segunda-feira, 25 de maio de 2009

Em que lugar eu me esqueci?



Fazer "loucuras" é só um modo de dizer que não quero seguir certos padrões. E aí, quem vai julgar, dizer se é certo ou errado? Ser louco nada mais é do que extravasar vontades que, na maioria das vezes, não temos coragem de expressar.

Fico me condenando por estar recém-formada, aos 23 anos, desempregada e lutando por um espaço, por menor que seja, num mercado que não dá muita abertura aos "inexperientes". Preciso ter um bom emprego, para conseguir minha independencia financeira, comprar uma casa, namorar, casar, ter filhos, comprar um cachorro, gato, periquito e assim ser realizada. E se não for isso o que eu quero da vida? E se eu não quiser passar horas trancafiada num escritório, para depois chegar em casa e lavar a cueca do meu marido e dar banho nas crianças? E se eu não quiser morar numa casa com piscina e ter uma tevê 42 polegadas pra ver o Fantástico aos domingos? E se eu não quiser casar antes dos 35? E se a minha vida não for o que projetaram pra mim?!

Tenho pensado muito sobre o que espero de mim mesma. Eu esqueci do que quero, do que sou. E eu sou a atriz principal da minha vida, mas esqueci de me convencer disso. Tenho deixado que os outros escrevam o roteiro, produzam a peça e encenem por mim. Roubaram meu papel, fiquei de coadjuvante da minha própria história. Analogias que soam como devaneios a quem lê, mas é isso que eu desejo que pareça: insensatez.

Hoje eu vou pintar a cara, colocar um chapéu, fazer a maquiagem do triste palhaço e seguir com o circo. Ir de cidade em cidade, conhecer um mundo que eu nem imagino. Sem nada que me prenda, sem raízes. Os artistas são felizes assim. Hoje eu quero fazer minha mochila e sair por aí, sem eira nem beira, até chegar ao desconhecido que, ao se tornar conhecido, me encante. Hoje eu quero beber vinho sem ter a preocupação da ressaca do dia seguinte, eu quero passar horas escrevendo de madrugada sem medo de ficar com rugas, quero morar num chalé pequeno e distante. Ou não, talvez eu queira um flat no centro de São Paulo, sozinha. Mas quero ter a quem recorrer, quero o carinho daquele homem atencioso ou daquela mulher misteriosa que vem e que vai. Quero poder retribuir esse mesmo carinho. Quero me apaixonar por ele, por ela. Quero passar dos 30 anos sem a preocupação do que vão pensar se eu estiver solteira, casada, desquitada ou seja lá o que for. Eu preciso ficar só, comigo mesma, ouvindo apenas o ronco do meu cachorro fiel e esquisito. Retomar as rédeas de mim mesma, me recuperar.

Onde foi que eu fiquei mesmo? Em que lugar eu me esqueci? Quando olho pra dentro de mim e sinto aquele familiar "vazio", percebo que tudo que sou está projetado em outra pessoa. E quando olho pra ela, sinto saudade de mim. Eu me quero de volta, deixei tudo o que sou lá. E como foi difícil constatar isso, absorver e admitir que no fundo a responsabilidade é minha, inteiramente minha. Eu e aquela estranha necessidade de me ver refletida nos outros. Egoísmo? Perfeccionismo? Não sei que nome se dá, mas acredito que seja mais comum do que se pode parecer.

"Deve haver algum sentido..."
Sim, há. Naquela manhã de domingo, acordei assustada com um sonho perturbador, que me trouxe um sutil e incômodo questionamento: O que é pior, enganar o medo ou desenganar a vida? Quase 3 meses depois, reassumindo minha condição de atriz principal da minha própria história, tenho a segurança de dizer que mais vale uma verdade amarga do que uma mentira adocicada que me mantenha presa às raízes da ignorância. Acordei pra mim mesma, e não quero mais as regras dos outros, as leis que ditam e julgam ser certas. A minha verdade amarga é mais doce que a "saborosa" mentira que querem que eu viva pra ser feliz.


