além conhecer uma outra pessoa que, com um beijo, me despertou um sentimento bom e confuso, masque não teve chances de crescer Pouco tempo depois, um outro beijo reavivou novamente esse lado e - para a minha surpresa - foi dando certo! Apenas um problema: o dar certo era temporário.. só quando estivesse aqui. E cada vez que ia embora, levava com ele uma saudade gostosa, um gostinho de querer mais, de querer logo. Mas de tão longe, não pude sequer idealizar. E depois do desejo de querer que quem está longe ficasse mais perto, sosseguei. Não desanimei, não desencantei. Apenas aquietei. Fico hoje com as vontades. Vontade de me apaixonar de novo, vontade de receber aquele beijo de novo, vontade de dormir abraçada de novo, vontade de receber cafuné, de voltar atrás e fazer alguma coisa diferente, vontade de fazer aquela pessoa entender o que realmente quero dela - o que talvez seja bem diferente do que ela pensa - vontade de demonstrar o carinho especial que eu sinto por tantas pessoas, algumas delas muito especiais... enfim.
Mas meu tempo aqui está acabando, como é que faz então? Até metade do ano que vem as coisas vão mudar mais ainda. Inclusive a cidade.. a vida na capital (linda, bela e fria!) não deve tardar, e hoje eu já começo a refletir e sentir um certo medo, receio do que há de vir. Deixar para trás pessoas que convivem diariamente comigo, que me fazem rir com piadas inteligentes, com dancinhas peculiares, com estresses por causa de mesas de sinuca ocupadas, com ironias e jargões "chatos e desagradáveis". Ou então que me emocionam com músicas no meio da madrugada e provas de amizade nos momentos menos esperados. E as paródias? Tome, tento fique esperto hoje não tem...Ritalita? Congelada?! Que exagero! Quem vai arrumar um trident quando pedirem um tic tac pra colocar no cabelo? E entonar "mas é o morro do pau da bandeira" lembrando da belzebu que come gente morta? Quem vai tirar foto mostrando o "pomo-de-Arão"? E vai chorar qdo lembrar de mim no hospital? E pior ainda, quem vai rir descaradamente de quem chora por lembrar de mim no hospital? Pra quem eu vou dizer que "obti" êxito numa eventual "infatalidade"? Quem vai fazer draminha e dizer que a vida é uma ironia? Pessoas que me completam...
E dona Rosimei? Vou deixar de ouvi-la brigando com pombas porque as pobres insistem em fazer ninho na varanda dela. E lembrar das pérolas da cenourinha.. senhorinha, não! E não estar mais junto sempre pra dizer carinhosamente que a Cá esquenta a mãe..pra ouvir um ríspido "casquenta é você!" E o Tunka? O Tunka tem ração.. tem razão nada! É complicado.. mas eu vou sentir falta dela brigando comigo e logo em seguida pendurada no meu pescoço me chamando de cheirosa só pra agradar.. mesmo que depois me venha com papos de "sandalhinhas" pra lá e pra cá... Quem vai fazer bolo de fubá com goiabada pra mim? E o velhinho, tio Henrique? Falando pra mim com os olhinhos marejados depois de ganhar copinhos de cristal no dia dos Pais.. "eu choro, hein?" E a lagriminha resistente e machona, escapando no cantinho. Família...Um dia dedicarei um post só a ela. Beeem merecido!
Deve ser o clima de tcc, amigos! rs
sábado, 18 de outubro de 2008
Come away with me
Sim, há muito eu não faço isso com vontade de verdade, quanto tempo sem idéias, sem expectativas, com sonhos apagados.
Esta noite a chuva cai mansa no telhado ao meu lado, respingando leves pingos no vidro da janela. Eu olho lá fora, não há nada além de escuridão e água.
Aquela boa companhia estava comigo há poucos instantes, sendo pela primeira vez direta e sincera ao mesmo tempo. Sem ironias. A gente nunca sabe quando ela fala com seriedade, mas hoje tanta serenidade pareceu demonstrar honestidade também.
