Estou de saco cheio.
O post de hoje será meu verdadeiro saco de pancadas, o travesseiro que eu preciso morder, a parede que eu quero esmurrar.
Preciso mesmo descontar o que estou sentindo e para uma pessoa pacífica - ou covarde, seja lá a merda que isso chame - a melhor maneira é compensar as atitudes com palavras.
Poderia escrever por horas, se cada palavra diminuisse a sensação estúpida que há em mim agora. Expressão reprimida, esquecida, sufocada. Aquela que eu deveria ter liberado há muito, desde o primeiro instante em que notei que ao final o resultado seria esse. Talvez não estivesse dessa forma.
Em duas semanas, duas revelações e uma desconfiança. A primeira, uma Traição. A segunda, uma Constatação. A terceira, uma Desilusão. Não há quem suporte tudo numa paulada só. E eu fui guardando pra não explodir, mas hoje eu quero queimar tudo, acabar com essa palhaçada.
Chegar num certo cidadão dissimulado e dizer que a punhalada que me deu pelas costas vai voltar pra ele um dia. Sei lá por quem, mas vai. Tantas vezes manifestei meu carinho, meu afeto, dormiu na minha cama por dias a fio. Quantas vezes meu salário de miséria foi utilizado pra pagar suas coisas? Seus caprichos, suas vontades? Tudo para te agradar, pra te fazer se sentir melhor? E as vezes que ouvi seus desabafos, seu choro contido às três da manhã, para te consolar, e ir trabalhar poucas horas depois? Eu duvidei de pessoas por confiar em você, por esperar de você. Eu fiz de tudo para te ajudar a ficar com quem você dizia amar. Tudo pra você mentir, inventar, se fazer de vítima? Traição, fique com sua infantilidade, eu não preciso dela. De todos, você é o mais desprezível pra mim, agora.
Quanto à Constatação, era mesmo de se esperar. Vindo de quem vem, só podiar dar nisso. Pois fica o meu conselho: ocupe-se com alguma coisa, com a sua própria vida, ao menos. Se é que você é capaz de ver algo além do seu computador, das suas besteiras e do seu mundo imaginário. Ah, você não é blasé. Quer ser, acha "rico". Chique. Um dia você vai perceber que até pra ser blasé é necessário ter algum tipo de conhecimento. Você é pretenciosa e arrogante, Constatação. O meu sentimento secou, já não era sem tempo. Fico eu com a minha repugnância da sua mediocridade. E basta, não precisa mais fazer aquela cara de bunda azeda todas as vezes em que me encontra por ocasião de um destino cruel. A última coisa que eu desejo é permanecer perto do seu ócio valioso. Não me cheira bem, é melhor ficar longe.
Desilusão, desilusão. Marisa Monte que me entenda. Eu tentei te mostrar que era diferente, mas talvez você nem queira meu diferencial. Talvez você queira o que é comum mesmo, o momento, a curtição. Talvez ainda nem tenha existido tempo o suficiente para que você percebesse isso também. Sabe-se lá o que se passa aí, na sua inteligência. É direito seu, não cobro nada, só não posso mais querer me iludir. Gosto do seu jeito de falar, de olhar, de jogar. Gosto do que você escreve, de como se esforça, batalha. Gosto de como cuida das suas coisas, do seu cachorro. Gosto da sua História, queria participar dela, acho. Entrar aos poucos, de leve. Devagar e sempre. Mas sua maneira subjetiva, implícita, não apenas me encantou como me confundiu. Subliminaridades. Não corta e não dá corda. Está tudo okay, chega de martelar em prego sem ponta. E eu que estava aguardando, fico triste por não conseguir, mesmo ganhando. Desilusão. Queria ficar com ela.
Depois de vomitar palavras e letras confusas, emaranhadas num contexto bem complexo para mim mesma, acho que estou mais calma. Já respiro um pouco aliviada, as lágrimas que forjaram uma tentativa de escape, secaram. Como outras coisas em mim também secaram. Mas faz parte.
Faz parte da minha Quaresma, do meu tempo de resguardo. Continuo católica, permaneço fiel. E o meu propósito deste ano não vai se perder, não vou deixar que ele seque junto.
Obrigada, Senhor.
Obrigada...
Obrigada...
Obrigada...
Obrigada...
sexta-feira, 7 de março de 2008
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