domingo, 25 de janeiro de 2009

Invocando a chefona

Manipulei o espaço, parece-me.
Tomei conta, só eu posto nessa joça!
Balança a pança, criançada!

Maria Clara de Souza, apareça! Suas idéias irreverentes e inteligentes fazem falta.
So, please. ;)

Sou sua fã incondicional, okay risos.

Sem mais, bichescrevo-me.

Inusitadamente perturbador

Sinto sono. Corpo ruim, olhos ardendo, moleza. Gripe, mais uma vez. E mesmo em tais condições físicas, estou aqui, passado de 7h da manhã, atraída a esta mesma ladainha de sempre: vontade de escrever. Acho que ando precisando me expressar mais.

Penso muitas coisas. Escrevo “poucas”, falo menos ainda. Para banalidades, eu sou uma vitrola! Para o que realmente fica causando minha insônia e a verdadeira vontade de ficar aqui escrevendo, sou uma muda, sapo com a boca costurada.
Covardia? Não exatamente. Apenas me dou o direito de resguardar alguns sentimentos e subvertê-los em palavras depois.

Deitei na tentativa fracassada – mais uma vez, em meses – de dormir profundamente por horas. Daquele sono de “apagar” e descansar corpo e mente saturados da mesmice cotidiana. Pensar que a alegria dos meus dias têm sido assistir ao reprise de Mulheres Apaixonadas, com suas Helenas sofredoras, crianças chatas chorando litros de lágrimas diariamente, romances entre padres e leigos e Claras e Rafaelas, é deprimente.
_Essa novela não é aquela que passou há uns cinco anos atrás, Camila?
_É, pai.
_E você não assistia?
_Claro que sim.
_Então como pode dizer que “o capítulo de amanhã é imperdível”?!!
Bela constatação, seu Henrique. Estou precisando me ocupar mais, definitivamente. Pelo menos o sotaque da Vera Holtz é engraçado.

Hoje, após à vã tentativa de dormir, a cabeça pipocava pensamentos. Assim, surgiam. Idéias desorganizadas, imaginações, memórias, preocupações, realidade, fantasia. Tudo se misturava de forma que me fez brigar comigo mesma. Não era para estar aqui, oras! Tenho que dormir, parar com essa vida desleixada! Mas não.. eu não aguento, tinha que vir!

Um dos pensamentos que custavam a me rodear era o encontro inusitado da noite. Depois de tanto tempo, dar de cara com aquela pessoa foi, de início, constrangedor. Fiquei no meu canto, parecendo bicho engaiolado. Só observando. Gestos, olhares, conversas. O que mudou nela? Nada, nada, eu que devo estar diferente. Maria, Aninha, por favor apareçam! Por que tanta demora?! Quando elas chegaram, eu já havia acostumado com tal presença ali. Tanto que tirei a armadura, entrei na conversa, quis participar. ‘Há exato um ano atrás, éramos bem mais íntimas’, pensei. Que importa? O reencontro já foi válido, mesmo estranho daquele jeito. Mais estranho ainda foi perceber que algumas pessoas ficam pra sempre guardadas. Passa o tempo, mudam os sentimentos, perde-se a intimidade. Mas quando são vistas, inesperadamente nos perturbam. Daquele incômodo “bom”, sabe? Foi o que me causou aquele encontro.

Não posso me queixar de nada. O que ficou pra trás é história, terei do que me lembrar. Vou ligar pro que dizem, pro que pensam? Besteira! Só eu sei o que vivi, o que senti, se fui feliz ou não. Felicidade se faz do que se sente, não do que se racionaliza. E agora eu sei muito bem o que quero. Há tempos estou muito certa dos meus anseios. Mal sabem disso os que se enganam comigo.

Hora de dormir. Longas horas de sono, já que domingo não tem novela pra me divertir.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Empatia

“O que vocês esperam de mim?”