Agora, ouvindo a suave melodia de Norah, cantando Come away with me, sinto meu corpo estremecer, como se fosse levado pelas notas tão mansas que ela faz questão de entonar...
É quando o pensamento se perde, vagueia, um pouco tonto, perdido. Talvez seja fruto de uma inconsequência cometida esta mesma noite. Um crime não criminoso, inofencivo. Nada qe causasse mal a qualquer pessoa, ou até mesmo a mim. Junto com ele sentimentos estranhos, a impressão de que nada poderia mudar o que sinto agora. Não é tristeza, não é alívio, não chateação. De repente, ficou tudo tão confuso, que me esclareceu o que na realidade era óbvio.
And I wanna wake up with the rain
Falling on a tin roof
While I'm safe there in your arms
E com a música, lembranças, vontades..
A chuva bate na janela e me traz o desejo de ter alguém de novo. Ou um novo alguém.
A sensação é indescritível, contraste do vazio com o repleto, da dúvida com a certeza, da vontade com o repressão, da coragem com a fraqueza...
E os questionamentos? Por quê? Deveria? Seria justo? Perco? Ganho? Até quando?
E eu só quero acordar com a chuva batendo sobre o telhado..
E me sentir segura em seus braços
Preciso ir embora.
Ir para longe, para o frio, para onde eu possa encontrar os tais braços que me deixarão segura e aquecida. Onde eu possa entender que minha mente não conhece nada, e meu coração sabe menos ainda.
Deixo que a suave chuva continue a cair docemente, levando embora meus pensamentos vãos.
Sem legendas, sem significados. Apenas para constar.
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
A Amy e o monopólio

bem rica, Amy!
Não tenho mais tempo.
Eu não sei cantar as letras da Amy.
E eu não acredito como pode alguém escrever letras de músicas tão difíceis para mim!
nenhuma linha, eu passo sem ficar confusa!
Eu estou me esforçando, mas acho que quando eu descobrir os absurdos que ela está contando, vou preferir não repetí-los perto dos nosso homens de bem
Vi na TV, dizem que ela tem algumas overdoses por dia, e que ela não tem dignidade
Ai, Amy, talvez você seja uma santa, ou uma doença do século
ou um fenômeno criado para recobrarem a moral e a ética da nossa patética sociedade
o que importa é que você incomoda
I should just be my own best friend,
Not fuck myself in the head with stupid men.
He walks away,
The sun goes down,
He takes the day but I'm grown
post [leviano, porém sincero] dedicado à Xuxuliana
quarta-feira, 2 de julho de 2008
Uma noite no Jota
O casal sentou-se na mesa ao lado, a mulher visivelmente abalada, o homem aparentemente calmo. Estava para servir de conselheiro, certamente.
Uma cerveja, uma porção de mandioquinhas. Não, mandióca. No Jota elas recebem acento agudo, sabe-se lá por qual razão. Talvez sejam diferentes das outras, mais fortes, mais fritas, mais duras, mais ocas, mais ócas. Bobagem, deixemos de lado a famosa mandióca do Jota.
Após o primeiro gole da Boa, e começou o discurso. Sutileza de minha parte. Começou mesmo foi o lamúrio. Muro das Lamentações! E o martírio era meu, na mesa ao lado, tendo que ouvir o drama vivido pela loira desvairada e ainda tendo que “curtir” uma estranha intérprete de Tim Maia chorando “Gostava tanto de você” como trilha sonora ao fundo. Ir ao bar em plena segunda-feira às 18h30min, sozinha, dá nisso. Depressão.
Sem escolha, me aconcheguei para entender a triste história da vizinha de mesa. Estava aflita, batia as mãos sobre a mesa, inquieta.
_Eu vou acabar com a vida daquela gorda! Vou mandar ela pra cadeia! É o que ela merece! Coitada.. não sabe onde meteu o rabinho dela! Brincou com fogo, Marcos, com fogo!
Ditos populares. Apurei os ouvidos para escutar onde aquilo ia parar. Parecia novela do Manoel Carlos. A ilustre colega da mesa ao lado esbravejava, dona de si. Chamava a suposta rival de gorda, velha, louca. Cheguei a pensar que estava se autodescrevendo, mas as mulheres ficam cegas quando estão envolvidas pelo ódio. Estava fazendo esta reflexão, quando outro som me despertou. Pequenos soluços de choro.
