
Fazer "loucuras" é só um modo de dizer que não quero seguir certos padrões. E aí, quem vai julgar, dizer se é certo ou errado? Ser louco nada mais é do que extravasar vontades que, na maioria das vezes, não temos coragem de expressar.
Fico me condenando por estar recém-formada, aos 23 anos, desempregada e lutando por um espaço, por menor que seja, num mercado que não dá muita abertura aos "inexperientes". Preciso ter um bom emprego, para conseguir minha independencia financeira, comprar uma casa, namorar, casar, ter filhos, comprar um cachorro, gato, periquito e assim ser realizada. E se não for isso o que eu quero da vida? E se eu não quiser passar horas trancafiada num escritório, para depois chegar em casa e lavar a cueca do meu marido e dar banho nas crianças? E se eu não quiser morar numa casa com piscina e ter uma tevê 42 polegadas pra ver o Fantástico aos domingos? E se eu não quiser casar antes dos 35? E se a minha vida não for o que projetaram pra mim?!
Tenho pensado muito sobre o que espero de mim mesma. Eu esqueci do que quero, do que sou. E eu sou a atriz principal da minha vida, mas esqueci de me convencer disso. Tenho deixado que os outros escrevam o roteiro, produzam a peça e encenem por mim. Roubaram meu papel, fiquei de coadjuvante da minha própria história. Analogias que soam como devaneios a quem lê, mas é isso que eu desejo que pareça: insensatez.
Hoje eu vou pintar a cara, colocar um chapéu, fazer a maquiagem do triste palhaço e seguir com o circo. Ir de cidade em cidade, conhecer um mundo que eu nem imagino. Sem nada que me prenda, sem raízes. Os artistas são felizes assim. Hoje eu quero fazer minha mochila e sair por aí, sem eira nem beira, até chegar ao desconhecido que, ao se tornar conhecido, me encante. Hoje eu quero beber vinho sem ter a preocupação da ressaca do dia seguinte, eu quero passar horas escrevendo de madrugada sem medo de ficar com rugas, quero morar num chalé pequeno e distante. Ou não, talvez eu queira um flat no centro de São Paulo, sozinha. Mas quero ter a quem recorrer, quero o carinho daquele homem atencioso ou daquela mulher misteriosa que vem e que vai. Quero poder retribuir esse mesmo carinho. Quero me apaixonar por ele, por ela. Quero passar dos 30 anos sem a preocupação do que vão pensar se eu estiver solteira, casada, desquitada ou seja lá o que for. Eu preciso ficar só, comigo mesma, ouvindo apenas o ronco do meu cachorro fiel e esquisito. Retomar as rédeas de mim mesma, me recuperar.
Onde foi que eu fiquei mesmo? Em que lugar eu me esqueci? Quando olho pra dentro de mim e sinto aquele familiar "vazio", percebo que tudo que sou está projetado em outra pessoa. E quando olho pra ela, sinto saudade de mim. Eu me quero de volta, deixei tudo o que sou lá. E como foi difícil constatar isso, absorver e admitir que no fundo a responsabilidade é minha, inteiramente minha. Eu e aquela estranha necessidade de me ver refletida nos outros. Egoísmo? Perfeccionismo? Não sei que nome se dá, mas acredito que seja mais comum do que se pode parecer.
"Deve haver algum sentido..."
Sim, há. Naquela manhã de domingo, acordei assustada com um sonho perturbador, que me trouxe um sutil e incômodo questionamento: O que é pior, enganar o medo ou desenganar a vida? Quase 3 meses depois, reassumindo minha condição de atriz principal da minha própria história, tenho a segurança de dizer que mais vale uma verdade amarga do que uma mentira adocicada que me mantenha presa às raízes da ignorância. Acordei pra mim mesma, e não quero mais as regras dos outros, as leis que ditam e julgam ser certas. A minha verdade amarga é mais doce que a "saborosa" mentira que querem que eu viva pra ser feliz.
*Agradecimento especial à você, Helen, que com sua sinceridade e coragem, desperta o senso crítico-reflexivo tão necessário aos sonhadores...

2 comentários:
ahhh que linda chuchu! adorei! queria estar aí pra te dar um abraço bem forte. =/
sabe o que eu sugiro?
q a gente pesquise concursos públicos que estão com inscrições abertas no Brasil, escolhe um lugar que de depreferencia tenha uma faculdade pra você fazer pós e eu graduação, aí a gente conhece mais do mundo, leva as meninas com a gente, monta um república (ou não) e conhece váááárias pessoas diferentes e com potencial de ser feliz com a gente! ja pensou que maravilha?! eu sugiro bahia e em segundo lugar santa catarina... hmmm ótimas idéias hein?!
pensem sobre o assunto! e não esqueçam que existe tranferencia! rsrsrsr
beijão!
Nossa amiga, vc é msm meu orgulho, expressa-se brilhante, sou sua etern a fã!!!!!
AMO-TEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE
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