Há sempre mais a aprender. No meu caso, achava que seria só como fazer arroz e cuidar da casa, sem deixar que o cachorro morra de fome ou de desgosto com a dona. Os cuidados domésticos estão sendo bem cumpridos, embora o arroz seja um desafio que eu esteja adiando...Mas o que quero registrar com isso tudo é que tenho tentado aprender a lidar melhor com as pessoas, com as relações humanas em geral.

Que segunda-feira tenebrosa! Começou cedo, antes das 6h da manhã. A partir de então, só piorou. Uma discussão daqui, um mal entendimento dali, uma palavra mal pronunciada, uma mágoa. Certas situações só acontecem para nos provar o quanto somos intolerantes em alguns momentos e que paciência é de fato um dom. Tentar irrelevar é besteira, e quando a gente acha que alguma coisa vai mal, descobre-se que piorar é fácil, fácil. Uma mísera conversa por msn bastou para me afundar de vez. Com a cabeça a mil devido ao péssimo incidente da manhã, descubro ter causado mais aborrecimentos em outras pessoas também queridas. E o pior, o desespero de não saber o que fiz, a dúvida martelando segundo a segundo, a impossibilidade de me retratar completamente e a angústia da espera pelo fim do “mistério”, que sabe-se lá quando aconteceria. Entristeço, perco o brilho, a fome, o humor e a paz de espírito. O choro solitário e retraído é revelador do cruel ponto fraco. A incapacidade de raciocinar e chegar a uma conclusão correta me torna opaca e absolutamente fragilizada. E foi assim que estive o dia todo.

Devia ter ido viajar. Não, não devia. A esta hora estaria com meu pai, comendo camarão na beira da praia. Mas a cabeça continuaria aqui. Mas daria uma arejada. Não, estaria arrependida de não estar aqui. Que novela boa, o Marcos Caruso é ótimo. O que será que eu fiz pra aborrecê-la? Helena, tu ta filiz, ta? Larga de ser idiota, Camila. O Tunka tem comida? Mas será que devo eu telefonar? Dessa vez eu não tive culpa! Vou ficar vendo a Sessão da Tarde hoje...Não, eu não aguento. Até quando vou ter que esperar? A Déia está viva lá em cima? Dormir, eu vou dormir...Não, não, não! Chorar de novo, não... Jesus, que que eu fiz?!

Felizmente, Deus não me deixa solitária jamais. Entre distrações e lamentos, o dia passou. E com ele, as preocupações se amenizaram também. Como eu ja esperava, a briga foi resolvida, entre amigas não se pode haver tanto orgulho. Um joguinho de truco pra consolidar as pazes e a minha paz, principalmente. Depois, uma prece, um milagre, uma conversa informal. Tudo ficou bem.

Não sei o que as pessoas esperam de mim, mas eu sei o que devo a elas. Sinceridade é uma delas. Eu também me chateio, fico magoada. Mas é exatamente neste ponto que percebo que erros são inevitáveis, e talvez eu os pratique sem me dar conta da frequência e da intensidade com que ferem. E assim, na minha eterna busca pela inclusão da empatia no meu comportamento instável e perigosamente sincero, fica aqui o meu real e honesto pedido de desculpas às pessoas que involuntariamente aborreci.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Pra começar bem

Tinha tudo pra dar errado e ser o pior reveillon em 23 anos. Mesmo contando com o de 2008, cheio de brigas, choro, discussões, conversas mal contadas e conseqüências que se refletiriam pelo ano todo.