Era a segunda parte da história. O momento de fraqueza. O tal Marcos estava lá para aconselhar, mas poderia ser uma estátua. Não lhe restava oportunidades para abrir a boca. E vinha conversa:
_Eu chorei ontem o dia inteiro, Marcos. Você acredita? O dia inteiro! Passei a tarde sentada na privada, trancada no banheiro, chorando – e mais lágrmas. Aquela desgraçada não sabe o que me causou. – pausa para o choro – Mas ela me paga...
E voltava a se enfurecer. Apertava os olhos de raiva. Num breve instante de silêncio, o conselheiro entrou em ação. Era a grande chance de falar algo que ajudasse, então tomou a palavra, confiante:
_Calma... a vingança é um prato que se come frio!
De fato, uma estátua ali seria mais útil. Sem dar ouvidos à preciosidade dita, a mulher abriu a bolsa e começou a remexer no interior. Parecia procurar uma arma, mas retirou apenas o celular. Mulher nervosa quando pega o celular é um perigo. A coisa ia ferver.
_Alô? É a desgraçada que está falando? Olha aqui, sua vagabunda, eu sei que você sabe muito bem quem está falando. Eu só estou ligando pra dizer que eu vou fazer da sua vida um inferno. Você está entendendo? Um inferno! Você tinha um emprego, você tinha uma casa, porque agora eu vou destruir a sua vida! – falava com uma estranha e controlada frieza mesclada à pequenas explosões de excentricidade – Você acabou com 20 anos de união, sua vadia. Você não sabe o que me causou! Só que agora pode andar com os olhos na nuca, na testa, porque eu-vou-fazer-da sua vida-um-inferno. Um inferno. – falava pausadamente – Eu vou mandar você pra cadeia. Está bem? Pra cadeia, que é o seu lugar.
Desligou. De som apenas o Zé Ramalho ao fundo cantando Vida de Gado. Poderia ser vida de corna, na verdade. E o tal Marcos ali, mumificado. Ela sorria, satisfeita. Soltou uma gargalhada desesperada e que estava aparentemente contida. Irônica, na realidade. A vida é uma ironia, já dizia uma querida amiga entre filosóficos e artísticos passos de ballet em frente ao R.U.
A psicopata ria frenéticamente, e eu achei melhor me retirar. E pensar que era só o início da vingança.
A vingança – PARTE II
A partida de sinuca se realizava calmamente entre as duas amigas. Tudo corria muito bem, momento feliz, de confraternização e lazer. Logo pediríamos uma gelada, como de costume, e brindaríamos a qualquer coisa* que nos fizesse bem. .. se algo não nos bloqueasse.
Eis que surge Omar. Omar é grande e tem várias coisas que o “surpriendem” também. Mas tem horas que ele se sente pequeno. Ainda bem, porque ele não tem motivo nenhum pra Ta se achando! Isso é pra poucos.
Pra não haver problemas, colocamos as aliancinhas. Estávamos namorando, não sei com quem, mas estávamos.
Quem mandou Omar querer todas? Vingança é um prato que se come frio.
A vingança – PARTE III
Na mesa de sinuca, o duelo entre dois assíduos frequentadores do bar. Ambos pareciam levemente alterados, talvez alcoolizados, talvez apenas bem humorados. Mal vestidos, barba por fazer, roupas sujas, furadas.
Entre tacadas, erros e acertos, surge a expressão preferida da noite, pronunciada com ênfase:
_Ah, meu amigo, a vingança é um prato que se come frio!
Risadas. E o amigo maltrapilho e com cara de pobrezinho, confirma:
_ La vendetta è una piastra che se mangia il freddo!
Cultura de bar. Riquíssima.
E nói, estudanti di finu tratu, mar sabemu falá brasilero.
terça-feira, 1 de julho de 2008
O dia primeiro
Hoje é dia 1º de julho, apesar de eu não estar muito a par de datas.
