Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu
--
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega o destino pra lá
--
Diacho de roda viva! Sinceramente, não sei definir se essa tal roda faz bem ou mal pra gente, que quer ter voz ativa. Também, que diferença vai fazer eu definir ou não? A roda gigante vai continuar a girar e o pião não vai parar de rodar porque eu quero. Mesmo que eu me sinta como quem partiu ou morreu.
E quando o corpo está ferido e outra pessoa vem estancar o sangue, eu disfarço e finjo que sarou, mas a realidade é que, quando tiro o curativo, volta a jorrar tudo de novo, mais e forte. Até quando?
Fico pensando no que causa esse inevitável efeito que coloca as pessoas pra baixo. É como se existisse uma ”força da gravidade“ emocional, que empurra a gente pra um lugar que ninguém gosta de ir. Triste, frio, cinza. Aí a gente tenta pintar as paredes, pôr brilho, se distrai, ri, sai da rotina, foge de si mesmo. Mas depois, descobre-se que tudo não passou de uma tentaviva frustrada de enganar o tempo. A gente gira o ponteiro do relógio, mas se esquece de que nosso inconsciente não se guia por tempo cronológico. Ele faz seu próprio tempo, e aí percebemos que somos incapazes de mexer no mecanismo desse reloginho chato e inconveniente.
E se a gente pudesse parar essa tal roda, mandar no tempo do nosso coração? Parece bom. Mas, a mim, soa como comer doce de leite, gostoso até certo ponto. Depois tranca a garganta, enjoa. O bom da vida é justamente o não-saber constante do que será, do que seremos.
A gente vai contra a corrente
E quando o corpo está ferido e outra pessoa vem estancar o sangue, eu disfarço e finjo que sarou, mas a realidade é que, quando tiro o curativo, volta a jorrar tudo de novo, mais e forte. Até quando?
Fico pensando no que causa esse inevitável efeito que coloca as pessoas pra baixo. É como se existisse uma ”força da gravidade“ emocional, que empurra a gente pra um lugar que ninguém gosta de ir. Triste, frio, cinza. Aí a gente tenta pintar as paredes, pôr brilho, se distrai, ri, sai da rotina, foge de si mesmo. Mas depois, descobre-se que tudo não passou de uma tentaviva frustrada de enganar o tempo. A gente gira o ponteiro do relógio, mas se esquece de que nosso inconsciente não se guia por tempo cronológico. Ele faz seu próprio tempo, e aí percebemos que somos incapazes de mexer no mecanismo desse reloginho chato e inconveniente.
E se a gente pudesse parar essa tal roda, mandar no tempo do nosso coração? Parece bom. Mas, a mim, soa como comer doce de leite, gostoso até certo ponto. Depois tranca a garganta, enjoa. O bom da vida é justamente o não-saber constante do que será, do que seremos.
A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a roseira pra lá
[...]
No peito a saudade cativa
[...]
No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a saudade pra lá
E por causa da corrente da dúvida do que será, deixamos de arriscar, de pôr o barco em alto-mar. E depois a gente fica sem saber se a correnteza iria nos levar justamente pra terra firme. Quem é que sabe o que seria das coisas que não fizemos?
Fica-se então com a saudade do que já não volta, com o desejo de trazer o passado. E com a vontade de fazer diferente, esperança viva e latente de que essa correnteza arraste nosso barquinho para um novo cais. Tudo muda o tempo todo, e sempre vai existir alguém capaz de nos trazer de volta do nosso eu solitário e fugitivo, leve o tempo que for. E quando a gente desiste de encontrar, a roda viva traz, surpreendentemente, aquela luz dos olhos numa das voltas do nosso coração.
E por causa da corrente da dúvida do que será, deixamos de arriscar, de pôr o barco em alto-mar. E depois a gente fica sem saber se a correnteza iria nos levar justamente pra terra firme. Quem é que sabe o que seria das coisas que não fizemos?
Fica-se então com a saudade do que já não volta, com o desejo de trazer o passado. E com a vontade de fazer diferente, esperança viva e latente de que essa correnteza arraste nosso barquinho para um novo cais. Tudo muda o tempo todo, e sempre vai existir alguém capaz de nos trazer de volta do nosso eu solitário e fugitivo, leve o tempo que for. E quando a gente desiste de encontrar, a roda viva traz, surpreendentemente, aquela luz dos olhos numa das voltas do nosso coração.
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração

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