É, tem gente que anda desconfiada. Foram muitos acontecimentos, descobertas surpreendentes em pouco tempo. É claro que iam desconfiar mesmo, admito. Eu, fico meio sem saber o que fazer, sem saber como ser eu mesma.
Ela cotuca, perturba, alfineta. Quer porque quer tocar no assunto, confirmar suas suspeitas. Tenta, introduz o assunto, provoca. Mas logo em seguida, cala-se. Um passo à frente, dois para trás. Se não tem coragem de ouvir o que quer saber, que não pergunte, oras! As pessoas são tão complicadas!
Por exemplo, eu. Sou muito bem resolvida comigo mesma, meu problema é com os outros. Eu não consigo me fazer esclarecedora com eles – na verdade, não posso, na maioria das vezes. Mas o fato de eu não ser bem resolvida para com os outros não significa que eu não seja para mim, e é isso que eles precisam entender! Acho que tudo o que fazem, falam, querem, não passa de tentativas para me colocar em dúvida, maneiras de me fazer refletir, pensar, reconsiderar.
Esses dias mesmo, em sonho. Tudo muito estranho, um lugar diferente, pessoas desconhecidas, exceto pela presença da minha estimada companheira Ana Maria. Uma carona com duas senhoras e sabe-se lá por que elas nos levavam para o tradicional vôlei de domingo. No caminho, de carro, uma igreja jamais vista. Um diálogo, uma frase, uma interrogação desconcertante. A velha senhora nipônica falava sobre Deus, sofria porque ela não havia lembrado o próprio filho de ir à catequese naquele domingo. Não se conformava, porque Deus havia lhe pedido que ela lembrasse seu filho. Eu, muito da intrometida, coloquei-me a discutir com ela. Discordei da velhinha, disse que Deus não faria ela se esquecer de algo tão importante. De sopetão, ela me olhou nos olhos fixamente me fazendo paralizar e disse com voz firme:
_O que é pior: enganar o medo ou desenganar a vida?
Congelada, ouvi de muito longe o suave toque do despertador me acordando. Sim, era hora do vôlei com a Ana Maria e era domingo. Se eu visse, ainda que de longe, qualquer uma daquelas senhoras naquele dia, eu ficaria seriamente preocupada. Com a graça de Deus, nenhuma outra coincidencia até então. Uma semana depois, a surpresa: de carro, na mesma posição em que estava no sonho, eu avistei a tal da igreja. A mesma! Detalhe.. em Maringá! Achei melhor dar mais atenção ao sonho, ainda que fosse besteira.
Parei pra analisar que jamais eu pensaria em algo tão profundo... enganar o medo? Desenganar a vida? Que absurdos são esses, que significado podem ter? Meu pobre poder interpretativo me fez chegar à conclusão de que a questão era: pior seria viver uma ilusão para ser feliz ou ser tão sincero e real com a vida a ponto de perder a fé e esperança?
Parece-me que tudo faz sentido, mas ainda um “sentido desconexo”. Está faltando alguma parte que complete, aquela que eu não consegui decifrar, desvendar. Mas algo me diz que esse segredo não tarda em ser revelado...
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