Fui ouvir Cássia Eller pra tomar banho, um cd que eu não escutava há muito tempo.
E tem essa música, que eu gosto bastante, do Renato Russo.
Chorei cantando ela hoje, será que é tpm?
haha
Não, não, é bem mais duradouro.
1° de Julho(Renato Russo)
Eu vejo que aprendi
O quanto te ensinei
E nos teus braços que ele vai saber
Não há por que voltar
Não penso em te seguir
Não quero mais a tua insensatez
O que fazes sem pensar aprendeste do olhar
E das palavras que guardei prá ti
Não penso em me vingar
Não sou assim
A tua insegurança era por mim
Não basta o compromisso
Vale mais o coração
Já que não me entendes, não me julgues
Não me tentes
O que sabes fazer agora
Veio tudo de nossas horas
Eu não minto, eu não sou assim
Ninguém sabia e ninguém viu
Que eu estava a teu lado então
Sou fera, sou bicho, sou anjo e sou mulher
Sou minha mãe e minha filha,
Minha irmã, minha menina
Mas sou minha, só minha e não de quem quiser
Sou Deus, tua Deusa, meu amor
Alguma coisa aconteceu
Do ventre nasce um novo coração
Não penso em me vingar
Não sou assim
A tua insegurança era por mim
Não basta o compromisso
Vale mais o coração
Ninguém sabia, ninguém viu
Que eu estava ao teu lado então
Sou fera, sou bicho, sou anjo e sou mulher
Sou minha mãe e minha filha,
Minha irmã, minha menina
Mas sou minha, só minha e não de quem quiser
Sou Deus, tua deusa, meu amor
Baby, baby, baby, baby
O que fazes por sonhar
É o mundo que virá pra ti e para mim
Vamos descobrir o mundo juntos baby
Quero aprender com o teu pequeno grande coração
Meu amor, meu amor
segunda-feira, 9 de junho de 2008
Corinne - ver e ouvir
é preciso ouví-la!
insubstituível, apesar das letras
aproveito pra conhecer agora também, e dá vontade de chorar...
Like a star - Corinne Bailey Rae
quarta-feira, 28 de maio de 2008
Cat Power
Maybe Not
There’s a dream that I see, I pray it can be
Look cross the land, shake this land
A wish or a command
I Dream that I see, don’t kill it, it’s free
You’re just a man, you get what you can
We all do what we can
So we can do just one more thing
We can all be free
Maybe not in words
Maybe not with a look
But with your mind
Listen to me, don’t walk that street
There’s always an end to it
Come and be free, you know who I am
We’re just living people
We won’t have a thing
So we’d got nothing to lose
We can all be free
Maybe not with words
Maybe not with a look
But with your mind
You’ve got to choose a wish or command
At the turn of the tide, is withering thee
Remember one thing, the dream you can see
Pray to be, shake this land
We all do what we can
So we can do just one more thing
We won’t have a thing
So we’ve got nothing to lose
We can all be free
Maybe not with words
Maybe with a look
But with your mind
But with your mind
segunda-feira, 28 de abril de 2008
O que você gostaria de fazer agora?
Eu queria muitas coisas hoje, mas quase tudo está fora do meu alcance. Não porque sou incapaz ou algo do tipo, mas simplesmente porque não dependem de mim.
Agora mesmo, eu só desejaria escrever isso em paz, ouvindo tranquilamente a Norah cantar , tomando meu café. Mas o telefone toca e interrompe as idéias a cada palavra digitada. Não há inspiração que resista.
Esta manhã estava fria, outono com ares de inverno se aproximando. A melhor época do ano, a que eu mais aproveito, a mais envolvente. Encantadora. As pessoas se arrumam melhor, ficam mais elegantes. Estação de curtir um bom vinho, comer fondue com os amigos em casa, ficar debaixo do edredon vendo tv, tomar banho quente e beber capuccino. Tempo de céu estrelado e manhãs ensolaradas.
Eu quero que o inverno chegue logo. Quero a "fumacinha" saindo da boca e a ponta do nariz vermelha, as bochechas rosadas.
