sexta-feira, 22 de maio de 2009

medo de adultecer, adultecendo: "that's not my name!"


Adultecer é tercer-se, "resolver traumas e resentimentos da infância e da adolescência para poder iniciar de maneira saudável e segura uma nova fase da vida. Transformar-se de pessoa dependente à pessoa idependente, estabelecer uma indentidade para sí sem criar personagens, conscientizar-se de seu potencial e capacidade para sua própria satisfação pessoal, ser capaz de responder às demandas e suportar as pressões."*

não dá medo???

Venho pensando sobre isso desde que a Ju (Gimenez) me disse que eu precisava deixar de ser menina para ser moça e que de moça eu passaria a ser mulher. Não que fosse novidade, mas já tava na hora??? Na verdade já tinha passado da hora! Não por coincidência, outro dia a Vivian (de Cambé), numa conversa, me disse: Helen eu quero ver você com as rédeas da sua vida nas mãos! - Levei um susto, fiquei pasma, senti medo, mas logo o desespero foi diminuindo, assim acalmando, e eu enxerguei que é realmente inevitável, que é impossível realizar muitos dos meus sonhos e metas sem passar por esse tremendo frio na barriga e crescer mais um pouquinho. É tipo assim, prova e pré-requisito. Pra alguns é mais fácil, pra outros não, o negócio é que pra mim soa como estar completamente sozinha no mundo. Como vou cuidar de mim? O que priorizo e o que preciso priorizar na minha vida? Quais são os limites, as regras para que eu consiga viver bem e alcance meus objetivos? Eu consigo me segurar? Ai esse meu instinto boêmio! O que eu quero? Que escolha eu faço todos os dias, talvez sem perceber, que mantém minha vida, que me mantém como estou? O que eu quero mudar e o que posso fazer pra que isso aconteça? Porque algumas coisas são tão difíceis pra mim?
Pensei na minha vida sexual, pensei nas minhas relações sociais e também pensei sobre o que quero no futuro, que tipo de vida tem mais a ver comigo, que passo eu dou agora. Pensei em como eu gostaria de orgulhar os meus pais, de ter meus parentes e amigos sempre por perto como numa grande festa, pensei em como eu gostaria que as pessoas me aceitassem e me respeitassem como sou e percebi como tenho me sentido errada e como tenho me reprimido numa situação ou outra, fingindo que esse é meu nome sim e tentando me convencer de que talvez eu possa ser o que querem que eu seja e, ao mesmo tempo, ser eu mesma. Mas isso dá em vida dupla, pode até dar em personalidade dupla (exageraaada) e isso eu não quero. Me peguei tentando atender por um nome que definitivamente nunca me atraiu da mesma forma que outro e decidi que serei eu mesma independentemente da aprovação alheia porque eu preciso e mereço ser feliz e cansei de me confundir por querer a aprovação de todos, mas que não vou impor o que sou e o que penso, quero amor, se não der pra amar que me respeitem, se isso ainda for muito, que distanciem-se. Simples assim.
Pensei na ida e na vinda para Londrina e no tempo em que morei aí, pensei nas escolhas erradas que fiz, nos meus medos, no que eu me envergonho de muitas vezes pensar, dizer ou fazer (ou de deixar de) e me senti a pessoa mais horrível do mundo. Mais difícil que me dispor a sofrer as conseqüências de abrir mão da aprovação de parentes, amigos e colegas para viver a minha vida do meu jeito é vencer a mim mesma, meus medos, meus preconceitos, ultrapassar meus próprios limites, me avaliar, me reavaliar, me reconstruir... Sempre! E essas coisas estão tão ligadas que eu não sei o que vem primeiro. Sei que vou tentar não me envergonhar dos meus erros, não quero mais a angustia de tentar agradar a todos porque isso é impossível e assim eu errei muito e muitas vezes. Sei que sou humana, que erro, que cresço porque é assim que as coisas funcionam, a gente precisa crescer e agora eu entendo melhor isso (na verdade eu tenho uma vaga idéia, o que já ajuda, eu não tinha nenhuma!), aceito tentar, aceito me dedicar e errar porque hoje o meu tentar, o meu dedicar e o meu fazer mudam e aos poucos tomam forma. Uma forma coerente com o que eu sou e com o que eu quero, uma forma que vai mudar por várias vezes ao longo da minha vida e que eu quero digna mesmo diante da necessidade de reparo.
Foi algo assim, também, o que a Vivian me disse naquele dia, que eu fizesse as minhas escolhas de acordo com o que sou e quero, que eu não me prendesse, não deixasse de fazer alguma coisa por causa dos meus pais, por exemplo, pra depois não ser uma pessoa infeliz e amarga por não ter “podido” ser e fazer o que realmente queria. E eu fiquei imaginando se isso não seria egoísmo ou falta de consideração. Não é. O que pode fazer pelo outro alguém apagado, confuso, reprimido e deprimido como eu estava e às vezes fico? Quero estar com as pessoas que eu amo e admiro e pra isso eu preciso, primeiramente, ser alguém pra mim. Agora estou planejando e me organizando para ter as rédeas da minha vida nas mãos, ser independente financeiramente, voltar a morar sozinha, fazer as coisas que eu gosto. Coisas que eu sempre quis fazer e ainda não fiz. Sentir-me diferente ao crescer e ampliar o olhar sobre o mundo, analisar meus pensamento, refletir... tudo isso é muito bom. Agora, além disso, o que eu preciso é de paciência para o fazer vagaroso que é estudar para o vestibular. Haja determinação!