*Agradecimento especial à você, Helen, que com sua sinceridade e coragem, desperta o senso crítico-reflexivo tão necessário aos sonhadores...

sexta-feira, 22 de maio de 2009

medo de adultecer, adultecendo: "that's not my name!"


Adultecer é tercer-se, "resolver traumas e resentimentos da infância e da adolescência para poder iniciar de maneira saudável e segura uma nova fase da vida. Transformar-se de pessoa dependente à pessoa idependente, estabelecer uma indentidade para sí sem criar personagens, conscientizar-se de seu potencial e capacidade para sua própria satisfação pessoal, ser capaz de responder às demandas e suportar as pressões."*

não dá medo???

Venho pensando sobre isso desde que a Ju (Gimenez) me disse que eu precisava deixar de ser menina para ser moça e que de moça eu passaria a ser mulher. Não que fosse novidade, mas já tava na hora??? Na verdade já tinha passado da hora! Não por coincidência, outro dia a Vivian (de Cambé), numa conversa, me disse: Helen eu quero ver você com as rédeas da sua vida nas mãos! - Levei um susto, fiquei pasma, senti medo, mas logo o desespero foi diminuindo, assim acalmando, e eu enxerguei que é realmente inevitável, que é impossível realizar muitos dos meus sonhos e metas sem passar por esse tremendo frio na barriga e crescer mais um pouquinho. É tipo assim, prova e pré-requisito. Pra alguns é mais fácil, pra outros não, o negócio é que pra mim soa como estar completamente sozinha no mundo. Como vou cuidar de mim? O que priorizo e o que preciso priorizar na minha vida? Quais são os limites, as regras para que eu consiga viver bem e alcance meus objetivos? Eu consigo me segurar? Ai esse meu instinto boêmio! O que eu quero? Que escolha eu faço todos os dias, talvez sem perceber, que mantém minha vida, que me mantém como estou? O que eu quero mudar e o que posso fazer pra que isso aconteça? Porque algumas coisas são tão difíceis pra mim?
Pensei na minha vida sexual, pensei nas minhas relações sociais e também pensei sobre o que quero no futuro, que tipo de vida tem mais a ver comigo, que passo eu dou agora. Pensei em como eu gostaria de orgulhar os meus pais, de ter meus parentes e amigos sempre por perto como numa grande festa, pensei em como eu gostaria que as pessoas me aceitassem e me respeitassem como sou e percebi como tenho me sentido errada e como tenho me reprimido numa situação ou outra, fingindo que esse é meu nome sim e tentando me convencer de que talvez eu possa ser o que querem que eu seja e, ao mesmo tempo, ser eu mesma. Mas isso dá em vida dupla, pode até dar em personalidade dupla (exageraaada) e isso eu não quero. Me peguei tentando atender por um nome que definitivamente nunca me atraiu da mesma forma que outro e decidi que serei eu mesma independentemente da aprovação alheia porque eu preciso e mereço ser feliz e cansei de me confundir por querer a aprovação de todos, mas que não vou impor o que sou e o que penso, quero amor, se não der pra amar que me respeitem, se isso ainda for muito, que distanciem-se. Simples assim.
Pensei na ida e na vinda para Londrina e no tempo em que morei aí, pensei nas escolhas erradas que fiz, nos meus medos, no que eu me envergonho de muitas vezes pensar, dizer ou fazer (ou de deixar de) e me senti a pessoa mais horrível do mundo. Mais difícil que me dispor a sofrer as conseqüências de abrir mão da aprovação de parentes, amigos e colegas para viver a minha vida do meu jeito é vencer a mim mesma, meus medos, meus preconceitos, ultrapassar meus próprios limites, me avaliar, me reavaliar, me reconstruir... Sempre! E essas coisas estão tão ligadas que eu não sei o que vem primeiro. Sei que vou tentar não me envergonhar dos meus erros, não quero mais a angustia de tentar agradar a todos porque isso é impossível e assim eu errei muito e muitas vezes. Sei que sou humana, que erro, que cresço porque é assim que as coisas funcionam, a gente precisa crescer e agora eu entendo melhor isso (na verdade eu tenho uma vaga idéia, o que já ajuda, eu não tinha nenhuma!), aceito tentar, aceito me dedicar e errar porque hoje o meu tentar, o meu dedicar e o meu fazer mudam e aos poucos tomam forma. Uma forma coerente com o que eu sou e com o que eu quero, uma forma que vai mudar por várias vezes ao longo da minha vida e que eu quero digna mesmo diante da necessidade de reparo.
Foi algo assim, também, o que a Vivian me disse naquele dia, que eu fizesse as minhas escolhas de acordo com o que sou e quero, que eu não me prendesse, não deixasse de fazer alguma coisa por causa dos meus pais, por exemplo, pra depois não ser uma pessoa infeliz e amarga por não ter “podido” ser e fazer o que realmente queria. E eu fiquei imaginando se isso não seria egoísmo ou falta de consideração. Não é. O que pode fazer pelo outro alguém apagado, confuso, reprimido e deprimido como eu estava e às vezes fico? Quero estar com as pessoas que eu amo e admiro e pra isso eu preciso, primeiramente, ser alguém pra mim. Agora estou planejando e me organizando para ter as rédeas da minha vida nas mãos, ser independente financeiramente, voltar a morar sozinha, fazer as coisas que eu gosto. Coisas que eu sempre quis fazer e ainda não fiz. Sentir-me diferente ao crescer e ampliar o olhar sobre o mundo, analisar meus pensamento, refletir... tudo isso é muito bom. Agora, além disso, o que eu preciso é de paciência para o fazer vagaroso que é estudar para o vestibular. Haja determinação!