Quero aquela pessoa deitada no meu colo para fazê-la descansar. Quero fazer cafuné até que durma. Quero tomar vinho seco e jogar baralho. Quero ouvir música ao seu lado e aquecer suas mãos. Quero sair para tomar um café, ouvir suas histórias enquanto fuma seu cigarro. Beber cerveja, jogar sinuca, cantar junto com ela. Quero vê-la dormir. Quero ver aquele olhar desconcertante mais vezes. Apenas isso, nada além.
Quero, mas não posso. E saímos da vida de Dorianas e Unimeds para retornar ao mundo real.
E esse mundo não é tão colorido assim, acho que o de ninguém é. Eu apenas não quero retroceder, me prender a um sentimento estranho e que se contradiz a todo instante, me fazendo mal e insistindo em me dizer que faz bem. Chega de aprisionamentos, um ano e meio dessa forma já me bastou. Agora eu quero apenas o que não posso ter.
Que venha logo o inverno, com todos os seus encantos e surpresas boas, seguindo a linha "comercias de planos de saúde".
domingo, 27 de abril de 2008
sábado, 26 de abril de 2008
pra amenizar a merda anterior
The Mule - The Magic Numbers
How many times must you call me in the morning
before I wake up?
And how many times must I look at other girls
before we break up?
And how many times must you criticise
every single thing that you do?
Before you...
Before you let me know
Before you let me go
You really should have known
And I'm a no-good gambling man with the wrong hand
Who's been hurt so many times
Why don't you look him in the eyes?
Oh, you won't see nothing at all
And how many times must I stumble in drunk
before you scold me?
Oh and why is it that you have to turn out all the lights
before you hold me?
And how many years of fears, of falls,
you broke my balls
Oh, I wish you never told me
But before you let me know
Before you let me go
You really should have known
That I'm a no-good used-up bruised-up fucked-up boy
Who gets beat up by just looking at you
Oh, I'm a lonely soul
Lost every single thing I ever did own
But I could never own you
Go on and look him in the eye
Oh, you just might see him cry
Oh, you just might see him smile
One more drink and I'll be fine
One more girl to take you off my mind
One more drink and I'll be fine
One more girl to take you off my mind
One more drink and I'll be fine
One more girl to take you off my mind
Oh, one more girl and I'll be fine
One more drink to take you off my mind
descontexto
mas tá pegando!
Aliás, pegando fogo? É isso?
Felizmente?
é, acho que não falta nenhum dos requisitos básicos
e... acho que foi esquecimento, preguiça, falta de criatividade sim
e mesmo assim, isso - o tal do divinamente - poderia estar fervilhando
porque não há
não há a falta
o que nunca falta está aqui representado por mim até agora neste textículo:
confusão
mas muita confusão mesmo
sempre sobra muito M também
e eu não estou escrevendo este texto pra ser entendido
acho que alguém já deve ter notado a nova escola literária que está por vir
eu sou da comissão de frente dessa escola! e quem disser o contrário, pode sair lesado
porra! eu não consigo parar com os trocadalhos!
enfim, a nova escola! começa pelo fato de ela ter uma dificuldade em ser chamada de escola, já que não há sistema nem doutrina, mas já se tudo sempre ensina alguma coisa, é uma escola
e eu não vou mais contar da escola, agora que cheguei aqui, onde meu cérebro e meus dedos (no teclado!!!) me trouxeram, como eu nunca tenho destino, nem rumo, nem canoa mas chego a algum lugar, gostaria de dar meu conselho (eu nunca economizo conselhos ou ajuda): não vamos nos arrepender, a vida é uma escola
até aí já foram embutidas várias letras de músicas, viva a cultura popular!
bom, mas é isso, se foi isso que era pra eu vir aqui fazer, está feito
e se não era, é só apagar depois
no mais, me desculpa se o seu tempo foi utilizado para ler isto, mas é aquilo, nada se perde
(sem fim)
sexta-feira, 18 de abril de 2008
Fogo
Na realidade, acontecimentos não faltam, não. Ao menos nos últimos tempos, muita história se tem pra contar, por assim dizer. Vamos agitar esse pequeno espaço, caros amigos. E dar fogo novo ao nosso imaginário, porque pelo menos isso - fogo! - é o que não tem faltado. Definitivamente, não! Felizmente.
sexta-feira, 7 de março de 2008
Quaresma
O post de hoje será meu verdadeiro saco de pancadas, o travesseiro que eu preciso morder, a parede que eu quero esmurrar.