O problema já começou em casa, devido ao (mal) uso de um polêmico decote. Ora, faça meu favor! Que falta de respeito, né! Me disseram que eu poderia dar ares de quem “está disponível”. Além disso, pensar que estávamos a pé, numa cidade diferente, sem conhecer nada, debaixo de chuva e sem opção alguma de lugares para ficar durante quase 5 horas era uma constatação definitivamente desanimadora. O jeito foi se abrigar no “Kikão” mesmo, comer por ali e esperar pacientemente pela virada junto às chapas de hamburguer. Ainda assim, havia a irreverência de Maria Clara Diniz berrando com voz de locutor de Roleta Russa “Reveillon é no Kikão!”. Depois de brincar com a maionese desenhando o nome de mocorongos no pão, decidimos dar uma volta na chuva. É, para estragar a chapinha mesmo. E começar o ano bem baranga! Assim, voltamos ao Kikão pelo menos para tomar uma cervejinha vendo Fundo de Quintal tocar seu batuque no Show da Virada.

A salvação veio do Taxi do Diego, que nos levou para comprar pelo menos o champagne e conhecer o fervinho da catedral, onde as pessoas se reuniam para a tradicional queima de fogos. Diego virou amigo e foi solidário, desligando o taxímetro. A chuva também resolveu parar na hora certa, meia-noite. Tudo certo para nossa virada. Nos acomodamos sob o teto de uma barraca de churros na praça e era só esperar... antes, tempo para receber a ligação de alguém querido. “Tu ta filiz, ta?” Estava... Tinha ficado muito “filiz” naquele momento. E o melhor ainda estava por vir.

O primeiro minuto de 2009 veio acompanhado de bastante barulho e empolgação. Mas soou tudo de forma muito especial, abraçar pessoas com quem convivo e pelas quais tenho tanto carinho me emocionou de verdade. O fato de a Maria estar ali comigo trouxe uma sensação de preenchimento, como se ela de alguma forma me completasse. Uma gratidão que depois me ficou na cabeça... e eu sequer confessei esse sentimento a ela. Coisas boas a gente tem o péssimo hábito de não falar, sempre priorizando besteiras ou aquilo que talvez não precisasse ser dito. Pois bem...com essa sensação plena de alegria e companheirismo, partimos para o objetivo da nossa viagem. O pub.

Logo na fila, um grupo de amigos de Mandaguaçu simpatizou conosco. Talvez dali surgiria a grande surpresa da noite. Música boa , gente bonita, chandon, martini, risadas. Um gelo, um beijo. Dois, três. Melhor parar de contar e guardar a sensibilidade daquele momento, horas agradáveis com uma companhia bastante carinhosa, que me deixou “enrubescida” por várias vezes... pra começar bem 2009. Já me lembrava da famosa história de que o que se faz na virada, se faz o ano todo. Amém, amém! Mas mesmo depois de tanta coisa boa, a cabeça acabou lembrando do que o coração não consegue esquecer.

A balada terminou já com o dia amanhecendo e após chuva, dança e suor, olhar no espelho era impraticavel. Era de assustar criancinha! E pensar que satirizávamos a IóIó quando ela saía desgrenhenta das baladas... mas não nos comparemos a ela, seria demais! Ir embora para descansar parecia sonho, ainda mais quando se pega um circular pinga-pinga que pára em 585 cidades entre Maringá e Londrina. Depois de 3h de viagem, suja, cansada e feliz, desembarcava com aquele friozinho na barriga...até achei que pudesse ser o estômago revirando a caipirinha, mas não. Era apenas uma expectativa animadora de que as coisas vão melhorar... clichê de reveillon, claro, mas essas coisas não fazem mal a ninguém. Colocar romã na carteira, vestir branco, passar a virada com a calcinha de alguma cor... ou sem calcinha também né, sempre tem umas loucas assim. A Cris que o diga! Eu, como sou diferente, passei a virada com uma calcinha estampada de ursinho panda, vai que alguém quer fazer carinho no bichinho, né? Hahaha Só para discontrair, amigos!

Enfim, valeu a pena. (ê, ê!)
E sinceramente, o ano começou bem, mas bem feliz.
Bons indícios de que é hora de valorizar o que acontece de novo e deixar para trás a saudade e as memórias que custam em nos segurar num tempo que não vai mais voltar, pelo bem ou pelo mal.