Hora de escrever.
Sim, há muito eu não faço isso com vontade de verdade, quanto tempo sem idéias, sem expectativas, com sonhos apagados.
Esta noite a chuva cai mansa no telhado ao meu lado, respingando leves pingos no vidro da janela. Eu olho lá fora, não há nada além de escuridão e água.
Aquela boa companhia estava comigo há poucos instantes, sendo pela primeira vez direta e sincera ao mesmo tempo. Sem ironias. A gente nunca sabe quando ela fala com seriedade, mas hoje tanta serenidade pareceu demonstrar honestidade também.
Agora, ouvindo a suave melodia de Norah, cantando Come away with me, sinto meu corpo estremecer, como se fosse levado pelas notas tão mansas que ela faz questão de entonar...
É quando o pensamento se perde, vagueia, um pouco tonto, perdido. Talvez seja fruto de uma inconsequência cometida esta mesma noite. Um crime não criminoso, inofencivo. Nada qe causasse mal a qualquer pessoa, ou até mesmo a mim. Junto com ele sentimentos estranhos, a impressão de que nada poderia mudar o que sinto agora. Não é tristeza, não é alívio, não chateação. De repente, ficou tudo tão confuso, que me esclareceu o que na realidade era óbvio.
And I wanna wake up with the rain
Falling on a tin roof
While I'm safe there in your arms
E com a música, lembranças, vontades..
A chuva bate na janela e me traz o desejo de ter alguém de novo. Ou um novo alguém.
A sensação é indescritível, contraste do vazio com o repleto, da dúvida com a certeza, da vontade com o repressão, da coragem com a fraqueza...
E os questionamentos? Por quê? Deveria? Seria justo? Perco? Ganho? Até quando?
E eu só quero acordar com a chuva batendo sobre o telhado..
E me sentir segura em seus braços
Preciso ir embora.
Ir para longe, para o frio, para onde eu possa encontrar os tais braços que me deixarão segura e aquecida. Onde eu possa entender que minha mente não conhece nada, e meu coração sabe menos ainda.
Deixo que a suave chuva continue a cair docemente, levando embora meus pensamentos vãos.
Sem legendas, sem significados. Apenas para constar.
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