Preciso mesmo descontar o que estou sentindo e para uma pessoa pacífica - ou covarde, seja lá a merda que isso chame - a melhor maneira é compensar as atitudes com palavras.
Poderia escrever por horas, se cada palavra diminuisse a sensação estúpida que há em mim agora. Expressão reprimida, esquecida, sufocada. Aquela que eu deveria ter liberado há muito, desde o primeiro instante em que notei que ao final o resultado seria esse. Talvez não estivesse dessa forma.
Em duas semanas, duas revelações e uma desconfiança. A primeira, uma Traição. A segunda, uma Constatação. A terceira, uma Desilusão. Não há quem suporte tudo numa paulada só. E eu fui guardando pra não explodir, mas hoje eu quero queimar tudo, acabar com essa palhaçada.
Chegar num certo cidadão dissimulado e dizer que a punhalada que me deu pelas costas vai voltar pra ele um dia. Sei lá por quem, mas vai. Tantas vezes manifestei meu carinho, meu afeto, dormiu na minha cama por dias a fio. Quantas vezes meu salário de miséria foi utilizado pra pagar suas coisas? Seus caprichos, suas vontades? Tudo para te agradar, pra te fazer se sentir melhor? E as vezes que ouvi seus desabafos, seu choro contido às três da manhã, para te consolar, e ir trabalhar poucas horas depois? Eu duvidei de pessoas por confiar em você, por esperar de você. Eu fiz de tudo para te ajudar a ficar com quem você dizia amar. Tudo pra você mentir, inventar, se fazer de vítima? Traição, fique com sua infantilidade, eu não preciso dela. De todos, você é o mais desprezível pra mim, agora.
Quanto à Constatação, era mesmo de se esperar. Vindo de quem vem, só podiar dar nisso. Pois fica o meu conselho: ocupe-se com alguma coisa, com a sua própria vida, ao menos. Se é que você é capaz de ver algo além do seu computador, das suas besteiras e do seu mundo imaginário. Ah, você não é blasé. Quer ser, acha "rico". Chique. Um dia você vai perceber que até pra ser blasé é necessário ter algum tipo de conhecimento. Você é pretenciosa e arrogante, Constatação. O meu sentimento secou, já não era sem tempo. Fico eu com a minha repugnância da sua mediocridade. E basta, não precisa mais fazer aquela cara de bunda azeda todas as vezes em que me encontra por ocasião de um destino cruel. A última coisa que eu desejo é permanecer perto do seu ócio valioso. Não me cheira bem, é melhor ficar longe.
Desilusão, desilusão. Marisa Monte que me entenda. Eu tentei te mostrar que era diferente, mas talvez você nem queira meu diferencial. Talvez você queira o que é comum mesmo, o momento, a curtição. Talvez ainda nem tenha existido tempo o suficiente para que você percebesse isso também. Sabe-se lá o que se passa aí, na sua inteligência. É direito seu, não cobro nada, só não posso mais querer me iludir. Gosto do seu jeito de falar, de olhar, de jogar. Gosto do que você escreve, de como se esforça, batalha. Gosto de como cuida das suas coisas, do seu cachorro. Gosto da sua História, queria participar dela, acho. Entrar aos poucos, de leve. Devagar e sempre. Mas sua maneira subjetiva, implícita, não apenas me encantou como me confundiu. Subliminaridades. Não corta e não dá corda. Está tudo okay, chega de martelar em prego sem ponta. E eu que estava aguardando, fico triste por não conseguir, mesmo ganhando. Desilusão. Queria ficar com ela.
Depois de vomitar palavras e letras confusas, emaranhadas num contexto bem complexo para mim mesma, acho que estou mais calma. Já respiro um pouco aliviada, as lágrimas que forjaram uma tentativa de escape, secaram. Como outras coisas em mim também secaram. Mas faz parte.
