Eu pendurava a roupa limpa no varal, dessa vez com a sua ajuda.
Mas me parece que há um cesto cheio de roupas imundas e que elas estão em tempo de mofar. Elas vão se acumulando faz meses. Às vezes, eu tiro um par de meias e ponho de molho, e então você resolve esfregá-lo um pouco. Com um pouco de sorte a gente o enxagua e põe no varal. Mas assim como os ovos de tartaruga que vingam, as peças que têm a chance de chegar no varal são muito raras.
Você até aponta, por acaso, uma blusa que está abandonada em meio àquele bolo. Eu olho pra ela, puxo, vou tirando seus amassados e vendo ela se formar sozinha, agora como uma blusa, e não como um trapo indecifrável. Você me ajuda. Com ela na mão, faz sobressaírem seus detalhes. É quando geralmente nos distraímos com uma roupa nova, já passada, que se coloca em nossa frente.
Sem perceber a outra blusa cai no chão, e em algum tempo ela volta ao seu anonimato de antes.
As roupas recém-batidas na máquina de lavar esperam por mãos que as estendam.
Em silêncio, espero as suas.
Vou sozinha, a esperança está mais cansada do que eu.
Era um varal grande, meio caótico, como o próprio sonho. O que eu sei é que dessa vez, você estava lá. Bem do meu lado, pendurando também. Tinha até um lance com os prendedores que não consigo lembrar agora. Típico de sonhos.

Um comentário:
entendi, entendi....
muito bem feito, né?
*.*
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