liberdade (poder) escolher conforme o ser:
mãe, "that's not my name!"
maturidade (saber) fazer o que se deve fazer:
e recomeçar quando preciso!



*resumo de um texto de psicologia


Bom, é isso meninas! Espero que não tenha ficado muito confuso!
Beijos à todas! Muitas saudades!

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Trechos

“Alguém me levou de mim
Alguém que eu não sei dizer
Alguém me levou daqui.
Alguém, esse nome estranho.
Alguém que eu não vi chegar
Alguém que eu não vi partir
Alguém, que se alguém encontrar,
Recomende que me devolva a mim.”


“O outro é mistério que merece ser preservado. [...] Preservar o mistério é continuar conquistando...”

“O grande equívoco dos nossos dias é estabelecer as relações humanas a partir das substituições. Queremos que o outro seja a concretização humana de nossas idealizações. Hoje nos satisfaz e amanhã não mais. Trocamos. Tentamos de novo. Voltamos a trocar. As paixões são avassaladoras, mas os desencantos também. E assim vamos colecionando relações e os seus conseqüentes estragos.”

“A paixão é diferente do amor justamente por isso. A paixão sobrevive de idealizações e o amor sobrevive de realidade. A paixão desinstala de uma forma infantil, tornando a pessoa vítima de suas fragilidades. O amor, ao contrário, amadurece e favorece a superação daquilo que a fragiliza. [...] O amor só pode acontecer nas pessoas que atravessam a ante-sala da paixão. Somente depois de conhecidos limites e virtudes é que o amor é real.”

“Sinto falta de você.
Mas o que sinto falta é de tudo o que é seu e que me falta.
Sinto falta de minhas faltas que em você não faltam.
Sinto falta do que eu gostaria de ser e que você já é.
Estranho jeito de carecer, de parecer amor.

[...]Mas o tempo de saber já chegou
Não quero mais conviver com meu lado obscuro,
E, por isso, ouso direcionar meus braços
Na direção da dose de honestidade que hoje me cabe
Hoje quero lhe confessar meu egoísmo.

[...]Perdoe-me se meu amor chegou tarde demais,
Se meu querer bem é inoportuno e em hora errada.
É que hoje eu quero lhe confessar meu desatino,
Meu segredo tão desconcertante:
Ao dizer que sinto falta de você
Eu sinto falta é de mim mesmo.”
Trechos retirados do livro "Quem me roubou de mim?", Pe. Fábio de Melo.
Trechos que são como uma sala de espelhos, refletindo um pouco de pensamento, de alma.
Trechos de vida.

sábado, 2 de maio de 2009

Não é irônico?

