sábado, 3 de janeiro de 2009

Pra começar bem

Tinha tudo pra dar errado e ser o pior reveillon em 23 anos. Mesmo contando com o de 2008, cheio de brigas, choro, discussões, conversas mal contadas e conseqüências que se refletiriam pelo ano todo.

O problema já começou em casa, devido ao (mal) uso de um polêmico decote. Ora, faça meu favor! Que falta de respeito, né! Me disseram que eu poderia dar ares de quem “está disponível”. Além disso, pensar que estávamos a pé, numa cidade diferente, sem conhecer nada, debaixo de chuva e sem opção alguma de lugares para ficar durante quase 5 horas era uma constatação definitivamente desanimadora. O jeito foi se abrigar no “Kikão” mesmo, comer por ali e esperar pacientemente pela virada junto às chapas de hamburguer. Ainda assim, havia a irreverência de Maria Clara Diniz berrando com voz de locutor de Roleta Russa “Reveillon é no Kikão!”. Depois de brincar com a maionese desenhando o nome de mocorongos no pão, decidimos dar uma volta na chuva. É, para estragar a chapinha mesmo. E começar o ano bem baranga! Assim, voltamos ao Kikão pelo menos para tomar uma cervejinha vendo Fundo de Quintal tocar seu batuque no Show da Virada.

A salvação veio do Taxi do Diego, que nos levou para comprar pelo menos o champagne e conhecer o fervinho da catedral, onde as pessoas se reuniam para a tradicional queima de fogos. Diego virou amigo e foi solidário, desligando o taxímetro. A chuva também resolveu parar na hora certa, meia-noite. Tudo certo para nossa virada. Nos acomodamos sob o teto de uma barraca de churros na praça e era só esperar... antes, tempo para receber a ligação de alguém querido. “Tu ta filiz, ta?” Estava... Tinha ficado muito “filiz” naquele momento. E o melhor ainda estava por vir.

O primeiro minuto de 2009 veio acompanhado de bastante barulho e empolgação. Mas soou tudo de forma muito especial, abraçar pessoas com quem convivo e pelas quais tenho tanto carinho me emocionou de verdade. O fato de a Maria estar ali comigo trouxe uma sensação de preenchimento, como se ela de alguma forma me completasse. Uma gratidão que depois me ficou na cabeça... e eu sequer confessei esse sentimento a ela. Coisas boas a gente tem o péssimo hábito de não falar, sempre priorizando besteiras ou aquilo que talvez não precisasse ser dito. Pois bem...com essa sensação plena de alegria e companheirismo, partimos para o objetivo da nossa viagem. O pub.

Logo na fila, um grupo de amigos de Mandaguaçu simpatizou conosco. Talvez dali surgiria a grande surpresa da noite. Música boa , gente bonita, chandon, martini, risadas. Um gelo, um beijo. Dois, três. Melhor parar de contar e guardar a sensibilidade daquele momento, horas agradáveis com uma companhia bastante carinhosa, que me deixou “enrubescida” por várias vezes... pra começar bem 2009. Já me lembrava da famosa história de que o que se faz na virada, se faz o ano todo. Amém, amém! Mas mesmo depois de tanta coisa boa, a cabeça acabou lembrando do que o coração não consegue esquecer.

A balada terminou já com o dia amanhecendo e após chuva, dança e suor, olhar no espelho era impraticavel. Era de assustar criancinha! E pensar que satirizávamos a IóIó quando ela saía desgrenhenta das baladas... mas não nos comparemos a ela, seria demais! Ir embora para descansar parecia sonho, ainda mais quando se pega um circular pinga-pinga que pára em 585 cidades entre Maringá e Londrina. Depois de 3h de viagem, suja, cansada e feliz, desembarcava com aquele friozinho na barriga...até achei que pudesse ser o estômago revirando a caipirinha, mas não. Era apenas uma expectativa animadora de que as coisas vão melhorar... clichê de reveillon, claro, mas essas coisas não fazem mal a ninguém. Colocar romã na carteira, vestir branco, passar a virada com a calcinha de alguma cor... ou sem calcinha também né, sempre tem umas loucas assim. A Cris que o diga! Eu, como sou diferente, passei a virada com uma calcinha estampada de ursinho panda, vai que alguém quer fazer carinho no bichinho, né? Hahaha Só para discontrair, amigos!

Enfim, valeu a pena. (ê, ê!)
E sinceramente, o ano começou bem, mas bem feliz.
Bons indícios de que é hora de valorizar o que acontece de novo e deixar para trás a saudade e as memórias que custam em nos segurar num tempo que não vai mais voltar, pelo bem ou pelo mal.

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