liberdade (poder) escolher conforme o ser:
mãe, "that's not my name!"
maturidade (saber) fazer o que se deve fazer:
e recomeçar quando preciso!



*resumo de um texto de psicologia


Bom, é isso meninas! Espero que não tenha ficado muito confuso!
Beijos à todas! Muitas saudades!

4 comentários:

Caca disse...

Sabe o que eu gosto mais em você, que é justamente o que faz seu texto brilhar? Sua sinceridade.

Bem franca, Helen.
Quase um grito de libertação.
Adorei. =)

Destaque para o trecho que comprova meu comentário acima:

"[...]serei eu mesma independentemente da aprovação alheia porque eu preciso e mereço ser feliz e cansei de me confundir por querer a aprovação de todos, mas que não vou impor o que sou e o que penso, quero amor, se não der pra amar que me respeitem, se isso ainda for muito, que distanciem-se."

É isso, amor. Bem isso.
"Simples assim."
=)

Marie disse...

vc é corajosa, além de sincera!
uma das coisas que eu almejo calada ser.
depende de nós!
hahahaaha
(pq eu sempre preciso tirar sarro)
mas é verdade, tudo isso, essa auto-construção e reconstrução, essa consciência atenta e crítica de nós mesmos depende apenas de nós, como vc disse
alguma coisa ou outra ainda estão meio subjetivas pra mim no texto, mas isso é normal, um texto como esse é muito da pessoa que escreve
ele é um pouco a própria pessoas, por mais que a forma de se expressar deixe algumas coisas diferentes do que ela queria dizer, isso já diz quem ela é

eu gostei, heelnita!
vivo pedindo pra vc postar e espero que agora vc continue!

eu acho muito saudável esses três pontos de vistas tão diferentes e tão parecidos

beijos e vc não é o super homem!
haha
|m|

Marie disse...

e gente, é

PONTOS DE VISTAS

que fala, tá?!

bem burra =*

karina disse...

helenzita meu orgulho!
lindo texto..concordo com a marie é preciso ter coragem pra desenvolver a virtude da sinceridade..

acho que um ponto que afeta intesamente o amadurecimento é forma que as pessoas nos veêm e as expectativas que elas criam dessa a partir dessa visão, principalmente porque essa percepção alheia afeta a percepção de si próprio. Ao descobrir sentimentos e lugares imensos e inexplorados dentro da sua personalidade pode haver um rompimento com a imagem estabelecida, criando uma dualidade difícil de entender e mais difícil ainda de explicar. Essa dualidade recém descoberta assusta e intimida as pessoas próximas que tem dificuldade em mudar a visão e as expectativas a seu respeito. Acho que amadurecer é conseguir equilibrar o que você era com o novo, que descobriu ser (independente da percepção alheia). Tá ai amadurecer pra mim é encontrar esse equilíbrio e acho que você tá no caminho.. Só mais uma coisa (experiência própria)..tem uma parte da busca que deve ser solitária, melhor dizendo, pessoal; no entanto eu percebi que se aprende muito com as pessoas que você ama e que a busca se torna bem mais completa com a companhia delas..

Vou esperar novas postagens hein!
super beijo!