Faz parte da minha Quaresma, do meu tempo de resguardo. Continuo católica, permaneço fiel. E o meu propósito deste ano não vai se perder, não vou deixar que ele seque junto.
Obrigada, Senhor.
Obrigada...
Obrigada...
Obrigada...
Obrigada...
sábado, 23 de fevereiro de 2008
E eu é que sou a insana.
Eu quero ficar perto de tudo que acho certo
Até o dia em que eu mudar de opinião
A minha experiência, meu pacto com a ciência
Meu conhecimento é minha distração
Coisas que eu sei
Eu adivinho sem ninguém ter me contado
Coisas que eu sei
O meu rádio relógio mostra o tempo errado
Aperte o Play
Eu gosto do meu quarto
Do meu desarrumado
Ninguém sabe mexer na minha confusão
É o meu ponto de vista
Não aceito turistas
Meu mundo tá fechado pra visitação
Coisas que eu sei
O medo mora perto das idéias loucas
Coisas que eu sei
Se eu for eu vou assim não vou trocar de roupa
É minha lei
Eu corto os meus dobrados
Acerto os meus pecados
Ninguém pergunta mais depois que eu já paguei
Eu vejo o filme em pausas
Eu imagino casas
Depois eu já nem lembro do que eu desenhei
Coisas que eu sei
Não guardo mais agendas no meu celular
Coisas que eu sei
Eu compro aparelhos que eu não sei usar
Eu já comprei
As vezes dá preguiça
Na areia movediça
Quanto mais eu mexo mais afundo em mim
Eu moro num cenário
Do lado imaginário
Eu entro e saio sempre quando tô a fim
Coisas que eu sei
As noites ficam claras no raiar do dia
Coisas que eu sei
São coisas que antes eu somente não sabia
Agora eu sei
Agora eu sei
...
Letra de quem curte a erva*
Isso porque no Brasil a Erva é venenosa.
Pensamentos vagos
Vamos, faça alguma coisa, pense ao menos!
A quase cinco horas no mesmo lugar, frio e silencioso, sem nada para fazer. A idéia era trabalhar, mas não deu certo.
Entre cochilos e espiadelas na rede online de amigos, uma tentativa de post e muitos pensamentos vagos.
Coisa gozada essa história de "pensamento vago". Então existe pensamento concreto, paupável, atingível? Talvez realizável, eu diria. Mas no meu caso nem isso é possível.
Eu penso muitas coisas, ou penso que quero muitas coisas. Mas dificilmente penso que poderia atingir essas mesmas coisas. Penso que deveria tentar, mas não penso de que forma poderia agir.
É bem complicado. Coisa de ariano, curioso, cheio de sonhos, vontades, impulsos. Quer começar mas não sabe como continuar. Vale mesmo é a inicitiva, ainda que se perca depois.
Eu ando meio assim. Assim, assim.
Querendo começar, sem saber como.
Olho, espio, fico sondando, na espreita do que quero. Observo, analiso. Admiro. Penso. Mais um pouco. Olho de novo... e vou embora, feliz e frustrada ao mesmo tempo. Coisas de arianos.
Mas, ah, eu não sou esotérica. Nem acredito em horóscopos e numerologias. Mas é interessante conhecer um pouco da ciência dos signos, características, personalidades, perfis.
Chega de besteira. Pensar, pensar.
Pensar pra ver se consigo para de pensar e agir mais.
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008
Mistura fina
Julio Cortázar e CéU
Se for pra entrar na fossa, entra de uma vez. Pode se afogar nas lágrimas, mas que sejam lágrimas de água mineral.
O FUTURO
E sei muito bem que não estarás.
Não estarás na rua, no burburinho que brota de noite
dos postes de luz, nem no gesto
de escolher o cardápio, nem no sorriso
que alivia as lotações dos metrôs,
nem nos livros emprestados nem no até amanhã.
Não estarás em meus sonhos
no destino original de minhas palavras
nem em nenhum número de telefone estarás
ou na cor de um par de luvas ou numa camisa.
