Sinto sono. Corpo ruim, olhos ardendo, moleza. Gripe, mais uma vez. E mesmo em tais condições físicas, estou aqui, passado de 7h da manhã, atraída a esta mesma ladainha de sempre: vontade de escrever. Acho que ando precisando me expressar mais.
Penso muitas coisas. Escrevo “poucas”, falo menos ainda. Para banalidades, eu sou uma vitrola! Para o que realmente fica causando minha insônia e a verdadeira vontade de ficar aqui escrevendo, sou uma muda, sapo com a boca costurada.
Covardia? Não exatamente. Apenas me dou o direito de resguardar alguns sentimentos e subvertê-los em palavras depois.
Deitei na tentativa fracassada – mais uma vez, em meses – de dormir profundamente por horas. Daquele sono de “apagar” e descansar corpo e mente saturados da mesmice cotidiana. Pensar que a alegria dos meus dias têm sido assistir ao reprise de Mulheres Apaixonadas, com suas Helenas sofredoras, crianças chatas chorando litros de lágrimas diariamente, romances entre padres e leigos e Claras e Rafaelas, é deprimente.
_Essa novela não é aquela que passou há uns cinco anos atrás, Camila?
_É, pai.
_E você não assistia?
_Claro que sim.
_Então como pode dizer que “o capítulo de amanhã é imperdível”?!!
Bela constatação, seu Henrique. Estou precisando me ocupar mais, definitivamente. Pelo menos o sotaque da Vera Holtz é engraçado.
Hoje, após à vã tentativa de dormir, a cabeça pipocava pensamentos. Assim, surgiam. Idéias desorganizadas, imaginações, memórias, preocupações, realidade, fantasia. Tudo se misturava de forma que me fez brigar comigo mesma. Não era para estar aqui, oras! Tenho que dormir, parar com essa vida desleixada! Mas não.. eu não aguento, tinha que vir!
Um dos pensamentos que custavam a me rodear era o encontro inusitado da noite. Depois de tanto tempo, dar de cara com aquela pessoa foi, de início, constrangedor. Fiquei no meu canto, parecendo bicho engaiolado. Só observando. Gestos, olhares, conversas. O que mudou nela? Nada, nada, eu que devo estar diferente. Maria, Aninha, por favor apareçam! Por que tanta demora?! Quando elas chegaram, eu já havia acostumado com tal presença ali. Tanto que tirei a armadura, entrei na conversa, quis participar. ‘Há exato um ano atrás, éramos bem mais íntimas’, pensei. Que importa? O reencontro já foi válido, mesmo estranho daquele jeito. Mais estranho ainda foi perceber que algumas pessoas ficam pra sempre guardadas. Passa o tempo, mudam os sentimentos, perde-se a intimidade. Mas quando são vistas, inesperadamente nos perturbam. Daquele incômodo “bom”, sabe? Foi o que me causou aquele encontro.
Não posso me queixar de nada. O que ficou pra trás é história, terei do que me lembrar. Vou ligar pro que dizem, pro que pensam? Besteira! Só eu sei o que vivi, o que senti, se fui feliz ou não. Felicidade se faz do que se sente, não do que se racionaliza. E agora eu sei muito bem o que quero. Há tempos estou muito certa dos meus anseios. Mal sabem disso os que se enganam comigo.
Hora de dormir. Longas horas de sono, já que domingo não tem novela pra me divertir.

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