Tenho refletido sobre algumas questões peculiares ultimamente. E não por me esforçar em pensar a respeito, mas me parece que quando algo resolve me assombrar, tudo converge para tanto. Os diálogos, os fatos, os pensamentos. Disseram-me dia desses que sou uma pessoa “meio conturbada”, sempre confusa e querendo confundir os outros. Pode ser, mas não é por mal. Sai naturalmente, por instinto.

Há pouco, conversava com uma pessoa que me confessava algumas particularidades de seu relacionamento que acaba de completar um ano. Ela me contava que não sabe por qual razão tem fugido de seu “amado”, não quer falar com ele. Seja por telefone, mensagens, internet. Quer distância, a ponto de bloqueá-lo no próprio msn. Mas, ao contrário do que se pode imaginar, ela o ama profundamente. Mais até mesmo do que imaginou que conseguiria amar alguém. “Eu sei que o amo o máximo que posso amar qualquer pessoa, mas não sei se o meu máximo é o que ele espera de mim.” Deu-se aí a minha epifania também.

Até que ponto o nosso “gostar” de alguém serve para que o outro seja feliz? E, se o outro está satisfeito, por que nos culpamos quando não nos achamos capazes de demonstrar amor de forma íntegra, completa? Isto não seria o outro a ter que avaliar?
São perguntas que só podem ser respondidas de forma pessoal, não se pode padronizar, criar uma verdade absoluta. Mas é nesse aspecto que vejo as grandes ironias da vida.

Ela ama o rapaz, mas quer distância. Não é irônico? Ele se diz apaixonado por uma, mas fica com a outra. Não é irônico? Ela passa momentos incríveis com ele, mas quando chega em casa e põe a cabeça no travesseiro, lhe vêm à mente a imagem de outra pessoa. Não é irônico? Duas pessoas que passam a semana toda em conflito, mas não conseguem viver uma sem a outra. Não é irônico? Alguém que sabe não gostar de algo, mas prefere não dar um basta na inconveniente situação. Não é irônico? Um coração que sabe que tem o carinho e a atenção de outro muito especial, mas ainda assim prefere e se sujeita a viver à custa do menor afeto possível que lhe seja direcionado. Não é irônico? Cego, com certeza é.

Talvez eu seja mesmo uma pessoa muito confusa. Mas é fruto do meu pensar demais, refletir em excesso. Ninguém peca por se auto-analisar em busca de melhoras. Como diria Alanis, “você vive, você aprende, você ama, você aprende, você chora, você aprende, você perde, você aprende”.

E por mais que eu tenha falhado, sei o quanto minhas dúvidas e meus amores renderam para me formar o que sou agora. Não me arrependo de uma só noite sofrida, de nenhuma lágrima sequer que tenha escorrido em razão de um sentimento que me fez viver e morrer todos os dias. Me encanta o que a paixão nos traz. Um mundo colorido, brilho nos olhos, sorriso bobo no canto da boca. Pensamento vago, olhar distante, estímulo próprio, luz. Vontade, criatividade. Não cega os defeitos alheios, mas nos faz indiferente a eles.

E se você se defende e me ataca com suas armas, não ligo para o quão afiadas sejam suas flechas e espadas. Elas não me atingem, porque não consigo observar nada além do que há por dentro desta armadura.


É isso. O amor, a grande ironia da vida.


Oh, maybe I think, maybe I don't
Maybe I will, maybe I won't
Find my way this time
I hear you're calling me soon
One of these days
Some of these days, and somebody pays
It happens all the time
I'll be leaving, believing you wanted me to

And maybe I'm a fool for walking in line
And maybe I should try to lead this time
I'm an honest mistake that you made
Did you mean to? Did you mean?
Oh, did you mean?

Love is just a game
Broken all the same
And I will get over you
Love is just a lie
Happens all the time
Swear I know this much is true

(Love´s a game - The Magic Numbers)