Me irritarei, amor meu, sem que seja por ti,
e comprarei bombons, mas não para ti,
esperarei na esquina a qual não virás,
e direi as palavras que se dizem
e comerei as coisas que se comem
e sonharei os sonhos que se sonham
e sei muito bem que não estarás,
nem aqui dentro, o cárcere onde ainda te retenho,
nem ali fora, este rio de ruas e de pontes.
Não estarás para nada, não serás nem lebrança,
e quando pensar em ti pensarei um pensamento
que vagamente trata de lembrar-se de ti.
Subscribe Free
Add to my Page
RESTITUIÇÃO
Se da tua boca não sei mais do que a voz
e de teus peitos apenas o verde ou o laranja das blusas,
como vangloriar-me de ter de ti
mais do que a graça de uma sombra que passa sobre a água.
Na memória levo gestos, essa careta
que me fazia tão feliz, e esse modo
de ficar ensimesmada, com o descanso
curvado de uma imagem de marfim.
Não é grande coisa isso tudo que fica.
Além do que opiniões, cóleras, teorias,
nomes de irmãos e irmãs,
o endereço e o número do telefone,
cinco fotografias, o perfume do cabelo,
um aperto de mãos pequenas onde ninguém diria
o mundo se esconde.
Tudo que levo sem esforço, perdendo aos poucos.
Não inventarei a mentira inútil da perpetuidade,
melhor cruzar as pontes com as mãos.
Tradução de Cassiano Viana - Revista Coyote n. 15
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
23 de janeiro - relatos de uma noite de Gala
Esperemos que a promessa de que 2008 será um ano 10 se cumpra. O fato é que o ano só está começando e já está cheio de intrigas, pequenos desafetos, histórias estranhas, amores mal resolvidos e duvidosos, gente sofrendo por amor, solidão, vilão e mocinho... já dá um script para Manoel Carlos. Românticos Assumidos. Com tanto assunto, 2008 vai virar novela. E se nada der certo eu viro drag!
segunda-feira, 21 de janeiro de 2008
Viva a Bahia!
Primeira postagem de 2008, quase no fim de janeiro,
mas não importa, porque segundo a numerologia 2008 será um ano 10!
Essa música vem a calhar e é muito sensata. Próxima parada: Rio!
Lá e Cá
Composição: Lenine / Sérgio Natureza
Mangueira, Ilê Aiê e viva o baticum
Quando a Padre Miguel encontra com Olodum
Caymmi com Noel, no Tom maior Jobim
A Penha, a Candelária, o Senhor do Bonfim
Irmão São Salvador e São Sebastião
Tamborim, berimbau na marcação
Pontal do Arpoador, final de Itapoã
Meninos do Pelô, da Flor do Amanhã
Diga aí, diga lá
Você já foi à Bahia, nega? Não? Então vá
Diga lá, diga aí
Você já foi até o Rio, nego? Não? Tem que ir
Rocinha faz parelha lá com Curuzu
Centelha, luz, axé que vem do fundo azul
Do céu, do mar, de Maré até Maricá
No reino de água e sal de mãe Iemanjá
É tanta coisa afim, tanto lá, como cá
Tem Barras, Piedades e Jardim de Alah
São trios e afoxés
Blocos de empolgação
De arranco, negro e branco
Tudo de roldão
Diga aí, diga lá
Você já foi à Bahia, nega? Não? Então vá
Diga lá, diga aí
Você já foi até o Rio, nega? Não? Tem que ir
João, Benjor, Cartola
da Viola, Gil, Velô
Coquejo, Alcyvando
Chico, Ciro, Osmar, Dodô
Geraldos e Ederaldos
Elton, Candeia e Xangô
Rufino, Aldir, Patinhas
da Vila, Ismael, Melô
Monsueto e Batatinha
Silas, Ciata e Sinhô
Salve Mãe Menininha
Clementina voz da cor
Alô, Carlos Cachaça "pedra noventa", falou...
falei: Rio e Bahia...simpatia é quase amor...
Diga aí, diga lá...
Subscribe Free
Add to my Page
