quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

23 de janeiro - relatos de uma noite de Gala

Ela chegou bem, estava feliz, mais um aniversário se completando. Já era o 23º, fato preocupante. Não pela idade, conservação, rugas, pés de galinhas e cabelos brancos que pudessem aparecer, mas pelo número. Depois de assistir ao neurótico personagem de Jim Carrey em "O número 23", tudo passou a ser alvo de suspeitas e desconfianças. No apartamento do Aristides já há o receio de entrar. Imaginem que ele mora logo no apto 23... Pensei até no meu nome: CAMILA. São 6 letras. 6 = 2x3, que juntando-se os algarismos, torna-se 23. Até o próprio número vinte e tres, quando escrito assim, por extenso, forma o 23: dez letras, dividindo-se por 2 obtém-se 5, que é a soma de 2 + 3, ou seja, o 23. Sim, sim é de dar medo! E a nossa querida amiga, completando seu vigésimo terceiro aniversário, mal sabia o que lhe esperava.
A noite começou bem, festinha em família, convidados e tudo mais. Salgadinhos, bolo e brincadeiras com direito à bombons Noite de Gala, que estavam mais pra ruinruins na noite da Gala. Mas valeu pela sacanagem. Depois da comemoração familiar, o fervo, como já era previsível e tradição até os anos anteriores. No bar, noite latina e, pra casar bem, tequila. Uma, duas e na terceira os olhinhos da aniversariante baixaram. Crises de risos. A aniversariante estava bem feliz, acho que até demais. Prova disso era a risada debochada, o corpo mole, quase anestesiado, os olhos pequenos e os cabelos arrepiados, bagunçados de forma bem característica. A "felicidade" ali chamava-se pileque, e até com um idoso metido a galanteador ela dançou. A gala e o galante. Até que combinou. O que não combinou bem foi a quarta dose de tequila, que valeu por duas. E a Gala que derruba todo mundo, foi derrubada.
A primeira reação já nos era conhecida, a hiperatividade. Pulava de um boeiro pro outro de cinco em cinco minutos. Sentava, se encurvava, engruvinhava. Levantava a cabeça, e tudo rodava. "Espera, espera, espera!" - frase conhecida e utilizada por mim inúmeras vezes na festa da Vaca, quando fui eu a vítima da tequila. Tekiller, apelidei. Apropriado.
Passados alguns muitos minutos, houve um ato de coragem. Ela se levantou vagarosamente do meio-fio e pôs-se de pé, buscando forças para um suposto equilíbrio. Olhou para frente, respirou fundo. E saiu correndo. Teve vontade, deve ser isso. Com os braços abertos e pernas bambas, corria desenfreadamente para o meio do mato, um cemitério, às 4h da madrugada, sozinha. Se enfiou no meio das árvores, faltou pouco para sentar sobre os túmulos. Entre risadas e preocupações, fizemos o resgate e a noite acabou bem, exceto o mal estar consequente. Eram os primeiros indícios da maldição do número 23.

Esperemos que a promessa de que 2008 será um ano 10 se cumpra. O fato é que o ano só está começando e já está cheio de intrigas, pequenos desafetos, histórias estranhas, amores mal resolvidos e duvidosos, gente sofrendo por amor, solidão, vilão e mocinho... já dá um script para Manoel Carlos. Românticos Assumidos. Com tanto assunto, 2008 vai virar novela. E se nada der certo eu viro drag!

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